Memória

O dia em que arrancaram a cabeça do padre

Os entraves na colocada do busto do Cônego João Batista de Aquino

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
O dia em que arrancaram a cabeça do padre

Estátuas são o espelho de uma época.”

(Autor desconhecido)

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É comum ao passarmos pela cidade nos depararmos com inúmeros tipos de construções em meio aos canteiros centrais, em praças ou mesmo nas vias de acesso, o que de forma genérica podemos denominar como “monumento”.

Costuma-se defini-lo “grosso modo”, como uma obra, geralmente grandiosa, construída com o propósito de perpetuar a memória de alguma pessoa ou de algum acontecimento relevante e/ou importante na história de uma comunidade, nação, cidade, etc., mas, o que poucos conhecem é a história que os rodeia e mesmo o motivo de estarem lá.

Também há de se ressaltar que existem algumas diferenças entre os diferentes tipos de monumentos que encontramos por aqui, dentre eles podemos destacar os “bustos”, as “estátuas e mesmo os “obeliscos”, isso para não entrar no mérito das “placas”, que já foram tema de outro texto.

Dentre os bustos que encontramos na “cidade joia” se destacam dois deles, ambos localizados na Praça José Costa (Jardim da Estação). Um deles homenageia o Sr. Ihity Endo, um grande representante da Colônia Japonesa, e o outro o Cônego João Batista de Aquino, que fora padre e prefeito desta cidade.

O mais curioso é que no início da década de 1960, esse tal busto do Cônego gerou muita controvérsia, chegando mesmo a ser arrancado do local. Uma parte da população concordava com a sua colocação, no entanto muitos não a queriam como sendo uma homenagem da população adamantinense, mas da comunidade católica.

Depois de dias de agitação pró e contra o busto do padre, foi enviado a terrinha o Monsenhor Majela, para que pudesse resolver o ocorrido. E assim se fez, os vereadores da época acabaram votando a favor da recolocação do busto na Praça. Isso consta na Lei Municipal de nº 698/63.

Em sua inauguração, diversos membros da comunidade estiveram presentes (pelo menos os que concordavam), e conforme queriam alguns munícipes a placa em sua homenagem trouxe os dizeres: “À memória do Revmo Cônego João Batista de Aquino. Homenagem da Diocese de Marília’, e não como queriam alguns, que fosse uma homenagem da “população adamantinense”.

Enfim, os monumentos acabam por revelar diversos ângulos que muitas vezes passam despercebidos, seja por desconhecimento ou esquecimento, a nós da história, cabe a singela tarefa a que um dia fomos incumbidos: “Analisar o que os homens fizeram ao longo do tempo.”

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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