Cidades

Sem ciclofaixas ou ciclovias, bicicletas dividem espaço no trânsito de Adamantina

Na Semana do Trânsito (18 a 25 de setembro), o SIGA MAIS publica várias reportagens sobre o tema.

Por: Da Redação atualizado: 24 de setembro de 2015 | 12h02
Rafael Shimada: "Adamantina, assim como inúmeras cidades, não foi planejada no intuito de integrar a bicicleta como meio eficaz de locomoção" (Foto: Cedida) Rafael Shimada: "Adamantina, assim como inúmeras cidades, não foi planejada no intuito de integrar a bicicleta como meio eficaz de locomoção" (Foto: Cedida)

Conforme divulgado à imprensa, a Prefeitura de Adamantina abriu na última sexta-feira sua “Semana do Trânsito”, dentro da programação da semana nacional dedicada ao assunto. Foi realizada panfletagem no centro da cidade, no último sábado (19) e desde segunda-feira (21) até quinta-feira (24) serão realizadas palestras sobre Educação do Trânsito nas escolas municipais. No dia 25 haverá o encerramento com a palestra “Seja você a mudança no trânsito”, na Etec Eudécio Luiz Vicente, às 19h30 (leia mais aqui).
Dentro dessa temática, o SIGA MAIS traz nesta Semana Nacional do Trânsito várias reportagens dedicadas ao assunto. O tema de hoje traz uma abordagem sobre trânsito e bicicletas, em Adamantina.

Problemas somados: falta de conhecimento sobre regras de circulação e ausência de áreas regulamentadas ampliam conflitos

Ao contrário do que muita gente acredita, o texto do Código Brasileiro de Trânsito valoriza essencialmente a vida, não o fluxo de veículos. Na redação de seus artigos, há uma preocupação, acima de tudo, com a integridade física dos diversos atores do tráfego, sejam eles motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres.
Bicicletas são considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas, e prioridade sobre os automotores. Porém, considerando de maneira geral, a maioria das cidades brasileiras não põe em prática essa perspectiva, na gestão do sistema viário.
O advogado e consultor público Rafael Antonio Shimada é um ciclista por hobby. No entanto, conhece os problemas e as dificuldades existentes na área central da cidade, e observa que a grande dificuldade encontrada pelo ciclista, tanto o esportista quanto aquele que utiliza a bicicleta como meio de locomoção ou de sustento, está justamente na inexistência de áreas regulamentadas, ou seja, de ciclofaixas ou de ciclovias, o que define como um problema urbanístico. “Adamantina, assim como inúmeras cidades, não foi planejada no intuito de integrar a bicicleta como meio eficaz de locomoção”, disse.
Segundo Rafael, a inexistência dessas áreas específicas de circulação faz com que veículos e bicicletas compartilhem o mesmo espaço. “Infelizmente, e sem generalizar, a grande maioria dos atores do trânsito sequer possui o exato conhecimento dos direitos e obrigações. Então, penso que o compartilhamento da via pública somado à falta de conhecimento a respeito das regras de circulação representam a grande dificuldade existente na área central”, explica. “O equacionamento, a meu ver, está condicionado ao investimento em ações que priorizem a mobilidade urbana, bem como em ações concretas de educação no trânsito. Essas medidas, sem dúvida alguma, são esforços que, fatalmente, formariam cidadãos responsáveis e conscientes, tornando o trânsito adamantinense muito mais gentil, tolerante e harmonioso”, completa.

Ciclistas também estão vulneráveis na periferia da cidade

Rafael Shimada acredita que as dificuldades encontradas nas áreas periféricas não são diferentes das encontradas na área central de Adamantina. Para ele, a diferença está na intensidade e na quantidade de equipamentos dividindo a via pública. “Nessas áreas, aparentemente, os ciclistas estariam menos vulneráveis. Mas não é verdade. Por isso, as dificuldades, seja na área central ou nas áreas periféricas só poderão ser amenizadas ou neutralizadas com ações educativas, conscientizando todos os atores do trânsito”, destaca.

Pedalar nas estradas

As estradas vicinais, rodovias ou estradas rurais são o território preferido para as pedaladas de Rafael Shimada. Frequentemente pedala na vicinal que dá acesso ao Bairro Tupanzinho (Rodovia Vicinal José Bocardi) e na Rodovia SP-294, sentido Inúbia Paulista e de lá ao Bairro Placa 28 (Sagres).
Nessas estradas, segundo informou, os principais riscos dizem respeito à velocidade, ultrapassagens perigosas e/ou ultrapassagens realizadas em locais proibidos, embriaguez, ausência ou insuficiência de sinalização de alerta – o que é um dever do Poder Público - e, finalmente, área de acostamento. “Todavia, já pude notar uma sensível evolução no comportamento de alguns condutores, principalmente no que se refere às ultrapassagens”, observa. “Muitos motoristas de carros, caminhões e motocicletas já reduzem a velocidade ou aguardam para realizar a ultrapassagem com segurança, protegendo, assim, a incolumidade do ciclista”, continua. Mas segundo Rafael, ainda é preciso fazer muito, sobretudo nas atitudes, para se chegar ao destino com segurança. “Há muito caminho para percorrer, para que a perfeição seja alcançada. A falta de consciência e de conhecimento das regras de circulação ainda é a principal causa de riscos”.

Em que o ciclismo poderia contribuir para melhorar o trânsito de Adamantina?

Rafael Shimada tem uma definição objetiva para o trânsito de Adamantina. “O trânsito em Adamantina, na minha avaliação, é um caos. O desrespeito às normas de trânsito é constante”, diz.
E na visão dele, a bicicleta – e não o ciclismo – representaria, facilmente, uma alternativa viável, na medida em que reduziria a circulação de veículos na área central. “Além de promover saúde e bem-estar, o uso da bicicleta como meio de locomoção também proporciona importantes benefícios, destacando-se a economia, agilidade e a redução da emissão de gases poluentes”, disse.
Além disso, segundo Rafael, essa atitude equacionaria importante problema de Adamantina: a oferta de vagas de estacionamento. “No entanto, a questão ainda é utópica, afinal, a inserção da bicicleta como meio de locomoção exige uma mudança comportamental e, sobretudo, cultural. Talvez, com a efetivação de políticas de mobilidade urbana, além da concessão de incentivos, fiscais ou não, possamos mudar esse cenário”, pondera.

Gentileza gera gentileza

Outro ponto defendido por Rafael Shimada é que os ciclistas, sejam os que praticam a atividade por esporte ou hobby, ou aqueles que se utilizam das bicicletas para deslocamentos e a trabalho, tenham consciência de que são uma parte fragilizada no trânsito das cidades. “Por isso devemos estar atentos ao cumprimento de nossos deveres. Desta forma, ao circular com sua bicicleta, respeite a sinalização, circule sempre no sentido da via e sinalize com antecedência, usando gestos indicativos de intenção, sobre as manobras que irá executar”, diz. Para ilustrar ele cita a atitude de indicar com o braço direito a conversão à direita, por exemplo. “E lembre-se que gentileza gera gentileza”, finaliza.

Proposta de ciclovia chegou a ser anunciada em 2010, com 2,3 quilômetros

Em 2010 foi anunciada a construção de uma ciclovia com 2,3 quilômetros de extensão e 3 metros de largura, pavimentada, iniciando-se na rua Bráulio Molina Frias, avançando pela vicinal Moysés Justino da Silva e terminando na divisa com o município de Lucélia (reveja aqui). Porém, a proposta não se efetivou. Outras ideias e propostas também não avançaram, bem como a ideia de se construir uma ciclovia ao longo da via férrea – um trajeto plano e que permite a ligação entre dois extremos da cidade, como Jardim Adamantina e Jardim Bela Vista –, e outra no entorno do Parque dos Pioneiros.

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