Delegado preso na capital paulista, em operação da PF e GAECO, tem origem em Adamantina
Investigação apura a existência de um suposto esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro.
Um delegado, um escrivão e quatro investigadores da Polícia Civil, além de três advogados, dois doleiros e empresários, estão entre os alvos da Operação Bazaar, deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em ação conjunta com a Polícia Federal, por intermédio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil.
A investigação apura a existência de um suposto esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que, segundo os investigadores, teria se instalado em setores estratégicos da Polícia Civil paulista.
Entre alvos da operação está o delegado João Eduardo da Silva, atualmente no 35° Distrito Policial (DP), no Jabaquara, na capital paulista, onde ocorreram buscas pela manhã. Segundo fontes do Siga Mais, o delegado investigado teve sua origem em Adamantina. Foi estagiário no terminal rodoviário local, quando então deixou a atividade e ingressou na Polícia Militar, após aprovado em processo de seleção.
Mais adiante foi aprovado em concurso público para ingresso nas carreiras de delegado da Polícia Civil de SP, onde tomou posse em julho de 2004. Ao fim do estágio probatório, em agosto de 2007, foi efetivado, e seguia na atividade.
A operação desta quinta-feira repercutiu na imprensa em todo o país. A decisão judicial que autorizou a ação cita uma "investigação de gaveta" – conduzida em 2022, fora dos trâmites oficiais, pelo delegado, tendo como escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz – usada para pressionar investigados a negociar pagamentos ilícitos. Na época, os dois eram lotados no 16º DP, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo.
Preso, o delegado será ouvido pelas equipes de investigação e poderá e defender das acusações. O Siga Mais não conseguiu acesso às defesas dos citados, até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.
Saiba mais sobre a operação
Segundo as investigações – divulgou o MPSP em nota –, a organização atuava de forma coordenada para assegurar a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, fazia pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.
De acordo com a nota do MPSP, a operação realizada na manhã de hoje teve como objetivo romper a estrutura de proteção institucional indevida construída pelo grupo, bem como promover a responsabilização criminal dos envolvidos.
No total, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis.