Prefeito acata recomendação do MPE e vai anular concurso público de 2016 investigado por fraude
Ministério Público pede anulação de concurso público de 2016 em Mariápolis.
Em ofício enviado ao prefeito de Mariápolis, Val Dantas, com data de 3 de março último, o promotor de justiça Rodrigo de Andrade Figaro Caldeira, do Ministério Público Estadual (MPE), recomendou que a Prefeitura de Mariápolis anule o Concurso Público 01/2016.
O prazo, na recomendação do MPE, é de 15 dias. O referido concurso público realizado na administração anterior é alvo da ação civil pública (Processo 1003125.51.2016.8.26.0081), que tramita junto ao Poder Judiciário da Comarca de Adamantina, com suspeita de fraude durante a aplicação das provas teóricas, em maio de 2016.
Ainda sobre o mesmo concurso público, uma decisão da Justiça, em novembro do ano passado, determinou sua suspensão (reveja aqui). Agora o MPE quer sua anulação definitiva. Na ausência dessa medida, por parte do Prefeito, o MPE deve buscar meios judiciais para conseguir anulá-lo.
Por que o MPE quer a anulação?
O Concurso Público 01/2016, realizado no ano passado, é alvo de investigação do MPE, por suspeita de fraude, que motivou a propositura da ação civil de improbidade administrativa por danos ao erário (Processo 1003125-51.2016.8.26.0081), que tramita na 1ª Vara da Comarca de Adamantina, contra o prefeito da administração anterior. Nesse processo, há decisão da Justiça, por meio de Liminar, que impede o Município de Mariápolis de realizar novos concursos públicos.
Todavia, com a justificativa de garantir a execução de serviços públicos, face à ausência de profissionais em determinadas áreas, o que foi identificado ao assumir o mandato, o novo prefeito Val Dantas determinou a abertura do Processo Seletivo nº 01/17, realizado pela Prefeitura de Mariápolis.
O referido processo seletivo recebeu inscrições no período de 27 de janeiro a 5 de fevereiro deste ano, para os cargos de nutricionista, operador de máquinas, professor de arte e língua estrangeira moderna, professor de educação artística, professor de educação física, professor de educação infantil, professor de ensino fundamental, psicólogo e psicopedagogo, com remuneração entre R$ 1.040,57 até R$ 1.883,51.
Diante do impedimento judicial para a realização de novos concursos, decorrente do concurso público realizado ano passado, com suspeita de fraude, e da decisão do prefeito Val Dantas por realizar o Processo Seletivo nº 01/17, o que violaria a determinação da Justiça, o MPE instaurou o Inquérito Civil 14.0739.0001144/2017-9 para apuar eventual prática de improbidade administrativa (reveja aqui).
Assim, diante desse impedimento judicial, foi aberto o inquérito civil, presidido pelo promotor Rodrigo Caldeira, que pode responsabilizar o prefeito Val Dantas. Por sua vez, o prefeito que recém assumiu o cargo encontrou dificuldades para desenvolver serviços à comunidade nas áreas que são objeto do Processo Seletivo, e decidiu fazê-lo, desta forma, para dar suporte ao serviço público. Ao SIGA MAIS, ele reconheceu o impedimento de realizar Concurso Público, como determina a liminar judicial, optando assim, pelo processo seletivo, com vistas a garantir a execução dos serviços públicos à população.
Prefeito
Hoje o prefeito Val Dantas foi procurado pelo SIGA MAIS e garantiu que o processo seletivo transcorrerá normalmente e os candidatos habilitados serão convocados por prazo determinado, até a abertura de concurso público a ser realizado ainda este ano. Após a realização e homologação de um novo concurso público, os profissionais contratados por meio do Processo Seletivo serão dispensados.
Para isso, deverá acolher a recomendação do MPE e no prazo máximo de 15 dias deverá anular o Concurso Público 01/2016, realizado ano passado, e que é objeto de apuração judicial. Ele destaca que confia no trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário, e espera que os envolvidos nesse episódio sejam responsabilizados.