Mudanças climáticas levam Energisa a reforçar operação com IA, meteorologia e análise de dados
Eventos extremos impulsionam investimentos em monitoramento, prevenção e resposta rápida.
As mudanças no comportamento do clima e o aumento da frequência de eventos extremos têm transformado a forma como as distribuidoras de energia se preparam para garantir a continuidade do fornecimento. No Grupo Energisa, que atende mais de 20 milhões de pessoas em 939 municípios brasileiros, a operação passou a incorporar de forma mais intensa ferramentas de meteorologia, ciência de dados, inteligência artificial (IA) e protocolos de gestão de riscos para antecipar ocorrências e reduzir os impactos à população.
Segundo a empresa, os efeitos do fenômeno El Niño aceleraram essa evolução operacional, tornando a previsão do tempo uma variável estratégica para o planejamento das concessionárias.
Previsão do tempo orienta atuação da empresa (Da Assessoria/Energisa).
Entre 2023 e 2025, uma parcela significativa das ocorrências registradas nas áreas de concessão da Energisa esteve relacionada a fenômenos climáticos. Desse total, cerca de 60% tiveram como causa a incidência de raios, evidenciando a influência crescente das condições meteorológicas sobre o sistema elétrico.
Planejamento começa antes das tempestades
De acordo com a Energisa, o trabalho de uma distribuidora vai muito além do atendimento às ocorrências em campo. O planejamento envolve monitoramento permanente da rede elétrica, gestão de ativos, inteligência operacional e preparação antecipada das equipes.
Clima passou a ser uma variável crítica para a operação (Siga Mais).
Hoje, as distribuidoras utilizam alertas meteorológicos, históricos de danos, mapas de vegetação e informações sobre áreas suscetíveis a ventos fortes, queimadas e alagamentos para definir ações preventivas, como reforço das equipes, reposicionamento de materiais, priorização de manutenções e comunicação antecipada com clientes e órgãos públicos. "O clima passou a ser uma variável crítica para a operação do sistema elétrico. Hoje, as distribuidoras precisam antecipar cenários, monitorar riscos e responder rapidamente a eventos que podem afetar milhares de clientes em poucos minutos", afirma Gioreli de Sousa Filho, vice-presidente de Redes do Grupo Energisa.
Estratégias variam conforme a região
A companhia destaca que cada região do país exige estratégias específicas de prevenção.
Cada região exige uma estratégica de prevenção (Siga Mais).
Além das chuvas e ventos, queimadas também afetam o sistema (Da Assessoria/Energisa).
No Centro-Oeste, o foco está na estiagem e nas queimadas. Já no litoral do Nordeste, as ações priorizam os efeitos da maresia e das altas temperaturas. Na região Norte, a preocupação envolve secas severas, redução do nível dos rios e maior risco de incêndios florestais. Enquanto isso, no Sul e em parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde tempestades e descargas atmosféricas são mais frequentes, a prioridade é reduzir o tempo de interrupção do fornecimento de energia.
Mais de 100 ações preventivas
As medidas são coordenadas por um Comitê Interfuncional que reúne áreas como Operação, Manutenção, Logística, Suprimentos e Comunicação. O grupo mantém um Plano de Contingência Operacional, com simulações periódicas para testar a capacidade de resposta das equipes.
Os Centros de Operação Integrada (COI), instalados em todas as distribuidoras do grupo, acompanham em tempo real informações meteorológicas e operacionais para identificar vulnerabilidades e mobilizar recursos antes mesmo da chegada de tempestades ou frentes frias.
COI em Presidente Prudente (Da Assessoria/Energisa).
Nos períodos influenciados pelo El Niño, o plano estratégico é reforçado com mais de 100 ações preventivas, incluindo antecipação de manutenções, substituição de equipamentos, reforço de estoques, redistribuição de cargas na rede elétrica e ampliação da comunicação com o poder público. "O desafio não é apenas restabelecer o fornecimento depois de um evento climático. É chegar antes, com equipes, protocolos e informações preparados para reduzir o impacto sobre a população. Quanto maior a capacidade de antecipação, mais eficiente é a resposta", destaca Gioreli.
Tecnologia também ajuda durante ondas de calor
A Energisa explica que o uso de inteligência artificial e análise de dados também é fundamental em períodos de calor intenso, quando o consumo de energia cresce significativamente e exige monitoramento permanente da rede, principalmente nos grandes centros urbanos.
Equipe externa em operação na região (Da Assessoria/Energisa).
Segundo a empresa, a confiabilidade do sistema elétrico depende hoje não apenas da infraestrutura física, mas também da capacidade de interpretar informações, prever riscos e mobilizar recursos de forma rápida e coordenada. "Mais do que distribuir eletricidade, nosso desafio é combinar tecnologia, proximidade e transparência para garantir um sistema resiliente em um ambiente onde o clima se tornou central para a operação", conclui o vice-presidente de Redes do Grupo Energisa.
Com atuação no setor elétrico desde 1905, o Grupo Energisa opera atualmente nove distribuidoras de energia, 13 concessões de transmissão, empreendimentos de geração fotovoltaica, comercialização de energia, distribuição de gás natural e produção de biossoluções, atendendo consumidores em todas as regiões do país.