Polícia Civil de Adamantina alerta e orienta para riscos de golpes usando o Desenrola Brasil
Renegociação deve ser feita diretamente com a instituição bancária onde está a dívida.
A Polícia Civil em Adamantina, por meio da DIG/DISE (Delegacia de Investigações Gerais/Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), divulgou alerta e orientações sobre golpes que estão sendo praticados usando, como artifício, o programa de renegociação de dívidas lançado pelo Governo Federal, o Desenrola Brasil. “Não se enrole no Desenrola Brasil”, adverte a Polícia Civil.
Conforme o programa federal – destaca a o alerta - a renegociação das dívidas deve ser feira diretamente no banco onde está a dívida e nunca pelo WhatsApp, Facebook ou qualquer outro aplicativo ou rede social
A Polícia Civil alerta e orienta a população em caso da procura do programa para renegociar dívidas, que sejam tomados os seguintes cuidados:
- 1- Nunca renegocie suas dívidas pelo WhatsApp, Facebook ou qualquer outro aplicativo ou rede social. É golpe.
- 2- Se for pesquisar informações no Google sobre o Desenrola Brasil sempre procure a página que tenha no final escrito "gov.br". Diferente disso é golpe.
- 3- E o mais importante é que a renegociação de sua dívida seja diretamente com o banco. Se for em sua cidade, desloque-se até a agência bancária e fale diretamente com o gerente. Se for digital entre no próprio aplicativo bancário pelo celular e converse pelo chat ou ligue no 0800 que se encontra dentro do aplicativo.
A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) também divulgou um alerta com orientações para renegociação das dívidas pelo Desenrola Brasil, como divulgou o SIGA MAIS no mês passado.
Estudo aponta mais de 1 mil anúncios falsos sobre o Desenrola
O Laboratório de Estudos de Internet e Mídias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu 1.048 anúncios fraudulentos com menção ao programa Desenrola Brasil, que circularam entre 19 e 21 de julho nas redes sociais. A análise foi feita utilizando a biblioteca de anúncios da empresa Meta, onde ficam arquivadas as peças impulsionadas nas plataformas da empresa, como Facebook, Instagram e Messenger. Grande parte dos anúncios foi veiculada abaixo do radar dos monitoramentos tradicionais, escapando da moderação da Meta.
Segundo o relatório A Publicidade a Favor do Endividamento, os anúncios identificados nesse estudo lesam possíveis beneficiários do programa, sobretudo pelo uso indevido da imagem do governo federal e do Serasa, e continuaram ativos após as primeiras denúncias em jornais e emissoras de TV denunciando esses golpes. “Os golpes por meio das redes sociais causam danos materiais aos consumidores, especialmente aos mais vulneráveis que são segmentados pelas próprias plataformas. Os lucros dessas empresas com anúncios fraudulentos, mesmo quando retirados do ar, as tornam beneficiárias diretas dos golpes”, diz o estudo.
No mês de julho, reportagens jornalísticas revelaram anúncios fraudulentos sobre o programa Desenrola Brasil que circularam nas redes sociais utilizando indevidamente a imagem de instituições públicas, do Serasa e de veículos de imprensa com o objetivo de passar credibilidade e, assim, aplicar golpes nos cidadãos.
Segundo o relatório, é possível criar páginas falsas nas plataformas da Meta em nome do governo federal, sem necessidade de verificação dos anunciantes, deixando o consumidor sem informações para discernir sua autenticidade.
Em nota, a empresa Meta informou que não permite atividades fraudulentas em suas plataformas. "Não permitimos atividades fraudulentas em nossos serviços e temos removido anúncios enganosos sobre o programa Desenrola Brasil de nossas plataformas, assim que identificados por meio de uma combinação de uso de tecnologia, denúncias de usuários e revisão humana", disse a Meta.
Para os pesquisadores da UFRJ, as regras de transparência de publicidade não podem ser definidas apenas pelas plataformas, devendo estar a serviço do interesse público em primeiro lugar. “Nossos estudos têm mostrado que a autorregulação das plataformas não tem funcionado, indicando a urgência de uma regulamentação das plataformas digitais que inclua transparência e responsabilidade por seus serviços e respeite o Código de Defesa do Consumidor”, diz o relatório.
Em maio deste ano, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) publicou um estudo apontando que cerca de 78% das famílias brasileiras estariam endividadas. Nesse contexto, o governo federal lançou, em 17 de julho, a primeira etapa do programa Desenrola Brasil para que 70 milhões de brasileiros inadimplentes possam renegociar suas dívidas com instituições financeiras.