Junqueirópolis substitui sirenes por sinais musicais para tornar escolas mais inclusivas
Rede municipal implanta sistema para reduzir impactos sensoriais em alunos neurodivergentes.
A rede municipal de ensino de Junqueirópolis iniciou a substituição das tradicionais sirenes escolares por sinais musicais, medida que busca tornar o ambiente educacional mais inclusivo e acolhedor, especialmente para estudantes neurodivergentes. Atualmente, a rede atende 87 crianças atípicas, entre elas alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), público que pode apresentar maior sensibilidade a estímulos sonoros intensos.
A iniciativa atende à Lei Municipal nº 3.702, de 15 de abril de 2024, de autoria da vereadora Teresinha de Lourdes Freitas Regodanso, que determina a substituição gradativa das sirenes e alarmes convencionais por sinaleiros musicais e avisos luminosos nas escolas públicas do município. A legislação estabelece que a troca ocorra à medida que os equipamentos precisem ser substituídos e determina que novas unidades escolares já sejam projetadas com esse sistema.
Na prática, a mudança elimina o som estridente das sirenes, tradicionalmente utilizado para marcar o início e o término das aulas, os intervalos e outras atividades. Em seu lugar, passam a ser utilizados sinais musicais, considerados menos agressivos do ponto de vista sensorial. Os avisos luminosos também ampliam a acessibilidade para estudantes com deficiência auditiva.
Inclusão como princípio
Na justificativa apresentada junto ao projeto de lei, a autora destacou que a proposta busca atender às necessidades específicas de alunos com TEA, que frequentemente apresentam hipersensibilidade auditiva.
Segundo a vereadora, sons intensos e repentinos, como os emitidos pelas sirenes convencionais, podem provocar desconforto, ansiedade e até crises em estudantes autistas, comprometendo seu bem-estar e seu processo de aprendizagem. Já os sinais musicais oferecem uma alternativa mais suave, contribuindo para um ambiente escolar menos estressante e mais acolhedor.
Outro ponto enfatizado é a adoção de avisos luminosos, garantindo que estudantes com deficiência auditiva também recebam os alertas escolares de forma igualitária, fortalecendo a acessibilidade e a inclusão no ambiente educacional.
A própria lei estabelece que a medida tem como finalidade tornar as escolas "mais inclusivas e acolhedoras às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e deficiência auditiva, seja pela hipersensibilidade sensorial ao som ou pela falta de sensibilidade a esse sentido".
Sensibilidade sensorial
A sensibilidade sensorial é uma característica comum entre muitas pessoas neurodivergentes, especialmente aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista. Nesses casos, o cérebro pode processar estímulos do ambiente de maneira diferente, tornando sons, luzes, cheiros, texturas ou movimentos mais intensos do que para a maioria das pessoas.
Entre os estímulos que mais costumam causar desconforto estão ruídos altos e inesperados, como sirenes, alarmes e fogos de artifício. Essas situações podem desencadear sobrecarga sensorial, provocando ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e, em alguns casos, crises comportamentais.
Especialistas apontam que pequenas adaptações no ambiente escolar podem reduzir significativamente esses impactos. A substituição das sirenes por sinais musicais é uma dessas estratégias, permitindo que os estudantes antecipem as mudanças de rotina sem serem expostos a estímulos sonoros bruscos.
Além de beneficiar alunos com TEA, a medida também tende a proporcionar um ambiente mais agradável para toda a comunidade escolar, favorecendo a convivência e reforçando o compromisso da educação pública com práticas inclusivas.
Com a implantação dos sinais musicais, Junqueirópolis passa a colocar em prática uma política pública voltada à acessibilidade e ao respeito às diferentes formas de percepção sensorial, adequando o ambiente escolar às necessidades de seus estudantes e fortalecendo a cultura da inclusão.