Memória

Como a população adamantinense evoluiu e/ou involuiu

Uma breve análise sobre a demografia de Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Adamantia sempre teve população na casa dos 30 mil habitantes, porém mudou a relação entre população ruran e urbana (Foto: Drone Adamantina). Adamantia sempre teve população na casa dos 30 mil habitantes, porém mudou a relação entre população ruran e urbana (Foto: Drone Adamantina).

 “O passado serve para evidenciar as nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso do futuro.”

Henry Ford

* * *

Até que enfim chegamos ao tão esperado 2020! Para muitos dos locais da “terrinha”, 2019 foi um ano cheio de “eitas atrás de vixes”! Mas, esperamos que neste ano tudo possa se “amenizar”, afinal temos eleição. Deixemos a política um pouco de lado e passemos ao que interessa. Este ano também é ano de Censo Demográfico. Ou seja, vamos saber a que “cargas” anda a nossa população.

Ao longo de sua história, as diversas cidades da região e mesmo do Estado de São Paulo, vivenciaram um movimento de “saída” de grande parte de sua população rural para as zonas urbanas, um movimento que conhecemos como “exôdo rural”. Assim, é bem comum ver nos primeiros Censos, uma grande diferença entre a população rural e a urbana, fato que vai se alterando ao longo do tempo, e que percebemos claramente nos dias atuais.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelos Censos, a população da ‘terrinha’ sempre oscilou entre a casa dos 30 mil habitantes (Vide Tabela  e Gráficos). Para se ter uma ideia de como nos urbanizamos a população urbana daqui em 1950 girava na casa dos 29%, enquanto que a população rural se concentrava nos 71% restantes, atualmente, segundo o Censo de 2010, 95% da população reside na área urbana, enquanto que os outros 5% reside em áreas rurais.

Ao mesmo tempo, podemos constatar que a partir das décadas de 1960 e 1970 a população total da terrinha teve uma diminuição acentuada, que chegou a cerca de 7%, tendo modestos aumentos nas décadas posteriores. Quanto aos motivos para tal diminuição, penso que poderão ser explorados oportunamente.

Quanto à estimativa para o ano de 2019, estaríamos muito próximos de patamar de 1950. No entanto, pelo que se percebe, com uma mínima população vivendo nas áreas rurais. E isso, reflete bem o que vivenciamos no Brasil, infelizmente não há uma perspectiva de melhora do rural. E isso soa uma frase a muito já dita pela Profa. Maria Nazareth Wanderley, a qual reproduzo:

O habitante do meio rural deve sempre deslocar-se para a cidade, se quer ter acesso ao posto médico, ao banco, ao poder judiciário e até mesmo à igreja paroquial. Se a pequena aglomeração cresce e multiplica suas atividades, o meio rural não se fortalece em consequência. O que resulta desse processo é a ascensão à condição de cidade, brevemente sede do poder municipal. Não existe ideia de um rural melhor. O rural quando melhora vira cidade. (Grifo nosso) (1)

Enfim, o que esperar de nossos dados de 2020? Confesso que de acordo com os dados já compilados e analisados, temos uma ideia. No entanto, aqui cabe outra pergunta: O que fazer com tais dados? Alimentar páginas de sites institucionais? Acho que não! Que os nossos futuros “Governantes” possam dar ‘significado’ a tudo isso e usá-los em prol da comunidade.

Fonte: João Carlos Rodrigues.

Org: Tiago Rafael dos Santos Alves.

* O ano de 2019 é apresentado apenas como estimativa.

** Dados de 1940 não disponíveis em virtude da criação do município em 1949.

 (1) Disponível em: <https://www.agrolink.com.br/noticias/pesquisadora-fala-dos-desafios-do-mundo-rural-brasileiro_73250.html> Acesso em 04/01/2020.

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com

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