Memória

Luzes da cidade

Um breve relato sobre as antigas decorações natalinas de Adamantina-SP.

Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental Colunista
Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental
Adamantina, anos 60. Cruzamento da atual Rua Deputado Salles Filho com a Avenida Rio Branco (Arquivo Histórico Municipal). Adamantina, anos 60. Cruzamento da atual Rua Deputado Salles Filho com a Avenida Rio Branco (Arquivo Histórico Municipal).

“O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é - ou deveria ser - a mais elevada forma de arte.”

Charles Chaplin

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Recentemente me perguntaram sobre o motivo pelo qual sempre escrevo sobre Adamantina, que por carinhosa licença poética a denomino de “terrinha”. Por incrível que pareça, não nasci aqui, sou pacaembuense por dois ou três dias (não me recordo). Mas por aqui resido desde os primeiros dias de vida. Assim, por sinal acabei adotando esta localidade e esta me acolhera ao longo dos anos, daí a nossa relação de longa data.

Pois bem, ao longo desses anos cursei uma graduação em história, e como tal todo historiador procura focar seus estudos em dados, fontes e memórias locais (ou não!). Diante disso, procurei me aventurar pelas entrelinhas da terrinha. E para minha surpresa, quanta coisa descobrimos. E claro, ainda descobriremos!

Sempre relato por aqui ou ali, recortes, fontes ou relatos deste ou daquele personagem, no entanto nestas breves linhas destacarei algumas memórias pessoais sobre a terrinha.

De algumas lembranças de minha infância por aqui, ainda são bem nítidos os sons das buzinas do padeiro e do leiteiro, que percorriam toda a cidade com suas carroças. E que sempre me levavam para dar uma volta pelo quarteirão da minha casa.

Da mesma forma que também eram comuns o som da flautinha do vendedor de algodão doce, a campainha do “tio da raspadinha” ou até mesmo a calma do Sr. Noé, que vendia paçoquinha nas esquinas da cidade. Ah, e claro aquele cheirinho inesquecível das pipocas que eram vendidas na Praça Élio Micheloni.

No entanto, nada me chamava mais a atenção do que a nossa “famosa” decoração de fim de ano. Não esta, feita com materiais recicláveis, mas a anterior... Os mais “experientes”, com certeza se lembrarão, de que a alguns anos atrás, estruturas com lâmpadas coloridas eram colocadas no meio das avenidas principais da cidade, com algum símbolo natalino.

A primeira vez que a vi, acho que deveria ter uns dois ou três anos, e aquilo me encantou de tal forma que eu esperaria vê-la durante o ano todo. O que me fazia perguntar a minha mãe todas as vezes que íamos ao centro à noite: “Mãe... Cadê as luzes da cidade?” E ela sempre me falava: “Só no fim do ano...!”

E assim, aprendi que as “luzes da cidade” só seriam expostas nos finais de ano. Assim, eu aguardava ansiosamente pelas decorações natalinas e suas luzes. No entanto como sabemos, elas já não compõem mais a decoração da terrinha, mas por aqui valem as recordações de outrora.

Tiago Rafael dos Santos Alves

Historiador – 0000486/SP

Membro correspondente da ACL e AMLJF

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