Cidades

Após vídeo de agressão a cachorro, operação encontra cães mutilados e resgata animais

Ação mobilizou protetores, Polícia Civil, Prefeitura e deputado estadual ativista da causa animal.

Por: Da Redação atualizado: 6 de setembro de 2026 | 13h41
Segmentos de rabos de dois filhotes de cachorros encontrados no local (Siga Mais). Segmentos de rabos de dois filhotes de cachorros encontrados no local (Siga Mais).

O caso de maus-tratos a animais denunciado nesta sexta-feira (4) em Adamantina ganhou novos desdobramentos após uma ação realizada no imóvel onde teria ocorrido a agressão registrada em vídeo. Além do episódio que motivou a denúncia, foram encontrados cães com mutilações, condições consideradas insalubres e outras situações que deverão ser analisadas durante a investigação.

A ocorrência foi registrada na Alameda José Francisco de Azevedo, na região próxima ao ATC e ao Parque dos Pioneiros. O Siga Mais esteve no local e acompanhou a mobilização envolvendo protetores independentes, Polícia Civil, Prefeitura e profissionais da área veterinária.

O vídeo que deu origem à denúncia mostra um homem agredindo um cachorro de pequeno porte, ocorrida hoje, nas primeiras horas da manhã. Ainda estava escuro. Segundo relato apresentado pelo próprio morador, a agressão teria ocorrido depois que o animal o mordeu na perna e estaria atacando galinhas criadas no imóvel.

Dois cães resgatados, entre eles o que provavelmente foi alvo da agressão (Siga Mais).

Durante a ação desta sexta-feira, cinco cães foram retirados do local — três filhotes e dois adultos. Os animais foram encaminhados inicialmente para um abrigo provisório em Osvaldo Cruz e, posteriormente, deverão ser levados para Cotia, na região metropolitana de São Paulo, onde ficarão sob os cuidados do Instituto ELPA até que possam ser encaminhados para adoção.

Operação no local denunciado (Siga Mais).

A mobilização contou com a participação do deputado estadual Rafael Saraiva, ativista da causa animal, que estava na região quando tomou conhecimento do caso e veio a Adamantina para acompanhar o resgate. Ele também orientou sobre a retirada das aves mantidas no imóvel.

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Filhotes com caudas amputadas

Um dos principais achados durante a ação foi a identificação de três filhotes com as caudas amputadas. No local foram encontrados dois segmentos de cauda, que seriam de cães filhotes.

A prática de amputação da cauda por razões meramente estéticas é proibida pelas normas profissionais da medicina veterinária e também é tratada pela legislação brasileira como uma forma de maus-tratos quando realizada de maneira inadequada ou sem indicação permitida.

Segmentos de rabos de dois filhotes de cachorros encontrados no local (Siga Mais).

O médico-veterinário Felipe Pinto Soares, apoiador da causa animal, acompanhou a ação e avaliou que as condições encontradas podem caracterizar maus-tratos. “É uma coisa que já é maus-tratos. Os filhotes, três filhotes com o rabo amputado, hoje já é proibido pelo nosso conselho, até pela legislação brasileira”, afirmou.

Filhotes com caudas amputadas, resgatados (Siga Mais).

Segundo ele, também foram identificadas condições insalubres no imóvel, além de carcaças de aves e presença de miíase, situação que deverá ser considerada na avaliação veterinária.

Vitor Pinto Soares, também médico veterinário apoiador da causa animal, apoiou as buscas.

Laudo e perícia

A Polícia Civil esteve no endereço para acompanhar a ocorrência. O delegado Yuri Munhoz Silveira informou que a denúncia será apurada com base nos elementos encontrados durante a ação.

Foi requisitada perícia no imóvel. O morador e testemunhas também deverão ser ouvidos no decorrer da investigação.

Operação no local denunciado (Siga Mais).

O médico-veterinário José Mauro Zambão, da Prefeitura de Adamantina, informou que irá produzir um laudo técnico sobre as condições verificadas em relação aos animais.

Além da Polícia Civil e dos protetores, equipes da Prefeitura e da Vigilância de Zoonoses acompanharam a ação.

Resgate é apenas o início

Para os protetores envolvidos, o resgate representa apenas a primeira etapa de um processo que ainda inclui atendimento veterinário, acolhimento e encaminhamento dos animais para adoção.

Karina dos Santos Cypriano, voluntária da ONG Protetores Independentes de Adamantina, destacou a importância da mobilização e da denúncia formal de situações de maus-tratos. “Agora o ponto inicial é resgatar e fazer acontecer. A partir do resgate, agora vem clínica veterinária e depois da veterinária tem o local para ele ficar, para ser abrigado e depois uma adoção”, explicou.

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Segundo Karina, a participação da população é fundamental para que situações de maus-tratos sejam identificadas e investigadas. “O início de tudo é prova, é vídeo, é foto. Não adianta você ir lá sozinho bater boca, porque não vira nada. Tem que ter prova”, orientou.

Operação no local denunciado (Siga Mais).

Ela também reforçou que a mobilização realizada nesta sexta-feira representa apenas o começo do trabalho em torno do caso. “É só a pontinha do iceberg, que é 1%, porque tem muita coisa ainda para rolar”, afirmou.

Os animais resgatados deverão passar por avaliação e cuidados veterinários antes de serem encaminhados para a etapa de acolhimento e, posteriormente, adoção.

A investigação da Polícia Civil deverá reunir os registros feitos no local, o material em vídeo que originou a denúncia, o laudo veterinário, a perícia e os depoimentos das pessoas envolvidas.

AtualizaçãoApós flagrante de agressão a animais, buscas encontram 4 filhotes enterrados em imóvel de Adamantina.

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