Polícia

Desvios na Câmara de Catanduva: operação em Adamantina apreende documentos e equipamentos digitais

Mandados foram cumpridos em endereços de Adamantina.

Por: Da Redação atualizado: 3 de junho de 2026 | 08h08
Materiais apreendidos na operacao (Cedida/Oitavo BAEP) Materiais apreendidos na operacao (Cedida/Oitavo BAEP)

Com o objetivo de desarticular um esquema de desvio reiterado de recursos públicos da Câmara Municipal de Catanduva, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou, nesta terça-feira (2), a Operação Rei do Pix.

Segundo nota divulgada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), foram cumpridos dez mandados de prisão e mais de 50 mandados de busca e apreensão nas cidades de Adamantina, Bauru, Jaboticabal, São Paulo e Catanduva. Nenhuma prisão ocorreu em Adamantina. Em Catanduva as diligências alcançaram inclusive a sede do Poder Legislativo municipal.

Buscas em Adamantina (8º BAEP).Buscas na Câmara Municipalp de Catandiva  (9º BAEP).

Em Adamantina, conforme apurou o Siga Mais, a operação foi realizada em dois endereços, com apreensão de materiais de interesse da investigação. Os mandados foram cumpridos por policiais do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), de Presidente Prudente, sob coordenação do comandante da unidade, tenente-coronel André Domingos Pereira.

As equipes deixaram Presidente Prudente por volta das 4 horas da manhã e contaram com o apoio de cinco viaturas e do Helicóptero Águia da Polícia Militar.

Ao Siga Mais, o comandante do 8º BAEP fez um balanço da atuação em Adamantina. “Cumprimos mandados de busca em quatro locais. O principal objetivo foi apreender documentos e equipamentos digitais que possam conter arquivos importantes para a continuidade das investigações conduzidas pelo GAECO, relacionadas a licitações públicas envolvendo a cidade de Catanduva”, afirmou.

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Entenda a investigação

De acordo com o Ministério Público, as investigações identificaram que, entre 2023 e 2024, ao menos R$ 10 milhões teriam sido desviados do orçamento da Câmara Municipal de Catanduva. Os promotores apontam, contudo, que os valores envolvidos podem ser ainda maiores.

Segundo o MPSP, mesmo após a obtenção dos recursos de forma ilícita, o grupo investigado teria continuado realizando movimentações financeiras destinadas a ocultar e dissimular a origem do dinheiro, caracterizando, em tese, o crime de lavagem de capitais.

Policiais do 8º BAEP em Adamantina (Siga Mais).

Ainda conforme a investigação, mais de 60 empresas de fachada teriam sido constituídas em nome de amigos e familiares dos envolvidos. Essas empresas simulavam a prestação de serviços à Câmara Municipal, emitiam notas fiscais fraudulentas e recebiam recursos públicos, que posteriormente retornavam aos integrantes do esquema em percentuais que variavam entre 90% e 95% dos valores pagos.

O Ministério Público também aponta a existência de fraudes em processos licitatórios e contratações superfaturadas, utilizadas para viabilizar repasses de até 30% dos valores pagos pelo Legislativo aos integrantes da organização investigada.

Materiais apreendidos em Adamantina

Durante o cumprimento dos mandados de busca em Adamantina, as equipes do BAEP apreenderam diversos materiais considerados relevantes para o avanço das investigações. Entre os itens recolhidos estão documentos, notebooks, computadores, celulares, discos rígidos externos (HDs), pen drives e outros dispositivos de armazenamento de dados.

Materiais apreendidos (8º BAEP).

Todo o material será submetido à análise pericial e encaminhado ao Ministério Público para subsidiar a continuidade do inquérito. “Foram apreendidos diversos materiais, entre eles documentos, notebooks, computadores e celulares. Todo esse material será analisado pelo GAECO e poderá servir como prova no andamento das investigações”, completou o comandante.

Materiais apreendidos (8º BAEP).

Durante as diligências, os policiais também localizaram uma arma de fogo. Embora o armamento possuísse registro regular, a documentação encontrava-se vencida. A arma foi apresentada na Delegacia de Polícia Civil de Adamantina e permaneceu apreendida para os procedimentos de regularização previstos na legislação.

Arma estava regular e foi devolvida

Após a arma apreendida, a Polícia Civil em Adamantina seguiu com os procedimentos e constatou que a mesma estava em situação regular. Na ocasião do mandado de busca, o investigado apresentou aos policiais militares documento com data de vencimento expirada, o que motivou a apreensão do objeto. 

Porém, na Polícia Civil, pesquisas junto ao  Sistema Nacional de Armas (SINARM), consta data de registro ainda vigente, válida. Considerando a regularidade da arma, foi realizada a imediata devolução ao proprietário.

Portal da Transparência aponta pagamentos a empresas de Adamantina

O Siga Mais não teve acesso aos nomes dos investigados nem aos endereços onde os mandados foram cumpridos.

Em consulta aos dados públicos disponíveis no Portal da Transparência da Câmara Municipal de Catanduva, a reportagem identificou duas empresas sediadas em Adamantina relacionadas ao fornecimento de serviços de limpeza e conservação ao Legislativo catanduvense.

Policiais do 8º BAEP em Adamantina (Siga Mais).

Para uma das empresas, o portal registra pagamentos de R$ 357.746,14 em 2023. Em 2024, essa mesma empresa recebeu R$ 124.620,89. Uma segunda empresa sediada em Adamantina recebeu R$ 445.069,30 no mesmo período.

Somados, os pagamentos efetuados em 2024 alcançam R$ 569.690,19. Considerando os dois exercícios financeiros analisados, o montante total chega a R$ 927.436,33.

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Justiça bloqueia até R$ 20 milhões em bens

Segundo o Ministério Público, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos, a 1ª Vara Criminal de Catanduva determinou a indisponibilidade de bens dos investigados em valores proporcionais ao grau de envolvimento atribuído a cada um.

Sobrevoo do Águia na cidade (Siga Mais).

Nos casos considerados mais graves, os bloqueios judiciais alcançaram até R$ 20 milhões. A operação também resultou na apreensão de dinheiro em espécie e veículos.

A Operação Rei do Pix mobilizou 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e três equipes da Polícia Civil, que auxiliaram no cumprimento de mandados na capital paulista.

(Conteúdo atualizado em 03/06/2026, às 8h08, com inclusão de informações sobre a regularidade da arma apreendida e sua devolução ao proprietário).

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