Opinião

Como viver a insegurança que o coronavírus trouxe a toda população mundial?

Quais as consequências emocionais que o Coronavírus traz ao mundo?

Fábio Botteon | treinamento@institutobotteon.com.br Colunista
Fábio Botteon | treinamento@institutobotteon.com.br
(Reprodução). (Reprodução).

A ansiedade que todos nós estamos vivendo em função da incerteza frente à preservação da vida e ao caos financeiro, que se instala progressivamente, gera um estado de ansiedade e um enorme sentimento de impotência.

Por que falo de impotência? Pois embora racionalmente todas as pessoas saibam o que se deve fazer, muitas se negam, seja por desinformação, por não acreditar que o problema é sério, por se achar indestrutível ou pelo simples fato de não conseguir viver a fragilidade própria do ser humano.

Em função desse cenário, temos nossas emoções primárias se manifestando com as mais variadas tonalidades e sentimentos.

A alegria por muitas vezes em saber que muitos estão se curando e que, mesmo sendo difícil, estão conseguindo superar esse momento. Por outro lado, a tristeza de viver o distanciamento ou isolamento social, a dificuldade na troca de afetos, nas perdas….

É importante considerar o amor, esse voltado à preservação da vida que em sua plenitude, faz com que cada um se respeite e se movimente em função da reinvenção necessária, de se permitir viver o novo e assim sendo, inovar em suas profissões e na forma de viver a vida e se relacionar.

A raiva que em primeira instância se transfere ao externo como ouvimos as pessoas dizerem, “É culpa da China”, “É doença de rico sujo, pois pobre não vai para a Europa”, mas que no fundo tem muito à ver com a impotência que se instala em nossa mente e nos faz refém de nossas atitudes ( do não se cuidar, do se expor ao risco…),  além de trazer ao real a vulnerabilidade humana, muitas vezes não aceita por todos.

Por fim vem o medo, um estado afetivo originado da preservação da vida, insegurança ou de um perigo que está a ponto de acontecer.

Vamos, então, falar desse medo intenso que tem se instalado na na mente de muitas pessoas.  Já ouvi de várias pessoas, “Não assisto mais jornais televisivos. Eles me dão angústia”.

Vários autores falam sobre o medo e entre esses Freud (pai da psicanálise) cita o medo sob duas ópticas: o medo de sofrer e o medo em si.

O medo em si, esse que é real, e assim sendo, pode nos acometer inesperadamente, mas que também pode ser previsto e até calculado. Gerenciar esse medo embora pareça mais simples, é parte do que chamamos de gerenciamento de risco.

Para isso é preciso ficar atento as ocorrências do dia a dia, ter a percepção do risco real e procurar meios para não se expor diretamente a ele. Por exemplo, quando uma pessoa resolve viajar com seu carro para um local distante é necessário alguns cuidados, como: fazer uma revisão no carro antes de sair, não sair para viajar à noite ou em períodos de muito movimento, calibrar seus pneus, manter o tanque de combustível cheio, dirigir com cuidado…, porém isso não é garantia de que sairemos de casa sem riscos e voltaremos intactos. Mas dessa forma minimizamos os riscos e enfrentamos eles com maior segurança emocional durante a viagem toda.

Já o medo de sofrer, esse sim, é pior que o próprio sofrimento em si, pois nos limita, nos leva à uma atitude de inércia e nos enfraquece. Embora o ser humano tenta, de várias maneiras, evitar o sofrimento, seja físico ou emocional, ele faz parte da nossa existência.

O sofrimento pode ter várias origens que vão desde a não aceitação das próprias fragilidades, das limitações externas relacionadas à necessidade de poder, por não conseguir adquirir bens materiais, do desejo de uma imagem pessoal “perfeita”, por permanecer focado em eventos negativos do passado, bem como em não saber lidar com a finitude de seus projetos ou da vida.

Porém, o mesmo sofrimento que castra pode ser mola propulsora de soluções e atitudes positivas com a finalidade de minimizá-lo ou até mesmo extingui-lo. Por isso tenho o hábito de repetir a seguinte frase: “sofrimento a gente tem, dor a gente escolhe”.

Hoje a Covid-19 traz à tona um momento desconhecido, uma insegurança, faz relembrar o extermínio que a gripe espanhola proporcionou ao mundo

Como controlar ou superar esse momento? Como não sofrer emocionalmente?

É necessário que todos sejam fortes, que se encare a vida gerenciando os riscos com olhar real, é preciso que se crie caminhos alternativos para atravessar esse período. Não podemos ficar reféns de uma contaminação emocional e de uma sociabilização frente ao medo de sofrer. Isso não!!!!

É importante que cada um descubra suas potencialidades e sua capacidade de superação, pois não há experiência que se repita em sua totalidade e nada é vivido duas vezes de forma idêntica. Todo dia o sol nasce e se põe, mas cada dia com uma intensidade, brilho, às vezes por traz das nuvens, por vezes extirpando todas elas e brilhando em um céu completamente azul. Assim é nossa vida.

O ser humano é capaz de se adaptar a tudo na vida, mas para isso ele precisa se permitir e, principalmente, querer. É necessário ter resiliência, flexibilidade, proatividade e acima de tudo ocupar a mente para manter o foco em criar soluções para as adversidades da vida pois isso trará o equilíbrio emocional necessário para se passar esse período com maior tranquilidade, sem desespero e acima de tudo sair mais empoderado com o olhar positivo frente as adversidades que que a vida nos apresenta dia a dia.

(*) Fábio Botteon é professor e vice-reitor do Centro Universitário de Adamantina (UniFAI), diretor executivo da Botteon Consultoria em Desenvolvimento Empresarial e professor convidado - MBA em gestão de projetos, gestão em saúde e gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas.

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