Ator Ney Latorraca morre aos 80 anos no Rio de Janeiro
Ao longo de mais de cinco décadas Ney Latorraca destacou-se em papéis memoráveis na TV brasileira.
O ator e diretor Ney Latorraca, de 80 anos, morreu na manhã desta quinta-feira (26) no Rio de Janeiro. Internado desde 20 de dezembro na Clínica São Vicente, na Gávea, ele lutava contra um câncer de próstata diagnosticado em 2019. A doença retornou em agosto deste ano com metástase, culminando em uma sepse pulmonar que levou ao seu falecimento.
Latorraca deixa seu marido, o ator Edi Botelho, com quem compartilhou 30 anos de união. O local e horário do velório ainda não foram divulgados.
Sua partida representa uma perda significativa para as artes cênicas brasileiras, deixando um legado de talento, versatilidade e dedicação que inspirou gerações de atores e encantou o público por décadas.
Trajetória marcada pelo talento e irreverência
Antonio Ney Latorraca nasceu em Santos, litoral paulista, em 27 de julho de 1944, e desde cedo mostrou sua vocação para o mundo das artes. Com uma carreira que ultrapassou cinco décadas, ele se consolidou como um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, encantando o público com sua versatilidade e humor inconfundível.
Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), Ney iniciou sua carreira em 1968, na peça "Pluft, o Fantasminha". Mas foi na televisão que ele alcançou o estrelato. Participou de grandes sucessos da Rede Globo, como as novelas "Estúpido Cupido" (1976) e "Dancin’ Days" (1978). No entanto, foi na década de 1980 que Ney Latorraca consolidou sua posição como um ícone da teledramaturgia, especialmente com personagens cômicos e caricatos, como o memorável Barbosa no humorístico "TV Pirata".
Personagem Barbosa, na TV Pirata (Foto: Acervo Globo).
Entre seus papéis mais marcantes está o vampiro Vlad, da novela "Vamp" (1991), que conquistou uma legião de fãs e até hoje é lembrado como um dos personagens mais icônicos da televisão brasileira. Outro destaque de sua trajetória foi o trabalho no filme "O Beijo da Mulher-Aranha" (1985), dirigido por Hector Babenco, que levou o cinema nacional a um patamar de reconhecimento internacional.
Ney também brilhou nos palcos, protagonizando espetáculos que uniam humor e crítica social. Ele era conhecido por sua entrega absoluta ao trabalho, seja no teatro, na televisão ou no cinema.
Além do talento, Ney Latorraca será lembrado por sua personalidade irreverente e pela defesa apaixonada das artes. Em entrevistas, nunca deixou de falar sobre a importância da cultura e do investimento em projetos que levassem arte às comunidades.
Ao longo de sua vida, Ney enfrentou desafios, incluindo problemas de saúde que chegaram a afastá-lo da carreira em alguns momentos. Mas sempre retornava com a mesma energia e brilho que marcaram sua trajetória.
Em 2024, aos 80 anos, Ney Latorraca nos deixou, mas seu legado permanece vivo. Ele foi um artista completo, que soube mesclar humor, sensibilidade e crítica, tocando o coração do público e inspirando novas gerações. Sua partida encerra um capítulo importante da história cultural do Brasil, mas sua obra continuará ecoando como prova de seu talento inigualável.