Saúde

Uma década após realizar cadastro no Redome, morador de Adamantina faz doação de medula

Doação foi realizada na cidade de São José do Rio Preto através do método de aférese.

Por: Everton Santos | Jornal Diário do Oeste atualizado: 27 de julho de 2022 | 07h43
O técnico bancário Celso Alves de Souza em Rio Preto, onde fez a doação de medula (Acervo Pessoal). O técnico bancário Celso Alves de Souza em Rio Preto, onde fez a doação de medula (Acervo Pessoal).

O técnico bancário da agência de Adamantina da Caixa, Celso Alves de Souza, de 48, residente em Adamantina desde 2011, é um em 100 mil! No final do ano passado ele recebeu um telefonema da equipe do Registro Nacional de Medula Óssea (Redome) informando que sua medula era compatível com a de uma pessoa que estava na fila, à espera por um transplante.

Ao jornal Diário do Oeste, Celso revela que todo o processo teve início em 2011 em uma celebração e final de ano da Caixa, na cidade de Rio Preto. Foi esta iniciativa da empresa que levou ele e sua esposa, Fernanda, a aderirem à campanha de doação de leite e coleta de amostras de sangue para o registro no banco nacional de doadores. “Fizemos o cadastro para, se houvesse compatibilidade, ter essa possibilidade, mas não imaginava que isso pudesse realmente acontecer, pois as chances são muito difíceis”, destaca.

Celso, Fernanda e o filho do casal (Acervo Pessoal).

Mas o tempo provou que as chances eram difíceis, mas não impossíveis. E, 10 anos depois, no final de 2021, Celso foi contatado pela central do Redome, que fica no Rio de Janeiro. “Então fizemos um novo ciclo de exames, com uma nova coleta no hemocentro em Araçatuba e o processo foi caminhando até chegar agora em junho, quando passei por nova bateria de exames mais específicos”, revelou. “É um processo bem complexo para que eles possam ter a que ter certeza de que o receptor ele tá recebendo material 100%”, completou.

Celso enaltece que todo esse processo é cercado de muitos cuidados para que a equipe médica tenha total confiança de que o doador não seja portador de doenças preexistentes e/ou transmissíveis. “Após essa etapa, o processo de doação foi realizado em junho, na cidade de São José Rio Preto”.

Desde o deslocamento até a hospedagem, todos os custos foram arcados pelo Redome. “O processo é muito bem organizado. Eles cuidam muito bem de todos os detalhes, ligam pra gente depois dos procedimentos, acompanham cada etapa”, reconhece Celso.

Chances de se encontrar um doador de medula óssea com compatibilidade viável é de 1 em cada 100 mil (Acervo Pessoal).

O processo de doação escolhido no caso do morador de Adamantina foi por aférese. Neste procedimento, através de uma agulha colocada na veia do braço do doador, o sangue é bombeado para o interior de um equipamento o qual irá separar parte das hemácias ou das plaquetas para doação. O equipamento irá reter apenas as células necessárias devolvendo para o doador as restantes.

Nos cinco dias que permaneceu em São José do Rio Preto, Celso foi atendido no Hospital de Base, local em que recebeu medicações para estimular a produção de células tronco em seu organismo. Ele revela que as injeções provocam alguns sintomas e incômodos, mas nada que atrapalhe ou impeça o bem maior que ajudar a salvar uma vida. “Lá você vê como que é a realidade. Você vê pessoas na luta pela sobrevivência, na esperança por um tratamento”, destaca. “Foi muito gratificante participar desse processo”.

A receptora das células doadas por Celso, identificada apenas pelo nome fictício de Andrea, tem 62 quilos. Após 6 meses da data da infusão da medula, Celso poderá solicitar notícias da receptora e, depois de 1 ano e meio, poderá solicitar a revelação e, quem sabe, até um possível encontro.

Gesto importante

Doar medula óssea é um gesto muito simples e pode ajudar a salvar uma vida. Apesar da facilidade de doação e cadastro, as chances de encontrar doador compatível ainda é pequena, de um em cada cem mil. Por isso, quanto mais pessoas se cadastrarem no Registro Nacional de Medula Óssea (Redome) maior serão as chances disso acontecer.

O cadastro (veja mais informações abaixo) é feito em qualquer hemocentro (alguns bancos de sangue não possuem infraestrutura), por meio da simples coleta do sangue e cadastro de dados, que devem ser atualizados constantemente em caso de mudança de endereço ou telefone.

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Como funciona a doação de medula óssea no país

Dados do Registro Nacional de Medula Óssea (Redome) mostram que, no Brasil, cerca de 650 pessoas aguardam na fila por uma doação de medula de um doador que não seja um parente. A boa notícia é que o número de doadores voluntários cadastrados tem aumentado expressivamente nos últimos anos. Em 2000, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), eram 12 mil inscritos e, dos transplantes de medula realizados, apenas 10% dos doadores eram cadastrados no Redome. 

Hoje, com mais de 5,5 milhões de doadores inscritos, o Brasil tem o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. “A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca, é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado”, explicou o instituto.

Transplante de medula óssea salva vidas (Agência Brasil/EBC).

A medula, conhecida popularmente como tutano, é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos. Nela, são produzidos os componentes do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo o organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Já os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do organismo, combatendo infecções. Por fim, as plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Como doar

Para ser um doador no Brasil, basta procurar um hemocentro (alguns bancos de sangue não possuem essa estrutura) e agendar uma consulta de esclarecimento sobre a doação de medula óssea. 

O voluntário precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. Ele vai assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue - 10 mililitros (ml) - do candidato a doador. É necessário apresentar o documento de identidade.

A partir daí, o sangue é analisado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório que identifica características genéticas a serem cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade. Em seguida, os dados pessoais e o tipo de HLA são incluídos no Redome. O Inca alerta para a importância de manter os dados sempre atualizados, tendo em vista que, quando houver um paciente com possível compatibilidade, o voluntário será consultado para decidir quanto à doação. Para seguir com o processo, são necessários outros exames que confirmem a compatibilidade, além de uma avaliação clínica de saúde. Somente ao final dessas etapas o doador poderá ser considerado é apto.

Há riscos?

Segundo o Inca, relatos médicos de problemas graves ocorridos a doadores durante e após o procedimento são raros e limitados a intercorrências controláveis. Por isso, o estado físico de saúde do doador é checado. “Em alguns casos, é relatada pequena dor no local da punção, dor de cabeça e cansaço. Por volta de 15 dias, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada”, acrescentou o instituto.

Pacientes

No transplante de medula, a rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer. Por isso, existe a preocupação com a seleção do doador adequado e o preparo do paciente. O sucesso do transplante depende de fatores como o estágio da doença, o estado geral e as boas condições nutricionais e clínicas do paciente e do doador.

“Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova 'memória' e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns dos seus órgãos como estranhos. Essa complicação, chamada de doença do enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados”, garante o instituto.

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