Polícia

Operação em Adamantina investiga esquema milionário na Câmara de Catanduva

Operação teve participação do 8º BAEP e Helicóptero Águia da Polícia Militar.

Por: Da Redação | Com informações do MPSP atualizado: 3 de junho de 2026 | 11h29
Cumprimento de mandados em Adamantina (Cedida: BAEP/PP). Cumprimento de mandados em Adamantina (Cedida: BAEP/PP).

Com o objetivo de desarticular esquema de desvio reiterado de recursos públicos da Câmara de Vereadores de Catanduva, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou, nesta terça-feira (2), a Operação Rei do Pix.

Segundo nota do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), foram cumpridos dez mandados de prisão e mais de 50 de busca e apreensão nas cidades de Adamantina, Bauru, Jaboticabal, São Paulo e Catanduva.  Nenhuma prisão ocorreu em Adamantina. Em Catanduva, autoridades realizaram diligências inclusive na sede do Poder Legislativo local.

Em Adamantina, segundo apurou o Siga Mais, a operação ocorreu em dois endereços da cidade, com apreensão de objetos. Os mandados foram cumpridos por policias do 8º BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) de Presidente Prudente, liderados pelo comandante, tenente-coronel André Domingos Pereira. As equipes deixaram Prudente por volta das 4h da manhã, para cumprimento de mandados em Adamantina. O Helicóptero Águia também apoiou a operação.  

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Em Adamantina

Durante o cumprimento dos mandados de busca em endereços localizados em Adamantina, equipes da Polícia Militar apreenderam diversos materiais considerados relevantes para o avanço das investigações. Entre os itens recolhidos estão documentos, computadores, discos rígidos externos (HDs), pen drives e outros dispositivos de armazenamento de dados.

Materiais apreendidos (8º BAEP).Materiais apreendidos (8º BAEP).

Todo o material apreendido será submetido à perícia técnica e posteriormente encaminhado ao Ministério Público, que conduz os desdobramentos do inquérito.

Durante as diligências, os policiais também localizaram uma arma de fogo. Embora o armamento possuísse origem regular, a documentação de registro encontrava-se vencida. A arma foi apresentada na Delegacia de Polícia Civil de Adamantina e permaneceu apreendida para os procedimentos de regularização previstos na legislação.

Arma estava regular e foi devolvida

Após a arma apreendida, a Polícia Civil em Adamantina seguiu com os procedimentos e constatou que a mesma estava em situação regular. Na ocasião do mandado de busca, o investigado apresentou aos policiais militares documento com data de vencimento expirada, o que motivou a apreensão do objeto. 

Porém, na Polícia Civil, pesquisas junto ao  Sistema Nacional de Armas (SINARM), consta data de registro ainda vigente, válida. Considerando a regularidade da arma, foi realizada a imediata devolução ao proprietário.

Justiça bloqueia R$ 20 milhões em bens dos investigados 

De acordo com o MPSP, visando à reparação dos danos causados ao erário, a 1ª Vara Criminal de Catanduva determinou a indisponibilidade de bens dos investigados em montantes variáveis. No caso dos agentes com maior nível de envolvimento com as fraudes, os bloqueios chegaram a até R$ 20 milhões. Além disso, houve também a apreensão de valores em espécie e veículos automotores. 

Policiais do 8º BAEP em Adamantina (Siga Mais).Policiais do 8º BAEP em Adamantina (Siga Mais).Sobrevoo do Águia na cidade (Siga Mais).

Entre 2023 e 2024, conforme o Ministério Público, investigações identificaram desvios de ao menos R$ 10 milhões do orçamento da Câmara de Catanduva, mas é possível que as fraudes tenham movimentado valores ainda maiores. Nos anos subsequentes, o grupo continuou a fazer acertos com o dinheiro obtido ilicitamente, realizando manobras para ocultar e dissimular sua origem ilícita e configurando o crime de lavagem de capitais.

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Por meio de amigos e parentes – segue o MPSP – o grupo alvo da operação constituiu mais de 60 empresas de fachada. Essas pessoas jurídicas simulavam a prestação de serviços à Câmara, emitiam notas frias e recebiam recursos públicos, posteriormente devolvidos a integrantes do esquema criminoso em uma taxa de 90% a 95%. A investigação identificou ainda fraudes em licitações e contratações superfaturadas usadas para viabilizar repasses, a integrantes do esquema, de até 30% do valor pago pelo Poder Legislativo.

Participaram da operação nesta terça-feira, 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal e mais de 200 policiais militares, além de três equipes da Polícia Civil que auxiliaram no cumprimento de mandados na capital.

(Conteúdo atualizado em 03/06/2026, às 8h08, com inclusão de informações sobre a regularidade da arma apreendida e sua devolução ao proprietário).

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