Mariápolis

Em Mariápolis, programa de encoleiramento em cães reduz positividade de leishmaniose na cidade

Programa entra no segundo ano, executado pelo Setor de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde.

Por: Da Redação atualizado: 5 de maro de 2024 | 11h53
Coleta de amostra biol?gica do animal para exames de leishmaniose (Divulga??o/PM Mari?polis). Coleta de amostra biol?gica do animal para exames de leishmaniose (Divulga??o/PM Mari?polis).

Um programa realizado pelo Setor de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Mariápolis, que prevê a instalação de coleiras repelentes na população canina da cidade, comemora seu sucesso com indicadores de redução da positividade de leishmaniose. A iniciativa ocorre em razão da participação do município em um programa do Ministério da Saúde, como mostrou o SIGA MAIS em agosto de 2022.

Desde então, a ação continuada – que prevê o monitoramento dos animais, realização de coletas de sangue para exames e substituição periódica das coleiras – tem possibilitado um cenário positivo de controle da doença, que afeta animais e humanos, reduzindo o risco de transmissão a outros animais e humanos.  A cada seis meses as coleiras são substituídas.

Reposição de coleira em cão de morador da cidade (Divulgação/PM Mariápolis).

Conforme o Ministério da Saúde as coleiras são impregnadas com inseticida para controlar a disseminação da leishmaniose visceral (LV) e são utilizadas em cães no Brasil desde 2007 como ferramenta individual de controle da leishmaniose visceral. Em contato com a pele, promove uma lenta liberação do princípio ativo (deltametrina 4%) repelindo a aproximação do vetor de transmissão da doença. Esta ação interrompe o ciclo de transmissão do parasita, e consequentemente o risco de infectar outro animal ou ser humano. 

Segundo o Setor de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Mariápolis, o programa está entrando no segundo ano, ou seja, quarto ciclo. Neste mês de fevereiro as coleiras começaram a ser trocadas novamente em todos os cães que tiverem idade maior de quatro meses de idade.

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Nesta etapa estão sendo realizados exames para leishmaniose visceral canina somente nos cães sintomáticos. Já no próximo ciclo, daqui seis meses, serão coletados exames de todos os cães, juntamente com as trocas das coleiras.

A avaliação, até aqui, é positiva. “Desde do início da execução do projeto até o último inquérito houve uma queda na positividade dos cães, resultado esperado pelo Ministério da Saúde, já que as coleiras é uma importante ferramenta para o controle da leishmaniose canina”, informou o órgão municipal.

Ao centro a médica veterinária Luciana Teramossi (Divulgação/PM Mariápolis).

O Setor de Zoonoses pede aos tutores a colaboração para que os cães permaneçam com as coleiras. O trabalho a campo realizado pela equipe do Setor de Zoonoses tem a coordenação da médica veterinária Luciana Teramossi Rodrigues Rocha.

A secretária municipal de saúde, Regiane Penha, reitera os objetivos da iniciática e a condição diferenciada do município em participar do programa do Ministério da Saúde. “Essa ação preventiva é de suma importância e coloca Mariápolis em uma condição diferenciada na região, na prevenção à leishmaniose”, afirmou a gestora.

Zoonoses tem viatura para captura e transporte de cães (Divulgação/PM Mariápolis).

A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa, não contagiosa, transmitida pela picada de insetos como “mosquito-palha” ou “birigui”. O inseto pica um cão infectado e, em seguida, uma pessoa saudável. A leishmaniose visceral é uma doença grave tanto para os seres humanos quanto para os cães e, se não tratada, pode levar ao óbito.

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Estudo mapeou que coleira reduz incidência da doença em cães

Conforme a Nota Técnica Nº 5/2021-CGZV/DEIDT/SVS/MS, da Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial do Ministério da Saúde, o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVC-LV) é responsável pela elaboração das diretrizes nacionais para o enfrentamento da doença.

A Nota Técnica menciona uma pesquisa realizada em 2010 e financiada pelo Ministério da Saúde para avaliar a efetividade das coleiras impregnadas com inseticida (deltametrina a 4%). A pesquisa ocorreu em 14 municípios distribuídos em quatro regiões do território, com mais de 300 mil animais encoleirados durante o período de 2012 a 2015. “O resultado do estudo demonstrou que, associada às demais ações de controle recomendadas pelo programa, o uso da coleira foi responsável pela redução de 50% da prevalência da doença em cães nas áreas de intervenção quando comparadas às áreas controle”, afirma o documento.

Trabalho das equipes em Mariápolis (Divulgação/PM Mariápolis).

Com esses resultados, a utilização de coleiras impregnadas com inseticida na população canina foi incorporada pelo órgão de saúde às demais ações para controle da doença. 

Saiba mais sobre a doença

Considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das seis doenças infecto-parasitárias mais perigosas do mundo, a leishmaniose está presente em 12 países da América Latina, sendo que 90% dos casos ocorrem no Brasil, a maioria nos estados do Nordeste.

A doença pode se manifestar tanto em animais quanto em humanos, porém ela não é transmitida diretamente de animais para pessoas. Essa transmissão ocorre quando a fêmea do inseto flebótomo, conhecido por “mosquito palha” ou “birigui”, pica um ser humano depois de ter picado um animal infectado.

Entre os principais sintomas da leishmaniose em cães estão: a perda de peso, a falta de apetite, apatia, feridas que não cicatrizam e a falta de pelos em torno dos olhos.

Nos seres humanos, os sintomas são: febre irregular, anemia, fraqueza, inchaço do abdômen, aumento do fígado e do baço.

(Divulgação).

O tratamento da leishmaniose em pessoas deve ser feito em ambiente hospitalar e os casos suspeitos devem ser notificados aos órgãos de saúde pública.

Para a prevenção e controle da doença a orientação das autoridades de saúde é para que as pessoas mantenham os quintais limpos, sem a presença de matéria orgânica. A decomposição desses materiais cria um habitat propício para a proliferação do mosquito transmissor.

Para isso é preciso fazer a limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem); dar destino adequado ao lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas do mosquito; e promover a limpeza dos abrigos de animais domésticos.

Para saber mais sobre a doença procure as unidades básicas de saúde de Mariápolis ou acesse aqui.

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