Santa Casa de Adamantina realiza primeira apendicectomia por videolaparoscopia
Técnica menos invasiva permitiu recuperação mais rápida.
A Santa Casa de Adamantina realizou, recentemente, pela primeira vez, uma apendicectomia por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva utilizada para a retirada do apêndice. O procedimento foi realizado com sucesso pela equipe médica da unidade, após avaliação das condições clínicas do paciente e dos recursos disponíveis para a cirurgia.
A cirurgia foi conduzida pelos cirurgiões Alisson Rodrigues e Marcos Carneiro, com participação do instrumentador cirúrgico Fagner e do interno do quinto ano do curso de medicina da FAI, José Augusto Machado.
O paciente, atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi encaminhado de Flórida Paulista para a Santa Casa de Adamantina. Segundo o médico Alisson Rodrigues, responsável pela avaliação inicial, o paciente apresentava dor abdominal havia quatro dias, quadro compatível com suspeita de apendicite.
Médico Alisson Rodrigues e o interno de Medicina, José Augusto (Cedida).
Após a realização de uma tomografia computadorizada, o diagnóstico foi confirmado. Diante do quadro clínico e dos equipamentos disponíveis na Santa Casa, a equipe avaliou que havia condições para realizar a cirurgia por videolaparoscopia. “Com os recursos que a gente tem, achou viável fazer por vídeo”, relatou Alisson Rodrigues.
Entre os benefícios da técnica estão a menor agressão aos tecidos, possibilidade de menor tempo de internação, menor risco de infecção da ferida cirúrgica e recuperação mais rápida, dependendo das condições clínicas de cada paciente.
Procedimento foi realizado com equipamentos disponíveis na unidade
De acordo com Marcos Carneiro, a apendicectomia por videolaparoscopia ainda não fazia parte da rotina da Santa Casa de Adamantina. Porém, naquele momento, a unidade contava com os materiais necessários para a realização do procedimento. “Tudo indicava que não era uma apendicite complicada. Com a aparelhagem disponível que a gente tem aqui, nós optamos por tentar fazer por videolaparoscopia”, explicou.
Retirada do apêndice é feita por meio de pequenas incisões no abdômen (Cedida).
O paciente foi encaminhado ao centro cirúrgico e a equipe preparou os equipamentos. Durante o procedimento, os médicos constataram que o apêndice apresentava condições favoráveis para a abordagem por vídeo, sem perfuração ou outras complicações que impedissem a utilização da técnica.
A cirurgia foi concluída com sucesso. “Deu tudo certo, a cirurgia foi um sucesso”, afirmou Marcos Carneiro.
Técnica pode ser utilizada em outros casos
A realização do procedimento amplia as possibilidades de atendimento cirúrgico oferecidas pela Santa Casa de Adamantina. Segundo Marcos Carneiro, a intenção é utilizar a videolaparoscopia sempre que houver indicação médica e condições técnicas para sua realização. “É uma técnica que tem muito benefício e nós vamos tentar, sempre que possível, usar esse recurso, que é melhor para o paciente”, destacou.
O médico ressalta, porém, que a técnica não será indicada automaticamente para todos os casos de apendicite. A escolha do procedimento depende da avaliação individual de cada paciente, levando em consideração as características do quadro clínico, as condições do apêndice e os recursos disponíveis.
Médicos Alisson Rodrigues e Marcos Carneiro atuaram no procedimento (Cedida).
Para Alisson Rodrigues, a experiência demonstrou que a Santa Casa dispõe de estrutura capaz de viabilizar a utilização da videolaparoscopia em situações selecionadas.
Hospital prevê ampliação do uso da tecnologia
O gerente administrativo da Santa Casa de Adamantina, Renato Sobral, destacou que o hospital tem buscado estimular o uso de tecnologias que possam melhorar a assistência aos pacientes.
Segundo ele, além dos benefícios clínicos, procedimentos menos invasivos podem contribuir para reduzir o período de internação e, consequentemente, os custos hospitalares. “O hospital tem estimulado e disponibilizado essas tecnologias, porque traz uma qualidade para o procedimento e um pós-operatório melhor para o paciente. E nossos médicos têm respondido de uma maneira bem proativa para utilizar essas ferramentas e entregar um atendimento melhor para os pacientes que são atendidos na Santa Casa de Adamantina, especialmente aqueles pelo SUS”, disse.
Renato Sobral também ressaltou que a expectativa é ampliar gradualmente a oferta de equipamentos e tecnologias aos profissionais da instituição. “A ideia é que, cada vez mais, a gente vá investindo e disponibilizando esse tipo de ferramenta e equipamento para os médicos, para que a gente consiga cuidar melhor dos nossos pacientes”, afirmou.
Como funciona a videolaparoscopia
Na apendicectomia por videolaparoscopia, a retirada do apêndice é feita por meio de pequenas incisões no abdômen, em vez da abertura maior utilizada na cirurgia convencional.
Após a aplicação da anestesia, são realizadas pequenas incisões para a introdução de uma câmera, chamada laparoscópio, e dos instrumentos cirúrgicos. As imagens captadas pela câmera são transmitidas para um monitor, permitindo que o cirurgião visualize o interior do abdômen e conduza o procedimento.
Depois de localizado, o apêndice é separado dos tecidos e retirado por uma das pequenas incisões. Ao final, os instrumentos são removidos e os cortes são fechados.
Equipamento usado na cirurgia por videolaparoscopia (Cedida).
Por ser uma técnica minimamente invasiva, a videolaparoscopia pode proporcionar menor trauma aos tecidos, menos dor no período pós-operatório, menor risco de infecção da ferida cirúrgica e recuperação mais rápida. Os benefícios, porém, podem variar de acordo com as condições clínicas de cada paciente.
A indicação da técnica cabe à equipe médica, que deve considerar o quadro clínico, a extensão da inflamação, as condições do apêndice e a estrutura disponível para a realização do procedimento.
A primeira apendicectomia por videolaparoscopia realizada na Santa Casa de Adamantina foi concluída com sucesso e representa uma nova possibilidade de abordagem cirúrgica na instituição, especialmente em casos nos quais a técnica seja considerada adequada pela equipe médica.