Mariápolis

Mariápolis integra programa do Ministério da Saúde que encoleira cães para controle da leishmaniose

Programa contempla 400 cães, que vão receber coleiras repelentes pelos próximos quatro anos.

Por: Da Redação atualizado: 5 de agosto de 2022 | 10h27
A secretária municipal de saúde Regiane Penha, o prefeito Ricardo Watanabe, a veterinária Luciana Teramossi, os profissionais mobilizados para a aplicação das coleiras e um morador da cidade (Divulgação). A secretária municipal de saúde Regiane Penha, o prefeito Ricardo Watanabe, a veterinária Luciana Teramossi, os profissionais mobilizados para a aplicação das coleiras e um morador da cidade (Divulgação).

A equipe do Setor de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Mariápolis iniciou nesta terça-feira (2) a instalação de coleiras repelentes na população canina da cidade, dentro de um programa do Ministério da Saúde para controle da leishmaniose visceral, doença que atinge os animais e humanos.

O programa acontece em diferentes regiões do país, entre os municípios prioritários, conforme critérios de elegibilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Na atual etapa, Mariápolis e Bauru receberam as coleiras repelentes para atendimento às populações caninas locais.

Autoridades municipais e equipe de zoonoses com morador e animal encoleirado (Divulgação).

Em Mariápolis, segundo a secretária municipal de saúde, Regiane Penha, serão 400 animais atendidos, na área urbana do município. A implantação das coleiras foi iniciada e serão substituídas nos animais a cada seis meses, pelo período de quatro anos.

A gestora municipal destaca que a iniciativa, no campo das zoonoses, é parte das ações em saúde pública que de forma integrada atuam na promoção da saúde na comunidade, o que envolve seres humanos e os animais. “Essa ação preventiva é de suma importância e coloca Mariápolis em uma condição diferenciada na região, na prevenção à leishmaniose”, afirmou Regiane.

Instalação das coleiras e coletas de sangue para exames

O trabalho a campo, com visitas domiciliares para a implantação das colheitas, é realizado pela equipe do Setor de Zoonoses, com a coordenação da médica veterinária Luciana Teramossi Rodrigues Rocha. A profissional explicou ao SIGA MAIS que Mariápolis foi incluído como município prioritário, apresentou o projeto e foi contemplado com o programa.

Para a instalação das coleiras repelentes nos cães, a equipe está visitando as residências dos moradores, na área urbana da cidade. As coleiras aplicadas serão substituídas a cada seis meses, quando os agentes da Zoonoses retornarão aos mesmos endereços para fazer os novos procedimentos.

A veterinária Luciana Teramossi e os agentes da zoonoses municipal (Divulgação).

Além da aplicação das coleiras, as equipes a campo estão coletando amostra de sangue dos cães para a realização de exames, visando mapear a incidência da doença na população canina da cidade. Esse mapeamento permitirá extrair o inquérito canino local atualizado, ferramenta estratégica para as ações de manejo e controle da doença.

Cada coleira recebida pelo município, enviada pelo Ministério da Saúde, tem o preço médio, no mercado, de R$ 90.

A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa, não contagiosa, transmitida pela picada de insetos como “mosquito-palha” ou “birigui”. O inseto pica um cão infectado e, em seguida, uma pessoa saudável. A leishmaniose visceral é uma doença grave tanto para os seres humanos quanto para os cães e, se não tratada, pode levar ao óbito. Há mais de dois anos não há casos em humanos, em Mariápolis.

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Estudo mapeou que coleira reduz incidência da doença em cães

Conforme a Nota Técnica Nº 5/2021-CGZV/DEIDT/SVS/MS, da Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial do Ministério da Saúde, o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVC-LV) é responsável pela elaboração das diretrizes nacionais para o enfrentamento da doença.

A Nota Técnica menciona uma pesquisa realizada em 2010 e financiada pelo Ministério da Saúde para avaliar a efetividade das coleiras impregnadas com inseticida (deltametrina a 4%). A pesquisa ocorreu em 14 municípios distribuídos em quatro regiões do território, com mais de 300 mil animais encoleirados durante o período de 2012 a 2015. “O resultado do estudo demonstrou que, associada às demais ações de controle recomendadas pelo programa, o uso da coleira foi responsável pela redução de 50% da prevalência da doença em cães nas áreas de intervenção quando comparadas às áreas controle”, afirma o documento.

Com esses resultados, a utilização de coleiras impregnadas com inseticida na população canina foi incorporada pelo órgão de saúde às demais ações para controle da doença.

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Saiba mais sobre a doença

Considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das seis doenças infecto-parasitárias mais perigosas do mundo, a leishmaniose está presente em 12 países da América Latina, sendo que 90% dos casos ocorrem no Brasil, a maioria nos estados do Nordeste.

A doença pode se manifestar tanto em animais quanto em humanos, porém ela não é transmitida diretamente de animais para pessoas. Essa transmissão ocorre quando a fêmea do inseto flebótomo, conhecido por “mosquito palha” ou “birigui”, pica um ser humano depois de ter picado um animal infectado.

Entre os principais sintomas da leishmaniose em cães estão: a perda de peso, a falta de apetite, apatia, feridas que não cicatrizam e a falta de pelos em torno dos olhos.

Nos seres humanos, os sintomas são: febre irregular, anemia, fraqueza, inchaço do abdômen, aumento do fígado e do baço.

(Divulgação).

O tratamento da leishmaniose em pessoas deve ser feito em ambiente hospitalar e os casos suspeitos devem ser notificados aos órgãos de saúde pública.

Para a prevenção e controle da doença a orientação das autoridades de saúde é para que as pessoas mantenham os quintais limpos, sem a presença de matéria orgânica. A decomposição desses materiais cria um habitat propício para a proliferação do mosquito transmissor.

Para isso é preciso fazer a limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem); dar destino adequado ao lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas do mosquito; e promover a limpeza dos abrigos de animais domésticos.

Para saber mais sobre a doença procure as unidades básicas de saúde de Mariápolis ou acesse aqui.

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