Imóvel histórico onde imperador do Japão ficou hospedado é alvo de demolição
Sem proteção legal, imóvel histórico é alvo de intervenção e demolição.
Um imóvel localizado na alameda Padre Nóbrega, em Adamantina, que abrigou uma tradicional família de japoneses, pioneira na cidade, é alvo de demolição, que já atinge parte da estrutura.
No local, foram hospedados o príncipe do Japão e sua comitiva, em visita oficial ao município. Segundo o livro “Jubileu de Ouro de Adamantina”, escrito por Cândido Jorge de Lima, essa visita aconteceu em 5 de outubro de 1952, quando o príncipe do Japão, Kouchio Outani e sua esposa, a princesa Satoko Outani, estiveram no Brasil, agradecendo o governo brasileiro pela forma com que foram tratados os japoneses, durante a Segunda Guerra Mundial. O casal real ficou hospedado nesse imóvel por cinco dias.
Esse imóvel é citado entre aqueles de interesse histórico, descritos nas Zonas Especiais de Interesse (ZEI), no Plano Diretor de Adamantina, como prevê seu Artigo 36: “Denominam-se Zonas Especiais de Interesse (ZEI) as frações do território que, por suas características próprias, requerem planos, programas ou projetos específicos para a sua urbanização, voltados a ações de requalificação urbana, de proteção histórica, urbanística, cultural, ambiental e de interesse de promoção da política habitacional” (leia aqui).
Nesse caso, os imóveis de interesse histórico são aqueles que, prioritariamente, seriam alvo de preservação e tombamento, e Adamantina conta com dispositivos legais que autorizam o Poder Público Municipal a promover essas medidas, contidas na Lei Municipal Nº 3.651, de 24 de abril de 2015 (leia aqui).
O Artigo 1° define que o Patrimônio Histórico e Cultural de Adamantina é formado pelos bens móveis, imóveis, naturais e construídos, materiais simbólicos, públicos ou privados, que pelo seu valor mereçam a proteção do Poder Público Municipal, podendo reunir um ou mais valores, entre históricos, arquitetônicos, ambientais, naturais, paisagísticos, museológicos, iconográficos, etnográficos, arquivísticos, bibliográficos, documentais ou quaisquer outros de interesse das demais artes ou ciências, levando-se em conta os aspectos cognitivos estéticos ou afetivos que estes tenham para a comunidade.