Cidades

Rebaixamento de guias afeta cerca de 117 vagas de estacionamento no centro de Adamantina

Legislação estabelece limite de 40% da testada dos terrenos, na área central da cidade.

Por: Da Redação atualizado: 12 de agosto de 2026 | 16h21
Guia rebaixada em toda a faixa de testada do terreno do imovel no centro de Adamantina (Siga Mais). Guia rebaixada em toda a faixa de testada do terreno do imovel no centro de Adamantina (Siga Mais).

Um levantamento realizado pelo Siga Mais identificou um impacto estimado de aproximadamente 117 vagas para veículos de passeio junto ao meio-fio em razão de trechos de guias rebaixadas na região central de Adamantina.

O tema chegou à reportagem a partir de questionamentos apresentados por moradores sobre imóveis que possuem rebaixamento de guias e utilizam áreas internas para estacionamento de veículos, principalmente para atender clientes e usuários dos estabelecimentos.

A principal dúvida é sobre o impacto dessas intervenções na oferta de vagas públicas de estacionamento e também sobre a utilização dos espaços criados dentro dos imóveis: se seriam destinados exclusivamente a clientes ou pessoas autorizadas ou se poderiam ser utilizados livremente por qualquer motorista.

Para dimensionar esse cenário, o Siga Mais percorreu todas as ruas de um quadrilátero delimitado pela Rua Josefina Dall’Antônia Tiveron e Alameda Santa Cruz, e pelas ruas Nove de Julho e General Isidoro.

A área concentra estabelecimentos comerciais, clínicas, escritórios, prestadores de serviços, órgãos de classe, repartições públicas e outros empreendimentos.

O levantamento estimou a quantidade de vagas que deixam de estar disponíveis junto ao meio-fio nos trechos onde há rebaixamento de guias e acesso de veículos aos imóveis.

O trabalho não utilizou medição métrica individual de cada trecho, portanto o número de 117 vagas é uma estimativa jornalística. Também não foram consideradas as vagas impactadas pelas faixas de rebaixamento existentes em postos de combustíveis, nem aquelas nos locais exclusivos de entrada e saída de veículos dos imóveis para acesso a garagens.

Intervenções antigas e recentes

Durante o levantamento, foram identificados diferentes cenários.

Há imóveis onde o rebaixamento de guia existe há muitos anos, enquanto outros apresentam intervenções mais recentes. Em alguns pontos, a extensão do acesso de veículos ocupa toda a testada frontal da área do imóvel.

O efeito acumulado dessas intervenções é percebido principalmente em áreas de maior concentração de comércio e serviços, onde existe demanda constante por estacionamento durante o horário de funcionamento dos estabelecimentos.

Guia rebaixada para vagas de estacionamento no INSS (Siga Mais).

Individualmente, cada rebaixamento pode representar a perda de apenas uma ou algumas vagas. Porém, quando vários imóveis adotam a mesma solução ao longo de uma quadra, a redução do espaço disponível para estacionamento junto ao meio-fio se torna mais significativa.

Foi esse impacto acumulado que o levantamento buscou dimensionar.

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Prefeitura estabelece limite para rebaixamento

A Prefeitura de Adamantina informou ao Siga Mais que as solicitações de rebaixamento de guias devem ser formalizadas por meio de protocolo junto ao município.

Segundo a administração municipal, os pedidos passam por análise técnica e, quando atendem aos requisitos legais, recebem autorização.

Após a autorização – segundo a Prefeitura – o setor de Engenharia realiza a fiscalização da execução para verificar se os parâmetros estabelecidos pela legislação foram respeitados.

De acordo com o poder público municipal, a principal regra para a região central está prevista no artigo 42-A da Lei Complementar nº 387, de 17 de dezembro de 2021, que promoveu a segunda revisão do Plano Diretor de Adamantina.

Guia rebaixada no centro de Adamantina (Siga Mais).

De acordo com o inciso III do artigo, na área central o rebaixamento das guias não pode ultrapassar 40% do total da testada do imóvel.

Nas demais áreas do município, o inciso IV estabelece limite de 50% da testada do imóvel para projetos e plantas aprovados após a publicação da lei.

A testada corresponde à extensão da frente do imóvel voltada para a via pública.

Assim, por exemplo, em um imóvel com 10 metros de testada localizado na área central, o rebaixamento da guia não poderia ultrapassar 4 metros, considerando o limite estabelecido pela legislação.

Área que ultrapassa limite passa a ser pública

A Prefeitura também esclareceu ao Siga Mais uma questão importante relacionada ao uso dessas áreas.

Segundo o município, quando o rebaixamento é executado em desacordo com os limites estabelecidos pela legislação, a área correspondente ao trecho que excede os percentuais permitidos deixa de caracterizar estacionamento privativo e passa a ser considerada de uso público.

Guia rebaixada no centro de Adamantina (Siga Mais).

A informação é relevante porque a simples existência de uma guia rebaixada não significa que toda a extensão localizada em frente ao imóvel possa ser tratada como estacionamento exclusivo do estabelecimento.

O rebaixamento permite o acesso de veículos ao imóvel, mas não transfere ao proprietário o domínio sobre a área pública da rua.

Levantamento não aponta irregularidades individuais

O Siga Mais ressalta que o levantamento realizado no centro de Adamantina não teve como objetivo identificar ou apontar irregularidades em imóveis específicos.

A reportagem não analisou processos administrativos, projetos aprovados, autorizações individuais ou as datas de execução de cada rebaixamento.

Esse tipo de avaliação exige análise documental e técnica de cada imóvel.

O objetivo do levantamento foi outro: dimensionar o impacto que a sucessão de rebaixamentos de guias produz sobre a oferta de vagas de estacionamento junto ao meio-fio na região central.

Por isso, as aproximadamente 117 vagas estimadas devem ser entendidas como um levantamento jornalístico sobre o espaço atualmente disponível nas ruas, e não como uma relação de vagas oficialmente eliminadas ou de intervenções que possam ser consideradas irregulares.

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Regra está no Plano Diretor

O artigo 42-A foi incluído na legislação municipal por meio da Lei Complementar nº 387/2021, que trata da segunda revisão do Plano Diretor de Adamantina.

O dispositivo estabelece diretrizes que devem ser observadas por empreendimentos e residências implantados no município para atendimento ao Plano de Mobilidade Urbana.

Entre essas regras estão os limites para o rebaixamento das guias.

Guia rebaixada no centro de Adamantina (Siga Mais).

Na área central, o percentual máximo é de 40% da testada. Nas demais áreas, para os projetos e plantas enquadrados na regra estabelecida pela legislação, o limite é de 50%.

A existência desses percentuais busca estabelecer um equilíbrio entre a necessidade de acesso dos veículos aos imóveis e a preservação das condições de circulação, acessibilidade e utilização do espaço urbano.

Impacto aparece no cotidiano

O problema do estacionamento no centro não se resume a uma única intervenção.

A redução de vagas ocorre de forma pulverizada: um imóvel rebaixa parte da guia, outro adota solução semelhante, e assim sucessivamente.

Quando essas intervenções se concentram em uma mesma região, o resultado é uma redução gradual dos espaços disponíveis para os motoristas. 

Para quem precisa estacionar no centro, a diferença é prática: quanto maior a extensão das guias rebaixadas, menor é o espaço contínuo disponível para estacionamento junto ao meio-fio.

O desafio, portanto, está em conciliar essas duas demandas: garantir o acesso aos imóveis sem comprometer de forma excessiva a utilização do espaço público e a oferta de estacionamento nas áreas de maior movimento da cidade.

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