Energisa e Defesa Civil ampliam integração para enfrentar eventos climáticos severos
Seminário discute estratégias diante de temporais, vendavais, chuvas intensas e calor extremo.
A preparação para enfrentar eventos climáticos severos ganhou reforço com a realização da 4ª edição do Seminário Regional de Atuação Preventiva em Eventos Climáticos Severos, promovido pela Energisa Sul-Sudeste em parceria com a Defesa Civil. O encontro foi realizado nesta terça-feira (18), em Presidente Prudente, e reuniu representantes de órgãos públicos, instituições e empresas das regiões de Presidente Prudente, Assis e Tupã.
A programação teve como foco o fortalecimento da atuação integrada diante de ocorrências provocadas por fenômenos meteorológicos extremos, com atenção especial aos cenários previstos para o segundo semestre. Entre as situações discutidas estão temporais, vendavais, chuvas intensas, descargas atmosféricas, granizo e períodos prolongados de calor.
Seminário Regional de Atuação Preventiva em Eventos Climáticos Severos (Siga Mais).
Além das projeções meteorológicas, o seminário abordou os principais riscos para a região e os possíveis impactos desses fenômenos sobre a infraestrutura e os serviços essenciais, especialmente o fornecimento de energia elétrica.
A proposta é ampliar o planejamento conjunto e aperfeiçoar os protocolos de atuação antes, durante e depois de ocorrências de maior intensidade.
El Niño deve ganhar força e elevar risco de eventos severos
Entre os cenários meteorológicos apresentados durante o seminário esteve a evolução do fenômeno El Niño, que já está configurado e, segundo a avaliação apresentada pela meteorologista Sheila Paz, gerente de meteorologia do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), deve ganhar ainda mais intensidade nos próximos meses.
De acordo com Sheila, os modelos de prognóstico indicam que o fenômeno pode alcançar a categoria muito forte justamente durante a primavera, período que historicamente apresenta condições favoráveis à ocorrência de eventos meteorológicos severos no Estado de São Paulo.
“El Niño já está configurado, de intensidade forte. Ao que tudo indica, os modelos de prognóstico colocam ele ganhando ainda mais força nos próximos meses e ele vai chegar à categoria muito forte. Isso vai acontecer justamente na primavera, que é um período que naturalmente aqui no Estado de São Paulo a gente tem ocorrência de ventos severos e eventos significativos com chuva forte, ventos intensos”, explica.
Segundo a meteorologista, o El Niño pode atuar como um fator adicional de instabilidade ao favorecer condições de maior umidade e calor na atmosfera. Esse cenário pode contribuir para a intensificação de sistemas meteorológicos que avançam sobre o Estado, como as frentes frias.
“O El Niño acaba trazendo um combustível extra para a atmosfera aqui, um pouco mais de umidade, mais calor, e isso acaba impulsionando sistemas que chegam aqui, como frentes frias. Na chegada delas, infelizmente, os ventos acompanham a tendência que a gente tenha uma intensificação dessas rajadas de vento”, afirma Sheila.
Sheila Paz, gerente de meteorologia do Simepar/PR (Siga Mais).
A especialista também chama a atenção para outro possível efeito do cenário climático: períodos prolongados sem chuva, que podem favorecer a elevação das temperaturas e aumentar o risco de queimadas.
“Fora isso, também a gente deve ter períodos prolongados sem ocorrência de chuva, o que aumenta bastante a temperatura. Pontualmente temos também problemas relacionados a queimadas”, acrescenta.
Resiliência diante dos eventos extremos
Na avaliação de Sheila, a preparação para esse cenário exige uma atuação integrada entre os diferentes setores envolvidos na prevenção e na resposta aos eventos meteorológicos.
Ela destaca que o próprio seminário está inserido em uma estratégia mais ampla de discussão sobre resiliência climática e vulnerabilidade da infraestrutura diante dos impactos provocados pelo avanço de sistemas meteorológicos.
“O evento que a gente está participando traz também sobre o investimento que as distribuidoras do setor elétrico estão fazendo em relação a como olham a resiliência e como avaliam a vulnerabilidade do esperado impacto em função dos eventos meteorológicos que progridem pelo Estado”, explica.
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Segundo a meteorologista, a proposta é unir o conhecimento sobre os fenômenos climáticos ao planejamento das empresas e dos órgãos públicos para antecipar possíveis impactos.
“Então é toda uma sinergia olhando para o mesmo tema, a resiliência climática, antecedendo aí esse evento de super El Niño e também dos eventos meteorológicos que estão dentro de um projeto de pesquisa junto às distribuidoras do Estado de São Paulo”, completa.
Temporais exigem resposta rápida
Para o setor elétrico, eventos acompanhados de ventos fortes, raios, granizo e queda de árvores podem provocar danos à rede, interrupções no fornecimento e necessidade de mobilização emergencial de equipes.
Nessas situações, as distribuidoras precisam identificar os pontos atingidos, avaliar as condições de segurança, executar os reparos e restabelecer o fornecimento de energia. A atuação pode ser ainda mais complexa quando um mesmo evento provoca danos em diferentes municípios simultaneamente.
O gerente de Operação da Energisa Sul-Sudeste, Alessandro Gomes Martins, destaca que a antecipação dos cenários e a comunicação entre as instituições são fundamentais para reduzir os impactos.
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“Os eventos climáticos severos estão cada vez mais desafiadores para toda a sociedade. Nessas situações, o trabalho articulado e coordenado das equipes da Energisa, Defesa Civil, prefeituras e demais órgãos é essencial tanto para normalizar o fornecimento de energia elétrica quanto para garantir a segurança da comunidade nas localidades afetadas”, afirma.
Segundo Martins, a Energisa mantém um plano operacional para atendimento emergencial, com monitoramento das condições meteorológicas em tempo integral.
“O monitoramento do clima em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana, nos permite antecipar cenários decorrentes do clima e direcionar nossas equipes para localidades que possam ser afetadas por eventos climáticos”, explica.
Calor extremo também preocupa
Os períodos de temperaturas elevadas também exigem planejamento por parte das distribuidoras. O aumento do calor tende a elevar o consumo de eletricidade, principalmente em razão do uso mais intenso de aparelhos de climatização.
O crescimento da demanda representa uma pressão adicional sobre o sistema elétrico e exige das empresas planejamento operacional para manter a qualidade e a segurança do fornecimento.
Integração entre instituições
Outro tema discutido durante o seminário foi a atuação conjunta entre Energisa, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, prefeituras e demais instituições envolvidas no atendimento de emergências.
A integração permite o compartilhamento de informações, a organização dos recursos disponíveis e a definição de prioridades, principalmente em ocorrências de grande abrangência, nas quais diferentes serviços essenciais podem ser afetados ao mesmo tempo.
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Para Renato Gouveia, coordenador regional adjunto de Proteção e Defesa Civil, encontros desse tipo contribuem para estabelecer estratégias coordenadas.
“Mais do que discutir os riscos, encontros como este nos permitem construir estratégias conjuntas. Quando cada instituição conhece seu papel e mantém canais de comunicação bem estabelecidos, conseguimos reduzir o tempo de resposta e aumentar a capacidade de proteção da população”, destaca.
Prevenção antes da emergência
A realização do seminário reforça a importância do planejamento antecipado diante de um cenário climático que exige capacidade permanente de adaptação e resposta.
De acordo com a Energisa, as ações preventivas incluem o acompanhamento das condições meteorológicas, planejamento das equipes e dos recursos, manutenção da infraestrutura e articulação com os órgãos responsáveis pela segurança e pelo atendimento à população.
A perspectiva é que o trabalho integrado permita antecipar riscos, reduzir a vulnerabilidade da infraestrutura e melhorar a capacidade de resposta diante de eventos que podem atingir simultaneamente diferentes municípios e serviços essenciais.
“A atuação conjunta é especialmente importante em eventos de grande abrangência, quando diferentes serviços essenciais podem ser impactados simultaneamente. Nesses momentos, a troca rápida de informações contribui para direcionar os esforços, priorizar situações críticas e acelerar a recuperação dos serviços”, finaliza Alessandro Martins.