Instituição Carlos Pegoraro completa 70 anos de história e atendimentos em Adamantina
Entidade foi criada em 1956 e completa 70 anos neste mês de outubro.
A Instituição Solidária Carlos Pegoraro, de Adamantina, completa 70 anos de história no próximo mês. Fundada em 17 de outubro de 1956, a entidade construiu ao longo de sete décadas uma trajetória marcada pelo atendimento a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.
(Reprodução).
Para celebrar a data, a instituição prepara uma programação especial, que terá como um dos principais momentos o jantar beneficente “Pasta Di Nonna”, marcado para 10 de outubro. A iniciativa também pretende contribuir para a manutenção das atividades desenvolvidas pela entidade (leia mais, abaixo).
Os detalhes das comemorações e aspectos da história da instituição foram apresentados nesta quarta-feira (16), durante uma coletiva de imprensa que reuniu a presidente Ivone Ramos, a vice-presidente Regina Ruete e a diretora Maria Neide Mantovani.
Uma história que começou com a preocupação com mães e crianças
A origem da instituição está relacionada a uma realidade social vivida por Adamantina nos primeiros anos de formação do município. Na década de 1950, moradores identificavam situações de abandono e vulnerabilidade envolvendo mulheres e crianças e passaram a discutir a criação de uma entidade de assistência.
Segundo relatos preservados pela instituição, já em 1955 havia um movimento formado por integrantes da sociedade local com o objetivo de criar uma organização voltada ao atendimento à maternidade e à infância.
Naquele período, Adamantina ainda passava por um processo de expansão e ocupação do Oeste Paulista. Trabalhadores chegavam de diferentes regiões e estados em busca de oportunidades, especialmente nas atividades agrícolas e na abertura de novas áreas.
Nesse contexto, segundo a memória histórica da entidade, algumas mulheres permaneciam na cidade com seus filhos após o afastamento dos companheiros, enfrentando dificuldades financeiras e falta de suporte familiar.
A realidade mobilizou moradores de diferentes regiões da cidade e contribuiu para amadurecer a proposta de criação de uma instituição destinada à assistência.
Fundação ocorreu em 17 de outubro de 1956
Após aproximadamente um ano de articulações, a primeira reunião para a fundação da Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Adamantina (Apamia) ocorreu em 17 de outubro de 1956.
O próprio nome da entidade traduzia sua finalidade naquele período: oferecer assistência às mães que enfrentavam situações de abandono e às crianças que permaneciam sem o devido amparo.
A instituição iniciou suas atividades em uma estrutura simples e, ao longo dos anos, passou a ocupar instalações próprias, que foram ampliadas e modificadas para acompanhar as necessidades do atendimento.
Nos primeiros anos, a entidade também manteve forte relação com o ambiente católico. Padres participaram da condução da instituição em um período no qual organizações religiosas e filantrópicas exerciam papel relevante na assistência social.
Carlos Pegoraro teve papel importante na trajetória da entidade
A história da instituição também está diretamente ligada a Carlos Pegoraro, apontado como um de seus principais benfeitores. Ele doou a área onde a entidade passou a funcionar.
Segundo a memória preservada pela instituição, Carlos e a esposa, Felícia, não tiveram filhos e mantinham atuação filantrópica. A família possuía propriedades na região e teria realizado outras doações destinadas a instituições religiosas e comunitárias.
A contribuição de Carlos Pegoraro foi além da doação do terreno.
Carlos Pegoraro (Reprodução).
Registros antigos indicam que, durante determinado período, a produção rural também ajudava na manutenção da entidade. Crianças e adolescentes participavam de atividades na horta, enquanto parte da produção era comercializada para gerar recursos.
Arroz e outros produtos cultivados na propriedade contribuíam para o custeio das atividades em uma época na qual a manutenção da instituição dependia, em grande medida, da solidariedade da comunidade e da própria capacidade de produção.
A memória de Carlos Pegoraro permaneceu associada à entidade e, posteriormente, seu nome passou a integrar a denominação da instituição.
Mudanças na gestão e no perfil de atendimento
Ao longo das décadas, a instituição acompanhou as mudanças na legislação e na realidade social do município. A atuação passou a se concentrar no atendimento a crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade.
Relatos de pessoas que acompanharam diferentes períodos da entidade mostram também as dificuldades enfrentadas no passado. Entre elas estavam episódios de fuga de crianças acolhidas, que exigiam mobilização de funcionários e colaboradores para localizá-las.
Com o passar dos anos, o perfil das demandas mudou e os serviços foram sendo reorganizados.
Naquele período, as políticas públicas de proteção à criança e ao adolescente ainda não apresentavam a estrutura existente atualmente. O Judiciário e o Fórum tinham participação importante no encaminhamento e acompanhamento de situações envolvendo crianças e adolescentes.
Neide Mantovani, Ivone Ramo e Regina Ruete apresentam programação (Siga Mais).
Nesse contexto, houve articulação para que a administração da Casa do Garoto passasse à comunidade espírita local. Um dos mobilizadores desse processo foi o então juiz de direito da comarca, Donizete Pinheiro da Silveira.
Em 1988, a associação fundada na década de 1950 passou a se chamar Apamia – Casa do Garoto Carlos Miranda Pegoraro. No ano seguinte, adotou a denominação Casa do Garoto Carlos Miranda Pegoraro, quando a comunidade espírita de Adamantina assumiu a administração, sucedendo um período de forte participação da maçonaria na gestão.
A mudança administrativa não alterou o caráter comunitário da instituição. A entidade continuou contando com a participação de voluntários, empresas, promoções e doações para complementar os recursos necessários à manutenção de suas atividades.
Estrutura atual reúne acolhimento e educação infantil
Em 2003, uma nova estrutura da Casa do Garoto foi construída, permitindo reorganizar o atendimento. Atualmente, o abrigo institucional tem capacidade para até 10 crianças e adolescentes acolhidos.
A atuação da instituição também se ampliou para a educação infantil. Por meio do Centro de Recreação e Educação Infantil de Adamantina (Creia), no mesmo espaço, são atendidas 122 crianças em serviço de creche.
Instituição celebra sete décadas de atendimentos em Adamantina (Google Maps).
Em 2006, a organização passou a se chamar Instituição Solidária Carlos Pegoraro. Atualmente, a organização da sociedade civil mantém convênios e parcerias para a execução dos serviços, mas, segundo a administração, os recursos provenientes desses instrumentos não são suficientes para cobrir integralmente as despesas de funcionamento.
Por isso, as promoções beneficentes permanecem como importante fonte complementar de recursos. Ao longo dos anos, a instituição realizou leilões e outros eventos para arrecadação, mantendo a mobilização comunitária como parte de sua trajetória.
Nova sala vai unir histórias, imaginação e aprendizagem
Ao completar 70 anos, a instituição também prepara novos projetos para as crianças atendidas.
Uma das iniciativas é a criação de uma sala dedicada às histórias e ao universo da fantasia, sob responsabilidade das professoras Priscila Guerra e Samara Ferreira.
A proposta nasceu de experiências anteriores com teatro e contação de histórias realizadas em diferentes espaços da instituição. A partir dessas atividades, surgiu a ideia de criar um ambiente específico, planejado para estimular a imaginação e o contato das crianças com as histórias.
O projeto também considera as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente a compreensão de que as histórias podem contribuir para o desenvolvimento do raciocínio, da imaginação e da capacidade de pensar.
Até então, as atividades eram realizadas em salas, salão, pátio e áreas dos parquinhos. A nova estrutura deverá concentrar essas experiências em um espaço próprio.
A sala deverá ser apresentada durante as comemorações dos 70 anos, em data que ainda será anunciada.
Jantar beneficente será realizado em outubro
A programação de aniversário terá como um dos destaques o jantar beneficente “Pasta Di Nonna”, marcado para 10 de outubro, em celebração às sete décadas de fundação da instituição.
O evento será realizado no King Eventos, na Avenida da Saudade, 1.112, com início previsto para 20h30.
A proposta substitui o tradicional leilão beneficente, que deixou de ser realizado pela entidade. Além de celebrar a trajetória da instituição, o jantar tem como objetivo arrecadar recursos para a manutenção dos serviços.
Massas caseiras produzidas na instituição estão no cardápio (IA/Siga Mais).
A organização envolve voluntários, integrantes da comunidade e empresas parceiras de Adamantina. O cardápio terá inspiração na culinária italiana, com massas produzidas artesanalmente pela própria instituição.
Entre os pratos estão spaghetti, rondelli e ravioli, além de lasanha de berinjela, maminha ao molho e doces artesanais.
Os convites podem ser adquiridos individualmente ou em formato de combo para mesas com seis pessoas. As bebidas serão comercializadas separadamente.
Informações, reservas e convites podem ser obtidos pelo telefone/WhatsApp (18) 99679-0421.
Festa da Primavera também integra programação
Outra novidade nas comemorações dos 70 anos será a realização, pela primeira vez, da Festa da Primavera, em parceria com a Associação Cultural, Recreativa e Esportiva de Adamantina (Acrea).
O evento será realizado no Residencial Aliança, ao lado da instituição, em uma área integrada aos espaços de convivência da localidade.
A programação contará com praça de alimentação e apresentações artísticas das crianças atendidas pela entidade.
Os demais detalhes da Festa da Primavera ainda serão divulgados pela organização.