Cidades

Estudantes protestam contra declarações de professora de Etec de Osvaldo Cruz; MPSP é acionado

Manifestação cobra providências após vídeo com falas contra pessoas LGBT.

Por: Da Redação atualizado: 18:56
Grupo protesta em frente a Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida). Grupo protesta em frente a Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).

Estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Amim Jundi, em Osvaldo Cruz, organizaram uma manifestação no final da manhã desta quarta-feira (28), em frente à instituição de ensino, para protestar contra declarações de uma professora publicadas em um vídeo nas redes sociais. O conteúdo gerou repercussão após a divulgação dos resultados do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Os estudantes questionam as falas da educadora, que declarou ser contrária ao movimento feminista e às pessoas LGBT, além de manifestar posições políticas contrárias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a pautas associadas à esquerda.

Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).

O protesto também teve como reivindicação a saída da professora da unidade de ensino. O caso chegou ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que confirmou ter recebido representações e informou que elas estão em análise. Já o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela administração das Etecs, anunciou a abertura de uma apuração preliminar para esclarecer os fatos.

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Estudantes cobram providências

Uma das lideranças da manifestação, Rhuan Dezani, explicou ao Siga Mais que o ato foi organizado para combater a discriminação e defender os direitos das pessoas LGBT, além de reivindicar providências em relação à permanência da professora na escola. “Foi um ato para dar voz a quem enfrenta a discriminação, combater a LGBTfobia e reforçar que todas as pessoas merecem viver com dignidade, segurança e sem medo de serem quem são. E principalmente pedir a saída da professora. Não aceitamos ter aula com uma pessoa dessa”, afirmou.

Rhuan Dezani, uma das lideranças do ato público (Cedida).

A mobilização ocorreu diante da repercussão das declarações da educadora, que foram interpretadas pelos estudantes como manifestações discriminatórias contra pessoas LGBT.

O que a professora disse

No vídeo divulgado nas redes sociais, a professora afirma ser contrária a diferentes movimentos e pautas políticas e sociais. Entre as declarações, ela diz ser “antifeminista”, “anti-LGBT”, “anti-Lula”, “anticomunismo” e “antissocialista”.

Ao explicar seu posicionamento sobre a presença de questões relacionadas à diversidade sexual e de gênero no ambiente escolar, a educadora declarou: “Você quer ser lésbica, gay, afim, seja lá o que for. Vá fazer isso você e sua vida, não ficar colocando isso dentro das escolas como se isso fosse uma ordem nos livros didáticos.”

Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).

Em outro trecho, ela afirma que respeita as pessoas e suas escolhas, mas se posiciona contra o que considera uma imposição de determinadas pautas. “É sobre isso, não é sobre as pessoas serem o que elas querem ser, porque eu tenho respeito pelo ser humano e suas escolhas. Mas enfiar goela abaixo, não. E vai continuar assim”, declarou.

Ao final, a professora reafirma sua oposição ao que considera estar fora de padrões estabelecidos e diz: “Escola é lugar de ensino, ensino”.

Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).

O vídeo original foi posteriormente removido pela autora. Entretanto, capturas de tela e gravações do conteúdo continuaram circulando nas redes sociais, ampliando a repercussão do caso.

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Centro Paula Souza abre apuração preliminar

Procurado pelo Siga Mais, o Centro Paula Souza, autarquia estadual responsável pela administração da Etec Amim Jundi, informou que repudia manifestações discriminatórias e reafirmou seu compromisso com a diversidade no ambiente educacional.

Manifestação em frente à Etec Amim Jundi em Osvaldo Cruz (Cedida).

Em nota, a instituição declarou:

“O Centro Paula Souza (CPS) repudia veementemente toda e qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e com a promoção de um ambiente educacional inclusivo e acolhedor. A instituição instaurou uma apuração preliminar para esclarecer os fatos e, caso sejam identificadas condutas contrárias às normas institucionais, serão adotadas as medidas cabíveis”.

A manifestação oficial confirma que o caso está sendo apurado administrativamente. O Centro Paula Souza, entretanto, não informou quais medidas poderão ser adotadas, uma vez que a investigação ainda depende do esclarecimento dos fatos.

Ministério Público recebeu representações

O Ministério Público do Estado de São Paulo também foi procurado pela reportagem e confirmou que recebeu representações relacionadas ao caso.

Em nota encaminhada ao Siga Mais, o órgão informou: “O MPSP informa ter recebido representações sobre o caso, as quais estão em análise e terão os encaminhamentos legais

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