Estudantes protestam contra declarações de professora de Etec de Osvaldo Cruz; MPSP é acionado
Manifestação cobra providências após vídeo com falas contra pessoas LGBT.
Estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Amim Jundi, em Osvaldo Cruz, organizaram uma manifestação no final da manhã desta quarta-feira (28), em frente à instituição de ensino, para protestar contra declarações de uma professora publicadas em um vídeo nas redes sociais. O conteúdo gerou repercussão após a divulgação dos resultados do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Os estudantes questionam as falas da educadora, que declarou ser contrária ao movimento feminista e às pessoas LGBT, além de manifestar posições políticas contrárias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a pautas associadas à esquerda.
Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).
O protesto também teve como reivindicação a saída da professora da unidade de ensino. O caso chegou ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que confirmou ter recebido representações e informou que elas estão em análise. Já o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela administração das Etecs, anunciou a abertura de uma apuração preliminar para esclarecer os fatos.
Estudantes cobram providênciasUma das lideranças da manifestação, Rhuan Dezani, explicou ao Siga Mais que o ato foi organizado para combater a discriminação e defender os direitos das pessoas LGBT, além de reivindicar providências em relação à permanência da professora na escola. “Foi um ato para dar voz a quem enfrenta a discriminação, combater a LGBTfobia e reforçar que todas as pessoas merecem viver com dignidade, segurança e sem medo de serem quem são. E principalmente pedir a saída da professora. Não aceitamos ter aula com uma pessoa dessa”, afirmou.
Rhuan Dezani, uma das lideranças do ato público (Cedida).
A mobilização ocorreu diante da repercussão das declarações da educadora, que foram interpretadas pelos estudantes como manifestações discriminatórias contra pessoas LGBT.
O que a professora disse
No vídeo divulgado nas redes sociais, a professora afirma ser contrária a diferentes movimentos e pautas políticas e sociais. Entre as declarações, ela diz ser “antifeminista”, “anti-LGBT”, “anti-Lula”, “anticomunismo” e “antissocialista”.
Ao explicar seu posicionamento sobre a presença de questões relacionadas à diversidade sexual e de gênero no ambiente escolar, a educadora declarou: “Você quer ser lésbica, gay, afim, seja lá o que for. Vá fazer isso você e sua vida, não ficar colocando isso dentro das escolas como se isso fosse uma ordem nos livros didáticos.”
Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).
Em outro trecho, ela afirma que respeita as pessoas e suas escolhas, mas se posiciona contra o que considera uma imposição de determinadas pautas. “É sobre isso, não é sobre as pessoas serem o que elas querem ser, porque eu tenho respeito pelo ser humano e suas escolhas. Mas enfiar goela abaixo, não. E vai continuar assim”, declarou.
Ao final, a professora reafirma sua oposição ao que considera estar fora de padrões estabelecidos e diz: “Escola é lugar de ensino, ensino”.
Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).
O vídeo original foi posteriormente removido pela autora. Entretanto, capturas de tela e gravações do conteúdo continuaram circulando nas redes sociais, ampliando a repercussão do caso.
Centro Paula Souza abre apuração preliminarProcurado pelo Siga Mais, o Centro Paula Souza, autarquia estadual responsável pela administração da Etec Amim Jundi, informou que repudia manifestações discriminatórias e reafirmou seu compromisso com a diversidade no ambiente educacional.
Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).
Em nota, a instituição declarou:
“O Centro Paula Souza (CPS) repudia veementemente toda e qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e com a promoção de um ambiente educacional inclusivo e acolhedor. A instituição instaurou uma apuração preliminar para esclarecer os fatos e, caso sejam identificadas condutas contrárias às normas institucionais, serão adotadas as medidas cabíveis”.
A manifestação oficial confirma que o caso está sendo apurado administrativamente. O Centro Paula Souza, entretanto, não informou quais medidas poderão ser adotadas, uma vez que a investigação ainda depende do esclarecimento dos fatos.
Ministério Público recebeu representações
O Ministério Público do Estado de São Paulo também foi procurado pela reportagem e confirmou que recebeu representações relacionadas ao caso.
Em nota encaminhada ao Siga Mais, o órgão informou: “O MPSP informa ter recebido representações sobre o caso, as quais estão em análise e terão os encaminhamentos legais