Um Passarinho me contou...

O dia em que eu tomei remédio no lugar de um lerdo

Ao tomar remédio no lugar do amigo, Passarinho sofreu reações e foi parar na Santa Casa.

João Passarinho e Tiago Rafael dos Santos Alves Colunista
João Passarinho e Tiago Rafael dos Santos Alves
O dia em que eu tomei remédio no lugar de um lerdo

Certa vez, o mesmo “lerdo” que me pediu para tomar injeção em seu lugar, me pediu para que eu tomasse um remédio para ele também. Era aquele tal do sulfato ferroso e ele tinha que tomar dois vidros.

Eu desconfio que aquele “lerdo” não tinha só medo de injeção, acho que ele tinha medo de remédio e da mulher dele também. Só pode!

E lá veio ele falar comigo:

– Passarinho... O médico me passou esses dois vidros... Você não pode beber para mim? – dizia o homem preocupado.

– Bebo sim! E como tem que fazer? – eu perguntava.

– Você tem que tomar uma colher por dia.

– Tá bom.

E assim eu fiz. Levei os dois vidros para casa. Como já tinha tomado até as injeções por ele e nada tinha acontecido, eu imaginava que não ía dar nada.

Quando era a tardezinha eu tomava aquela colherada. Mas, pensem em uma coisa horrível, aquilo era muito ruim. Fiz isso por um, dois, três dias, mas chegou no final de semana eu já queria acabar com todo aquele vidro. Enchi uma xícara com o tal do remédio e tomei.

Na hora, me deu uma reação! Me envermelhou todo o corpo, a cabeça “queimava como uma fogueira” e começou a dar uma coceira danada. Só para ter uma ideia, naquela época eu morava na Vila Jamil de Lima. Eu saí de lá correndo a pé, até a minha mãe e de lá até a antiga Farmácia Noturna, que ficava em frente ao Cine Santo Antônio.

Quando eu entrei na farmácia, o atendente me viu naquela situação e logo perguntou o que tinha acontecido comigo. Contei sobre a quantidade de remédio que havia tomado e mais que depressa, ele me recomendou a Santa Casa.

Saí de lá correndo até a Santa Casa. Quando finalmente fui atendido, a reação já tinha passado. Me lembro do rapaz ter falado que foi conta da “correria” que eu havia feito e que se fosse para eu ter morrido, isso já teria acontecido.

Quando cheguei em casa, minha mulher pegou os dois vidros e jogou dentro do buraco daquelas “privadas”, que se tinha antigamente. Quanto ao “lerdo” que me pediu para tomar o tal remédio. Não sei! Mas, tenho certeza que ele ficou melhor que eu!

 

João Passarinho

Funcionário Público Municipal

Escritor, Cordelista e Contador de histórias

 

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL