Morte da capoeirista mestre Sara repercute: legado, resistência e impacto cultural
Sara Rocha morreu nesta sexta-feira (17) aos 60 anos.
A morte da mestre de capoeira Sara Rocha, ocorrida nesta sexta-feira (17), gerou ampla repercussão em Adamantina. Reconhecida como uma das principais referências da capoeira no município e na região, ela foi destacada por instituições, entidades e lideranças que ressaltaram sua trajetória de luta, formação de alunos e defesa da cultura afro-brasileira.
Ela atuava pelo Grupo de Capoeira Estrela da Barra, sendo reconhecida desde o início da década de 1990 em Adamantina por sua trajetória de dedicação, formação de alunos e defesa da cultura afro-brasileira.
O velório será realizado no Memorial Flor de Lótus, com início previsto para a tarde desta sexta-feira. O horário ainda será confirmado pelos familiares e pela empresa responsável (este tópico será atualizado).
Veja as principais manifestações, após sua morte:
“A Secretaria de Cultura e Turismo lamenta profundamente o falecimento da Mestra Sara Rocha - fundadora do Grupo Estrela da Barra- uma das vozes mais potentes da capoeira contemporânea. Mestra Sara não apenas praticou a arte, mas a transformou em ferramenta de luta e preservação da identidade afro-brasileira. Sua atuação como ativista e defensora das rodas de capoeira garantiu avanços significativos para a cultura nacional, mérito reconhecido em vida através de honrarias e moções da Câmara Municipal. Ela foi, acima de tudo, um exemplo de resistência e compromisso social. A perda é imensa, mas seu legado é eterno. Mestra Sara continuará presente no gingado de seus alunos e na memória de todos que tiveram o privilégio de sua convivência. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e à comunidade capoeirista”.
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Adamantina
“Uma brilhante trajetória em defesa da capoeira, desde da década de 90 Mestre Sara empenhou a sua vida num legado especial. Com muitos momentos marcantes de grande sucesso, contrastando com outros momentos não tão bons, a Mestre Sara deixa um legado de não deixar a peteca cair, nunca desistir, jamais parar, apresentou a capoeira a centenas de adamantinenses e também na região. Por toda a vida se dedicou a apresentar a capoeira principalmente na periferia, e manteve grande parte de seu trabalho gratuito. Foi a primeira mulher a se tornar Mestra, na sua modalidade de capoeira, que preservou com garra, bravura, amor e dedicação. Teve sua importância reconhecida em uma biografia autorizada. Foi pioneira na Criação do Gangazumba em 2018, inclusive dando esse nome ao movimento. É e sempre será extremamente importante e reverenciada por toda nossa comunidade”.
Grupo Gangazumba de Adamantina
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“A Casa SP Afro Brasil de Adamantina manifesta profundo pesar pelo falecimento da Mestra Sara Rocha, capoeirista e uma das precursoras da capoeira no município e região. Sua trajetória foi marcada por dedicação, disciplina e compromisso com a transmissão dos valores ancestrais da cultura afro-brasileira. Ao longo dos anos, formou inúmeros alunos, perpetuando não apenas a prática da capoeira, mas também seus ensinamentos históricos, culturais e identitários, os quais transcendem gerações e permanecem vivos na memória e na atuação de seus discípulos. Neste momento de dor, a Casa Afro se solidariza com familiares, amigos e toda a comunidade capoeirista, reconhecendo que seu legado seguirá presente por meio de todos que foram impactados por sua caminhada. “Axé” (que significa força, energia vital e poder de realização)”.
Casa Afro Adamantina.
“Vá em paz, Mestra Sara Rocha. Sua história e seu amor pela capoeira seguirão vivos para sempre”.
Nivaldo Martins do Nascimento, “Londrina”, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Adamantina.
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“Mestre Sara foi exemplo de luta, dentro e fora da capoeira. Presença ativa e defensora incansável, buscou abrir caminhos e dar protagonismo à modalidade em Adamantina e por onde passou. Direta e objetiva em suas colocações, convicta de seu potencial e da força da capoeira, nunca recuou diante dos desafios. Foram muitos os enfrentamentos por espaço e oportunidades — e ela venceu, ao levar a capoeira a diferentes contextos, construir uma trajetória de referência e inspirar gerações. Ainda assim, fica a sensação de que poderia ter ido ainda mais longe. Para nós, permanecem as melhores lembranças: seu jeito espontâneo, quase moleque, mas sempre responsável; firme nos princípios da capoeira e orgulhosa dessa prática que é símbolo de resistência cultural e expressão de autodefesa tão presente no Brasil e no mundo”.
Acácio Rocha, jornalista.