Mulheres expostas no Telegram: Polícia Civil identifica suspeitos e analisa dados de celular
Inquérito policial tramita pela Delegacia da Polícia Civil em Flórida Paulista.
A Polícia Civil avançou nas investigações sobre um grupo criado no aplicativo Telegram que reunia cerca de 900 participantes e que teria sido utilizado para a divulgação de imagens de mulheres sem autorização. O caso, mostrado pelo Siga Mais em março deste ano, resultou na identificação do administrador do grupo e de outros envolvidos.
Segundo verificou o Siga Mais nesta quinta-feira (11), três suspeitos já foram identificados no decorrer das apurações. O procedimento teve início na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Adamantina e o inquérito policial tramita na Delegacia de Polícia de Flórida Paulista, onde está centralizada a investigação.
As investigações também avançaram na coleta de depoimentos das vítimas. Das 45 mulheres identificadas no caso, 42 já prestaram esclarecimentos à polícia. Nesta quinta-feira foi acrescida mais uma vítima, entre aquelas que foram expostas no grupo aberto no aplicativo.
Conforme o delegado Hilton Testi Renz, a investigação policial está analisando os dados extraídos do celular apreendido e aguarda a perícia em um computador apreendido, realizada por peritos da Polícia Científica.
De acordo com a Polícia Civil, as plataformas Instagram e Telegram já encaminharam parte dos dados solicitados para auxiliar na apuração dos fatos. O trabalho investigativo prossegue e deverá reunir novos elementos antes da conclusão do inquérito.
Conforme informações obtidas no início das investigações, fotografias de moradoras da região, originalmente publicadas em perfis públicos de redes sociais, teriam sido reproduzidas no grupo sem o consentimento das vítimas. Em alguns casos, as imagens teriam sido manipuladas digitalmente, possivelmente por meio de ferramentas de inteligência artificial, para inserir os rostos das mulheres em corpos nus ou em situações de conteúdo sexual.
Além da exposição indevida das imagens, os investigadores apuram a publicação de comentários considerados ofensivos e degradantes. As mensagens continham expressões depreciativas, insultos e conteúdo direcionado às mulheres retratadas, ampliando os impactos da exposição sofrida pelas vítimas.
A identidade dos investigados não foi divulgada pelas autoridades. O caso segue sob investigação e a Polícia Civil busca esclarecer integralmente as circunstâncias dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos.