Marilene, da dupla As Galvão, morre aos 80 anos
Velório e o sepultamento da artista serão realizados nesta quinta-feira (25) em Paraguaçu Paulista.
Morreu na tarde desta quarta-feira (24) a cantora Marilene Galvão, da dupla sertaneja As Galvão, aos 80 anos. A artista sofreia de mal de Alzheimer. Com a irmã Mary Galvão, a dupla "Irmãs Galvão" coleciona mais de 300 músicas gravadas em 80 discos, em mais de 70 anos de carreira.
A artista morreu no Hospital Professora Lydia Storópoli, onde estava internada. O velório e o sepultamento do corpo de Marilene Galvão serão realizados nesta quinta-feira (25) em Paraguaçu Paulista. A causa da morte dela não foi divulgada.
Carreira
Segundo o site oficial da dupla, foi na Rádio Club Marconi, de Paraguaçu Paulista, no ano de 1947, que Mary (nascida em Ourinhos), e Marilene (em Palmital), nasceram artisticamente como Irmãs Galvão. Na época elas tinham sete e cinco anos, respectivamente. Incentivadas pelos pais, Bertholdo e Maria, e por Mário Pavanelli, a estreia foi em um programa comandado por Sidney Caldini.
(Reprodução/Site As Galvão).
Depois de passarem pelas rádios Difusora de Assis e Cultura de Maringá (PR), elas sonhavam ir para São Paulo. A oportunidade veio por meio do Dr. Miguel Leuzi, proprietário de uma rede de emissoras, que as recomendou para uma apresentação na Rádio Piratininga de São Paulo.
Lá chegando, foram inscritas em um programa de calouros, “Torre de Babel”, sob o comando de Salomão Ésper. Não concorreram ao prêmio, mas cantaram, encantaram e se tornaram profissionais da emissora.
A boa repercussão da participação rendeu-lhes uma melhor oferta para cantarem na Rádio Nacional, atual Globo e, em seguida, um contrato pela Rádio Bandeirantes, para os programas “Na Serra da Mantiqueira”, apresentado por Comendador Biguá, e “Brasil Caboclo”, por Capitão Barduíno.
(Reprodução/Site As Galvão).
Agradaram em cheio e foram procuradas e contratadas por Diogo Mulero, o “Palmeira”, diretor artístico da RCA Victor. Veio, então, o primeiro 78 rotações da carreira e a agenda, já bem recheada de shows, ficou repleta de compromissos devido ao sucesso que as músicas “Carinha de Anjo” e “Rincão Guarani” faziam nas rádios de todo o Brasil.
Além da RCA, ao longo da carreira a dupla passou pelas gravadoras Chantecler, CBS, Phillips, Continental, Warner e a Atração.
Beijinho Doce e outro sucessos
Ao longo dos 70 anos de carreira as Irmãs Galvão se apresentaram em estúdios de rádios, circos, teatros, ginásios, clubes, casas de cultura e praças.
O sucesso dos primeiros programas exclusivamente sertanejos na televisão garantiu uma posição de prestígio a este gênero musical, que passou a ser mais executado do que a chamada “música urbana”. E as Irmãs Galvão sempre estavam entre as figuras de proa no “Viola, Minha Viola”, “Som Brasil”, “Canta Viola”, “Especial Sertanejo” e “Musicamp”, entre outros.
(Reprodução/Site As Galvão).
Em 1985, o Maestro Mário Campanha começa a produzir os discos da dupla e com ela inaugurar uma fase mais moderna. Assim, em 1985, lançam a lambada “No Calor dos Teus Abraços” e, com este LP, ganham Disco de Ouro, o que as projeta nacional e internacionalmente, com músicas tocadas em Portugal, Canadá e na Suíça.
Outros discos e prêmios vieram, entre os quais Prêmio Sharp, Prêmio Caras de Música e indicação ao Grammy Latino. Foi nesta fase que sentiram a necessidade de uma mudança e consultando a numerologia feita por Baralites Campanha, adotaram o nome As Galvão, sem deixarem de ser Irmãs.
(Reprodução/Site As Galvão).
“Beijinho Doce” (originalmente gravada pelas Irmãs Castro, em quem se espelharam no começo da carreira) “No Calor dos Teus Abraços”, “Pedacinhos”, “Coração Laçador”, “Menino Canoeiro” e “Lembrança”; são alguns de seus sucessos. “Pecado Loiro”, “Não Me Abandones” e “Apenas Um Pecado”, lançadas pelas Galvão, foram, mais tarde, regravadas por várias duplas.
Em Sapezal, distrito de Paraguaçu Paulista, foi criado o Memorial As Galvão, inaugurado em 2013.
O último trabalho
O último trabalho da dupla foi o DVD “Soberanas”, o primeiro dos 70 anos de carreira, gravado em 2017 em São Carlos. Junto ao DVD lançaram ainda um livro e um documentário.
(Reprodução/Site As Galvão).
Após o lançamento do DVD – As Galvão tiveram grandes homenagens. Receberam convites para participarem de vários programas de televisão como forma de parabenização, como Globo, Record, SBT, RedeTV, Gazeta, Cultura, Rede Vida, Rede Família, TV Aparecida entre outros, e o que mais marcou foi a indicação ao Grammy Latino 2018, realizado em Las Vegas (EUA).
O fim da dupla foi anunciada por Mary Galvão em entrevista a André Piunti, publicada no YouTube em 19 de junho de 2021. O motivo do término era o avanço do Alzheimer que obrigou Marilene a se retirar de cena pela perda total de memória.
Memorial
Em Sapezal, distrito de Paraguaçu Paulista, foi criado o Memorial As Galvão, inaugurado em 2013. O espaço foi instalado na casa onde residia o telegrafista da antiga FEPASA, ao lado da Estação Ferroviária do distrito. No local, foi disponibilizado um acervo com dados sobre a dupla, além de fotos, objetos e instrumentos musicais que retratam a vida e carreira das artistas que por mais de 60 anos representam a cultura brasileira através da música caipira.
(Reprodução/Site As Galvão).
(Reprodução/Site As Galvão).
As irmãs Mary e Marilene Galvão passaram parte de sua infância no distrito de Sapezal, onde iniciaram a carreira artística, graças ao incentivo de seus pais Bertholdo e Maria, que acreditaram no sucesso de suas filhas e fizeram com que elas se tornassem ícones da música sertaneja.