Saúde

Levantamento busca identificar população de gatos em situação de rua em Adamantina

Mapeamento já identificou 265 felinos em 27 colônias

Por: João Vinícius Faustino/Siga Mais atualizado: 17:51
Foto: Joao Vinicius Faustino/Siga Mais Foto: Joao Vinicius Faustino/Siga Mais

As iniciativas voltadas à proteção e ao cuidado dos animais em situação de rua vêm crescendo em Adamantina. Ao mesmo tempo, o abandono de cães e gatos e os registros de maus-tratos continuam representando desafios para voluntários, protetores independentes e entidades que atuam na causa animal.

Entre as dificuldades enfrentadas por esse grupo está a falta de um levantamento que permita conhecer, mesmo que aproximadamente, a quantidade de animais nas ruas e identificar os locais onde estão concentrados. A ausência dessas informações também dificulta o planejamento de ações mais efetivas.

Com esse objetivo, o médico veterinário Felipe Pinto Soares iniciou, na última semana, o Mapeamento Felino, um levantamento colaborativo que pretende identificar os gatos que vivem em situação de rua em Adamantina.

Nos primeiros dias de trabalho, já foram identificadas 27 colônias, que reúnem aproximadamente 265 gatos. O levantamento, no entanto, está apenas no começo. A estimativa inicial é de que o município tenha cerca de 6 mil felinos, considerando uma proporção populacional baseada em pesquisas nacionais. O número é uma referência, e não um dado oficial.

 Mapeamento poderá orientar políticas públicas (Foto: João Vinícius Faustino/Siga Mais).

Como funciona o mapeamento

A proposta é reunir informações fornecidas pelos próprios moradores, especialmente por pessoas que conhecem locais onde grupos de gatos vivem e recebem alimentação.

Para participar, basta preencher um formulário disponibilizado pelo veterinário e divulgado nas redes sociais, com informações como endereço, quantidade aproximada de animais, presença de filhotes, registros de nascimentos nos últimos seis meses e número de gatos castrados. Também é possível enviar fotografias para ajudar na identificação.

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Os dados são organizados por bairros e inseridos em um mapa digital, permitindo visualizar a localização das colônias e acompanhar informações sobre cada grupo.

Segundo Soares, a iniciativa surgiu da necessidade de conhecer a dimensão da população felina em situação de rua. “A gente não sabe quantos animais de rua tem em Adamantina, não temos um censo. Como a nossa ONG cuida principalmente da questão dos felinos, pensei em tentar unir a população para conseguir mapear esses gatos”, explica.

 

Castração planejada e controle das colônias

O mapeamento também pretende contribuir diretamente com o trabalho realizado por meio do Castramóvel, serviço disponibilizado pela Prefeitura de Adamantina. A identificação das colônias permite planejar a captura dos animais e organizar a castração de todos os gatos de uma mesma região.

Conforme explica o veterinário, uma colônia é formada por um grupo de gatos que vive em determinado local, geralmente onde recebe alimentação de moradores. O chamado fechamento da colônia ocorre quando todos os animais são castrados, interrompendo a reprodução naquele grupo.

“A gente sabendo onde estão as colônias de Adamantina consegue organizar as capturas dos animais e tentar fechar essas colônias”, afirma Soares.

A estratégia, segundo ele, é mais eficiente do que realizar castrações isoladas e sem planejamento, já que fêmeas não identificadas ou que permanecem sem castração podem continuar se reproduzindo e manter o crescimento da população.

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Soares cita como exemplo a capacidade de atendimento do serviço municipal. Atualmente, segundo ele, são 84 castrações disponibilizadas pelo Castramóvel. Em uma colônia com 300 animais, por exemplo, a realização de 50 procedimentos exigiria aproximadamente seis meses de trabalho, período em que os gatos ainda poderiam se reproduzir. “Nesse período, os gatos poderiam ter até duas crias”, alerta.

Por isso, o veterinário defende que os procedimentos sejam planejados por colônias, evitando que animais não castrados continuem se reproduzindo nos locais onde já houve intervenções.

 

Integração entre poder público e sociedade

Além de contribuir com o controle populacional, o levantamento poderá fornecer dados para fundamentar a cobrança e o planejamento de políticas públicas voltadas à causa animal.

Para Soares, um dos principais obstáculos enfrentados atualmente é a falta de integração entre os diferentes grupos que atuam na proteção dos animais. “Eu acho que o maior desafio para enfrentar a questão dos gatos de rua é a descentralização. Acredito que, se todo mundo trabalhar junto, conseguimos unir nossas forças e fazer o melhor pelos animais”, avalia.

Ele defende a criação de um Conselho Municipal de Proteção Animal. “Gostaria muito que a cidade tivesse um Conselho para que a gente pudesse sentar com ONGs, veterinários, representantes da população e do poder público e discutir o que pode ser feito pelos animais de rua”, propõe.

Na avaliação do veterinário, o levantamento também poderá apresentar à Prefeitura um diagnóstico mais concreto da situação, contribuindo para fundamentar a cobrança por medidas e o planejamento de políticas públicas de acordo com as necessidades identificadas.

Como participar

A colaboração dos moradores é fundamental para ampliar o alcance do Mapeamento Felino. Quem conhece locais com grupos de gatos em situação de rua pode contribuir preenchendo o formulário disponibilizado pelo veterinário.

O levantamento está aberto à participação popular e pode ser acessado clicando aqui.

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