Arca completa 25 anos de atuação e assistência a pacientes renais crônicos
Associação dos Renais Crônicos de Adamantina completou 25 anos na segunda-feira, 9.
A Arca – Associação dos Renais Crônicos de Adamantina completou nesta segunda-feira (9) seus 25 anos de atuação na cidade, em suporte complementar a pacientes renais crônicos da cidade e região que realizam sessões de diálise e hemodiálise, e seus familiares. Em duas décadas e meia, o trabalho de seus dirigentes, colaboradores e voluntários, apoiados pelo poder público e sociedade civil, permite reunir uma coleção de histórias de superação.
A entidade sem fins lucrativos presta assistência aos pacientes e familiares de Adamantina e região através de distribuição de cestas básicas, complementação do fornecimento de medicamentos, atividade de entretenimento durante as sessões de hemodiálise, terapia ocupacional através de artesanato, visitas em domicílios, campanha de prevenção e conscientização (palestras) e apoio aos transplantados.
Toninha, ao centro, em pequena celebração que marcou os 25 anos da ARCA (Reprodução).
A Associação conta com o trabalho de voluntários dedicados na realização de seus eventos, entre eles, o Bazar Beneficente permanente, que funciona todos os dias na sede da entidade, além do jantar beneficente, porco no rolete, jantar do Dia Internacional da Mulher, bingo e participação em feiras e promoções municipais que são realizadas anualmente.
Essas ações permitem subsidiar o custeio da entidade e seus serviços. A Arca recebe também apoio do poder púbico municipal, através de subvenção financeira, e doações feitas pela comunidade, igrejas e sociedade civil organizada, e tem sua sede à Rua Mário Olivero, 245 (esquina da Capela da Santa Casa), com telefone (18) 3521-5089.
Vocação para fazer o bem
A entidade foi oficialmente instalada em 9 de setembro de 1999. Toda a concepção institucional e sua missão foram inspiradas pela auxiliar de enfermagem Antônia Maria da Conceição, a “Toninha da Arca”, fundadora e atual presidente da instituição. Ela trabalhava no setor de hemodiálise da Santa Casa e desde então convive diariamente com pacientes e familiares.
Antecedendo a fundação da Arca – lembra Toninha – ela havia passado por uma experiência muito marcante, quando um paciente da hemodiálise chorava bastante e a médica pediu que conversasse com ele.
Pouco depois o paciente havia iniciado as sessões de hemodiálise após a constatação médica acerca da retração na sua atividade renal, precisando reorganizar sua rotina, face às limitações ao trabalho. E após se alimentar, o homem agradeceu satisfeito pela refeição que havia feito no hospital e desabafou. “Já tomei café e almocei, mas na minha casa não tenho comida para minha família”, disse o paciente.
Sensibilizada, Toninha tomou o desafio para si. “Vou dar um jeito”, disse à época. Rapidamente ela mobilizou familiares e amigos e conseguiu providenciar uma robusta cesta básica para o homem. “Isso me tocou”, diz hoje, ao relembrar do fato. “A ideia de um trabalho para pacientes nessa condição surgiu nesse momento”, recorda.
Sede da Arca, antes da aquisição do imóvel e reformas (Foto: Arquivo/Arca).
Inquieta, Toninha tratou rapidamente de buscar referências, ente elas uma instituição em Tupã, que prestava apoio a pacientes renais e seus familiares. Ela conheceu o trabalho, se apropriou do estatuto para usar como modelo e começou a rascunhar o novo estatuto da nova instituição adamantinense. Conseguiu também reuniu seis pessoas e montou a primeira diretoria e a médica nefrologista Maria Amélia Abdo foi empossada como primeira presidente.
Nasceu então a Arca, que funcionava inicialmente em uma sala da Santa Casa, depois se instalou em uma sala junto ao setor de hemodiálise e por fim ocupa uma sede própria, adquirida pela Prefeitura de Adamantina na gestão do prefeito Kiko Micheloni, que depois de reformada foi doada à instituição.
Então prefeito Kiko Micheloni, em dezembro de 2012, na entrega definitiva do imóvel à Arca, adquirido e reformado pelo município (Foto: Arquivo/Arca).
Com um trabalho consolidado, se tornou referência para outros serviços semelhantes. Recebe visita das de pessoas interessadas em conhecer suas atividades, com o desafio de replicar essa experiência nas duas cidades.
Dimensão do trabalho
O setor de hemodiálise da Santa Casa atende pacientes de toda a região que dependem dos serviços, cujo equipamento realiza as funções renais, face à limitação ou incapacidade dos órgãos, no corpo humano. O papel da Arca é apoiar esse grupo, dentro e fora do setor de hemodiálise.
É no espaço hospitalar que a Arca tem contato com os pacientes e suas histórias, muitas delas de dificuldades e limitações, que se ampliam ainda mais com a restrição decorrente da doença. “Quando identificamos esses casos, atuamos para promover todo o suporte necessário a esse paciente e seus familiares, para que fiquem assistidos e tenham um apoio complementar, e que muitas vezes se torna decisivo”, diz Toninha.
Entre essas ações complementares a pacientes sem condições econômicas, sociais e emocionais, a Arca atua no fornecimento de cestas básicas, fornecimento de complementos nutricionais, fraldas geriátricas e roupas. Há situações em que a Arca atua para garantir o direito a medicamentos e exames laboratoriais, e quando isso não ocorre, utiliza os próprios recursos financeiros para compra de remédios e contratação de exames laboratoriais e de imagem, entre outros.
Alojamento para pacientes e acompanhantes, na sede da instituição (Foto: Arquivo/Arca).
Bazar Beneficente permanente, que funciona na Arca (Foto: Arquivo/Arca).
Outro destaque é a atuação da Arca no suporte a pacientes que passarão por transplante, onde é exigida uma ampla bateria de exames. “Quando não é possível realizar pela rede pública ou o paciente não dispõe de recursos para fazê-los, agimos para garantir isso e permitir que o transplante ocorra”, destaca Toninha.
As ações em favor dos pacientes, sobretudo carentes, vai mais longe: A Arca já se mobilizou para reformar casas, construir banheiros e a auxiliar casos que estão fora da atenção central da entidade, que são os pacientes renais. Houve um caso, por exemplo, que a instituição se mobilizou para viabilizar uma prótese ortopédica a um paciente, e consegui devolver a qualidade de vida ao mesmo.