Saúde

Espera por internação psiquiátrica repercute nas redes sociais; veja como isso funciona

Caso de paciente psiquiátrica, em surto, à espera de vaga, repercute neste fim de semana.

Por: Da Redação atualizado: 6 de janeiro de 2021 | 15h45
Vagas no PAI Nosso Lar são disponibilizadas pela Central de Vagas. Clínica atende pacientes de mais de 60 cidades da região de Marília (Foto: No Click com o Senhor). Vagas no PAI Nosso Lar são disponibilizadas pela Central de Vagas. Clínica atende pacientes de mais de 60 cidades da região de Marília (Foto: No Click com o Senhor).

Uma postagem nas redes sociais, neste fim de semana, mostrou o drama de uma mãe que levou a filha de 28, com problemas psiquiátricos, ao pronto-socorro (PS) da Santa Casa de Adamantina, na expectativa de obter o encaminhamento para a clínica psiquiátrica PAI Nosso Lar. A mãe foi ao PS no sábado (2) e ainda no domingo o caso seguia sem solução.

A jovem tem esquizofrenia e nos picos da crise fica agressiva, o que põe em risco sua própria integridade física e de terceiros, além de ficar submetida a sofrimento intenso. Ela é paciente recorrente em hospitais psiquiátricos, estava em casa e necessitava de nova internação. As imagens divulgadas nas redes sociais mostravam a paciente em crise, inclusive deitada no chão, no acesso ao PS.

Familiares da paciente desejavam a pronta-internação da jovem, para que pudesse receber o tratamento adequado para seu caso. A internação, todavia, como em todos os serviços hospitalares pelo SUS, fica sujeita à disponibilidade na central de vagas, em um serviço denominado CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviço de Saúde).

No que se refere à clínica PAI Nosso Lar, a instituição adamantinense é referência em atendimento psiquiátrico para 62 cidades do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Marília, credenciada a receber pacientes de todas essas localidades. A instituição local não é “portas abertas”, e toda internação depende de encaminhamento por outro serviço de saúde, seja um pronto-socorro, UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) ou CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).

Os encaminhamentos, por sua vez, devem ser feitos pelos pronto-socorro, UPAs e CAPS da região de Marília, para a CROSS, que por sua vez, verifica a disponibilidade de vaga junto ao hospital psiquiátrico, e direciona para a internação nesse serviço.

No caso da Clínica PAI Nosso Lar, a instituição adamantinense, por não ser “portas abertas”, definiu junto ao DRS de Marília os horários para receber pacientes via CROSS, sendo de segunda a sexta, das 7h às 18h. Em situações fora dessa faixa, ou seja, em período noturno, finais de semana e feriados – consideradas emergências – esses pacientes devem ser atendidos nos serviços como PS e UPA, medicados e colocados em leito de observação, de curta permanência, à espera da vaga.

Segundo apurou o SIGA MAIS, há normatização definida pelo SUS que prevê aos serviços de emergência a disponibilização de dois leitos para pacientes psiquiátricos, para esses atendimentos, até que se obtenha a vaga via CROSS, podendo ainda ser aplicada conduta medicamentosa e mecânica, para suporte emergencial a esses pacientes. (Continua após a publicidade...)

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Repercussão e obtenção da vaga

O caso da jovem, à espera por vaga psiquiátrica, repercutiu nas redes sociais e a publicação feita no sábado gerou centenas de compartilhamentos.

No pronto-socorro, segundo apurou o SIGA MAIS, o caso deu entrada na sexta-feira (1), feriado de Ano Novo, onde a jovem teria sido atendida e medicada, e o pedido de vaga inscrito no CROSS. Porém, não houve a internação na Santa Casa.

No sábado (2) ocorreu a publicação do vídeo nas redes sociais. No domingo (3) a jovem foi hospitalizada tendo sua mãe como acompanhante, sendo medicada e estabilizada, até a liberação da vaga em serviço clínico específico.

Já nesta segunda-feira (4), ao abrir o expediente de atendimento ao público, a Clínica PAI recebeu a comunicação da CROSS e imediatamente disponibilizou a vaga, para receber a paciente adamantinense.

O SIGA MAIS verificou ainda que os representantes da Clínica PAI Nosso Lar ficaram sabendo deste caso depois das publicações nas redes sociais, não tendo sido procurados quando do início do problema.

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