Cidades

Obelisco japonês instalado em 1958 na zona rural é resgatado e incorporado ao Museu de Adamantina

Peça foi instalada no bairro Tucuruvi pelos 50 anos da chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil.

Por: Da Redação | Com informações de Caio Vasques | Comunicação/Prefeitura de Adamantina atualizado: 10:58
Obelisco foi levado ao Museu, onde vai ser reinstalado (Siga Mais). Obelisco foi levado ao Museu, onde vai ser reinstalado (Siga Mais).

Uma peça de quase 400 quilos com inscrições comemorativas dos 50 anos da imigração japonesa ao Brasil, instalada pela colônia japonesa em uma propriedade rural no bairro Tucuruvi, em 1958, em Adamantina, foi localizada na semana passada, resgatada e transferida ao acervo do Museu e Arquivo Histórico “Setsu Onishi”.

Segundo divulgou a Prefeitura de Adamantina, o achado nos últimos dias gerou muita emoção nos descendentes japoneses que vieram morar no Brasil e adotaram Adamantina como novo endereço.

A imigração japonesa no Brasil tem como marco inicial a chegada do navio Kasato Maru, em Santos, no dia 18 de junho de 1908, data que consta no obelisco, seguida da data do cinquentenário, 18 de junho de 1958.

Gislaine Targa Simoncelli  e Noriko Saito, onde a peça foi encontrada (Cedida/PMA).Ana Queila Zanardo, Noriko e Gislaine com a peça no Museu (Cedida/PMA).

A peça comemorativa ficou pelo local até final da década de 70, início dos anos 80, quando ainda era visto em sua posição original, e depois disso não mais. Supõe-se que tenha tombado ao solo – naturalmente, acidentalmente ou de forma intencional – depois tomada por vegetação. Por mais de 45 anos nunca mais havia sido vista, ou teve sua localização relatada publicamente.

De acordo com o poder público, recentemente um morador, no preparo da terra para o cultivo de amendoim, localizou o obelisco. Por estar com grafias em japonês, chamou um outro morador que é nipônico, Nilton Naoe, permitindo então as mobilizações que foram desencadeadas para seu resgate. “Assim fui até o local e vi a pedra. Fiquei emocionado com o achado e logo entrei em contato com a presidente da Acrea - Associação Cultural Recreativa e Esportiva de Adamantina, Noriko Onishi Saito, para contar o que tínhamos localizado. Foi muita emoção”, destacou. 

Foto histórica quando da implantação do obelisco no bairro Tucuruivi (Cedida/PMA).Obelisco em comemoração aos 50 anos da imigração japonesa (Cedida/PMA).

Noriko é filha de Setsu Onishi, que dá nome ao Museu de Adamantina. Conforme o conteúdo divulgado pela administração municipal, ela disse ter ficado bastante impactada quando soube da notícia, e detalhou sobre a confecção do obelisco e do grafismo na peça. “Foi o meu pai que fez a pedra e minha mãe a escrita naquela data marcante comemorando os 50 anos da imigração japonesa no Brasil. Não contive as lágrimas quando vi a pedra novamente depois de tantos anos”, disse. “O certo é que ela fique no Museu para que possa ser vista como parte da história de Adamantina” ressaltou emocionada. 

Publicidade

Parfum Perfumes Importados
Unimed Adamantina

Publicidade

Rede Sete Supermercado
Dr. Paulo Tadeu Drefahl | Cirurgião Plástico

A partir daí a dirigente da Acrea fez contato com a secretária municipal de cultura e turismo,  Ana Queila Zanardo, que mobilizou a chefe do Museu, Gislaine Targa Simoncelli, evoluindo para a operação de resgate da peça e seu transporte ao equipamento dedicado à história e memória da cidade. “Um achado inestimável. É muito importante para a história do município. Estamos cuidando da pedra, revitalizando, limpando, para colocá-la em um local especial no Museu”, disse a gestora do espaço museológico.

Algumas fotos com o registro da época também foram localizadas. 

Peça com grafismo japonês (Cedida/PMA).Kaoro Namba, Noriko Onishi Saito, Nilton Naoe e Gislaine Targa Simoncelli (Cedida/PMA). 

Ainda não foi realizada a tradução conclusiva do grafismo contido na peça. A estrutura já foi vistoriada por moradores antigos da comunidade nipônica local, mas ainda há divergências que serão sanadas, face à especificidade de cada traço que compõe os ideogramas japoneses. 

Um momento histórico importante para Adamantina.

O poder público municipal ressaltou a importância do resgate deste marco da presença nipônica na cidade. “A Prefeitura de Adamantina reforça, por meio desta ação, seu compromisso com a preservação da história e da cultura do município, valorizando a memória das diferentes comunidades que contribuíram para a formação da cidade e garantindo que esse patrimônio seja mantido e compartilhado com as futuras gerações”, frisa a nota.

Chegada da colônia japonesa ao Brasil

A chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil, a partir de 1908, marcou o início de uma das mais importantes correntes migratórias da história do país. O movimento teve início com a atracação do navio Kasato Maru chegada ao Brasil, no porto de Santos, em 18 de junho daquele ano, trazendo a bordo 781 japoneses, em sua maioria famílias de agricultores.  

Publicidade

WV Leilões
Cocipa - Venha ser um cooperado

Publicidade

Supermercado Godoy
JVR Segurança

O fluxo migratório foi impulsionado por interesses mútuos. De um lado, o Japão enfrentava dificuldades econômicas e excesso populacional, especialmente nas áreas rurais. De outro, o Brasil, que havia abolido a escravidão em 1888, buscava mão de obra para as lavouras de café, principalmente no interior do estado de São Paulo.

Emigrantes japoneses embarcam no navio Kasato Maru em Kobe (Japão), rumo ao Brasil (Reprodução).Navio Kasato Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil (Domínio Público).

Nos primeiros anos, os imigrantes japoneses foram direcionados para fazendas cafeeiras, onde enfrentaram condições de trabalho duras, barreiras culturais e dificuldades de adaptação. Ainda assim, com o passar do tempo, muitas famílias conseguiram adquirir terras próprias e diversificar suas atividades agrícolas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da horticultura, fruticultura e outras culturas no país.

Ao longo das décadas seguintes, a presença japonesa se expandiu para áreas urbanas e diferentes regiões do Brasil, consolidando uma comunidade que preservou tradições, idioma e costumes, ao mesmo tempo em que se integrou à sociedade brasileira. Hoje, o Brasil abriga a maior população de descendentes de japoneses fora do Japão, estimada em mais de 2 milhões de pessoas.

Famílias japonesas seguem ao porto de Kobe para emigrar para o Brasil, em 1953 (Reprodução).Famílias japonesas aguardam acomodação na Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo, na década de 1930 (Museu Histórico da Imigração Japonesa).

Além da contribuição econômica, a imigração japonesa deixou um legado cultural profundo, presente na gastronomia, nas artes, na educação e em valores como disciplina, respeito e cooperação — aspectos que ajudaram a moldar a identidade de diversas cidades do interior paulista, como Adamantina.

Colônia japonesa em Adamantina

Adamantina teve sua origem no final da década de 1930. Já em 1948 o então patrimônio foi desmembrado do município de Lucélia por força de lei estadual, ocorrendo a instalação do novo município em 2 de abril de 1949.

Segundo o livro Jubileu de Ouro de Adamantina, escrito por Cândido Jorge de Lima (in memoriam), a colônia japonesa foi uma das mais numerosas, bem organizada e a primeira fundada com pessoa jurídica formalizada, na localidade.

Vindos a Adamantina, os imigrantes japoneses formaram uma colônia numerosa. Segundo o livro Jubileu de Ouro, eram 8% da população local, incluindo os nipo-brasileiros, com forte presença na zona rural. No bairro Tucuruvi estariam 61 famílias e 366 moradores. Neste contexto, ainda de acordo com a publicação, a Acrea foi fundada em 1956.

Publicidade

FS Telecomunicações
Cóz Jeans
Prefeitura de Adamantina

Publicidade

ADT Drone