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Doação de órgãos: inciativas que salvam vidas

18:37 atualizado: 17/07/2018 17:53

Experiências mostram que vale a pena estimular a doação de órgãos para salvar vidas.

Por: Da Redação

http://www.sigamais.com/noticias/saude/doacao-de-orgaos-inciativas-que-salvam-vidas/ Doação de órgãos: inciativas que salvam vidas
Os pacientes que estão à espera de um órgão são registrados em uma lista de espera da Central de Transplantes. Quando surge um doador, esse sistema cruza as informações e indica quem são os possíveis receptores (Foto: ANPr). Os pacientes que estão à espera de um órgão são registrados em uma lista de espera da Central de Transplantes. Quando surge um doador, esse sistema cruza as informações e indica quem são os possíveis receptores (Foto: ANPr).

A doação de órgãos tem deixado de ser um tema pesado entre as famílias e a sociedade, e passa a ocupar um espaço positivo e de valorização à iniciativa, que permite salvar vidas de quem precisa de um transplante.
A sensibilização se torna ainda maior quando há proximidade dos casos de transplante na própria comunidade e no círculo de relacionamento. É o momento em que as pessoas se deparam diretamente com situações que estimulam o diálogo e a reflexão sobre o tema.
A professora Marlene Ribeiro Esteves, diretora regional do Centro do Professorado Paulista (CPP) em Adamantina, protagonizou uma experiência tomada por fortes emoções, com a morte do marido, o também professor Antônio Carlos Peres Esteves (60), decorrente de complicações durante uma cirurgia para substituição de válvula aórtica, realizada em Marília.
Sem progresso na sua recuperação, veio a morte encefálica, acompanhada de uma decisão nobre de Marlene e a filha do casal, a enfermeira Nájila Esteves. Juntas, autorizaram a captação de órgãos, que foi feita dia 29 de junho, e que permitiu atender quatro pessoas: foram captados e transplantados já no dia 30 de junho os dois rins e as duas córneas.
Pelas redes sociais, a professora Marlene expôs sobre a doação dos órgãos e fez seus agradecimentos. “Isso tudo são formas de escoras para nos mantermos em pé, mesmo que os nossos corações sangrem”, escreveu. “Um grande homem se foi, mas deixou o seu legado. A sua família e mais quatro pessoas que permanecerão vivas e felizes, através dos seus órgãos doados”, completou.

Doações de órgãos na região de Presidente Prudente

Segundo recente reportagem exibida pela TV Fronteira (Globo/Presidente Prudente), houve um incremento positivo no número de doações e redução das negativas, entre os pacientes e familiares atendidos no Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente.
A reportagem ouviu o médico Renato Ferrari, que coordena a comissão de transplantes no HR. Ele explicou que no Hospital há uma equipe especializada que aborda a família do paciente quando visualiza a possibilidade de doação de órgãos. “Caso a família aceite, é feito todo o procedimento necessário à captação”, explicou.
Segundo o médico, os órgãos captados são direcionados ao atendimento a pessoas que estão na fila única da Central de Transplantes, e podem ser destinados a qualquer local do país.
De acordo com a reportagem exibida pela TV Fronteira, no período de janeiro a junho de 2018 foram consolidadas 13 doações de órgãos, captados no HR, enquanto no mesmo período do ano passado foram 9 doações. Outro termômetro é a queda no nas negativas, quando os familiares são abordados pela equipe. Segundo a reportagem, em 2018 foram quatro negativas, entre os meses de janeiro a junho, enquanto no mesmo período do ano passado foram seis.
Além dessa abordagem pela equipe multiprofissional, junto à família, no Hospital, o médico destaca que é importante o doador manifestar esse interesse em vida, sobretudo junto aos seus familiares.

Central reguladora

No Estado de São Paulo, existe um órgão responsável por administrar e regular todos os procedimentos de doação e transplantes. Segundo o Portal do Governo de SP, desde 1997, a Central de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, torna a distribuição de órgãos captados mais justa e transparente. Assim, são estabelecidos critérios de tempo de espera dos pacientes inscritos, compatibilidade e gravidade.
De lá para cá, a Central registrou um saldo de 101,3 mil doadores paulistas e mais de 117 mil transplantes realizados. Houve um crescimento de 916% no número de doadores-cadáveres (aqueles que tiveram morte cerebral), chegando a marca histórica de 844 só em 2017.
Essas conquistas são graças a um trabalho integrado entre diversas equipes espalhadas pelo Estado que realizam a captação de órgãos, transplantes e acompanhamento constante do paciente. Por conta desse volume, a Central possui uma estrutura bastante robusta.
A partir de convênios com instituições públicas e privadas, a entidade conta com transportes aéreo e terrestre responsáveis por distribuir regionalmente os órgãos pelo Estado (com exceção de coração e pulmão). No total, são 365 equipes transplantadoras e 264 hospitais transplantadores.
“Precisamos de um mecanismo rápido que notifique doadores e prepare o paciente para o transplante”, explica Marizete Medeiros, coordenadora da Central de Transplantes, que funciona 24h por dia.

Passo a passo

Segundo o Portal do Governo de SP, as unidades hospitalares que possuem UTI e pronto-socorro devem ter uma comissão instrahospitalar de transplante, liderado por um médico, que identificam pacientes com trauma craniano ou AVC. Com isso, ele precisa notificar a Central para certificar a possibilidade da existência de um doador. Após a confirmação de morte encefálica, é necessário que a família autorize a doação.
Paralelo a isso, os pacientes que estão à espera de um órgão são registrados em uma lista de espera da Central. Quando surge um doador, esse sistema cruza as informações e indica quem são os possíveis receptores. Critérios como tipo sanguíneo, gravidade do paciente e tempo de espera são essenciais para fazer a distribuição deste órgão.
“Ainda mandamos para um laboratório que pegam amostras das duas pessoas e fazem a prova definitiva. Após esses procedimentos, o transplante pode ser realizado”, comenta Marizete. É com base nessas estratégias que, hoje, São Paulo realiza metade dos transplantes do país e é referência internacional em diversas modalidades do procedimento.

São Paulo na ponta

O Estado de São Paulo não está na ponta dos transplantes nacionais apenas pelo seu número de habitantes. Atualmente, os paulistas recebem pacientes de todos os cantos do Brasil, que são registrados na lista de espera paulista, para realizar o procedimento.
É o que acontece com os transplantes de pulmão, que coloca o Estado na vanguarda comparado com vários países. Segundo o Portal do Governo de SP, o Instituto do Coração (Incor), vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é um dos únicos capacitados para tal prática.
Trata-se de uma logística bastante complexa comparada com os demais órgãos, pois as chances de danos são maiores e exigem uma avaliação mais profunda. Por esse motivo, o médico Paulo Pêgo Fernandes, diretor da Divisão de Cirurgia Torácica da entidade, explica que a grande dificuldade está em manter uma equipe motivada para realizar o trabalho.
“É uma cirurgia mais longa. Na maioria das vezes, são quatro em uma, pois temos que tirar os dois pulmões e colocar os dois doados. Por isso, é necessária uma estrutura hospitalar grande, com acompanhamento multidisciplinar. Isso não é fácil de encontrar”, afirma.
No ano passado, a equipe de Fernandes realizou mais de 50 transplantes. “É um desafio que buscamos há décadas e que hoje nós podemos oferecer. Com esse serviço diferenciado, é a nossa obrigação atender a população”, completa.

Diga ‘Sim’ para doação

No Brasil, é a família quem autoriza as doações. Por isso, é importante esclarecer a todos os membros desde já a vontade de doar os órgãos. Este é, sem dúvida, o maior desafio não só da Central de Transplantes, como de todo o país.
Para muitas famílias, é difícil compreender a morte cerebral. No entanto, a falência do cérebro invalida qualquer chance de vida do paciente, por mais que o coração ainda esteja bombeando sangue para o corpo. “Existe uma lenda em cima de ‘desligar os aparelhos’. Se existe essa possibilidade, é porque não tem mais prognósticos”, reitera Mirella.

 
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