Um Passarinho me contou...

A serenata, o morto e a confusão

O que seria uma serenata alegre, se transformou em prantos. Tudo não passou de mera confusão.

João Passarinho e Tiago Rafael dos Santos Alves Colunista
João Passarinho e Tiago Rafael dos Santos Alves
A serenata, o morto e a confusão

Em minha adolescência, ocoreu um fato bem curioso enquanto residía em uma das cidades da região. Na época, eu e vários amigos fazíamos parte do coral da cidade e a nossa diversão era sempre nos reunirmos após os ensaios.

Certo dia, estávamos em cerca de umas trinta pessoas, e resolvemos fazer uma serenata para alguns moradores da cidade. De instrumentos na mão, partimos primeiramente para a casa do prefeito.

Chegando à frente de sua casa, logo começamos a cantoria. Foi uma alegria só! O “lerdo” do prefeito logo abriu a janela, gostou e agradeceu a homenagem.

Diante disso, tivemos a ideia de ir até a casa de um dos “lerdos” que faziam parte do coral, mas que não estava presente naquele dia. Todos concordaram, e lá fomos nós novamente.

Ao chegarmos próximo à casa do “lerdo”, uma vizinha, que era também sua parente, ao ver toda aquela multidão, imaginou que algo tivesse ocorrido ao “dito cujo”.

Ao chegar próximo a um dos membros do coral, ela foi logo perguntando:

- O que aconteceu? Alguém morreu? O “fulano” está bem? – interrogou a parente.

- O quê? O fulano morreu? – exclamou um dos membros.Sem saber de nada e sem ter escutado direito a pergunta, o outro “lerdo” achou que o “dito cujo” havia morrido. E começou a espalhar para os demais o ocorrido. E a vizinha também achara que toda aquela movimentação era por conta da “morte” de seu parente.

Foi uma confusão... Os vizinhos começaram a sair de suas casas, querendo saber o que estava acontecendo. Assim que chegavam, logo recebiam a notícia que o “lerdo” havia morrido.

O pior foi quando a esposa do “lerdo” saiu para fora de casa. Ninguém perguntou nada, já chegaram falando da morte do seu marido.

Naquele momento a choradeira, tristeza e comoção tomaram conta de todos. O que seria uma serenata alegre, se transformou em prantos.

Após alguns minutos, a conversa começava a fluir novamente e veio a descoberta. O “lerdo” estava pescando, não tinha morrido coisa nenhuma. Tudo isto não passara de uma grande confusão, iniciada por uma falha de comunicação.

Enfim, daquele dia em diante, depois de tamanha confusão, nós nunca mais nos atrevemos a fazer nenhuma serenata. Vai que alguém morre por aí!

 

João Passarinho

Funcionário Público Municipal

Escritor, Cordelista e Contador de histórias

 

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL