DDM de Adamantina investiga grupo no Telegram que expôs mulheres e adolescentes da região
Polícia apura manipulação de imagens e comentários ofensivos; 31 vítimas já registraram queixa.
A Polícia Civil em Adamantina, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) local, instaurou inquérito policial para investigar a divulgação não autorizada de imagens de adolescentes e mulheres da região em um grupo de conteúdo sexual no aplicativo Telegram, que teria cerca de 900 integrantes.
De acordo com as primeiras informações apuradas, fotografias autênticas de moradoras da região, publicadas em perfis públicos nas redes sociais, foram republicadas no grupo sem autorização. Em alguns casos, as imagens teriam sido manipuladas digitalmente — possivelmente com o uso de inteligência artificial — para inserir os rostos dessas vítimas em corpos nus e em posições de cunho sexual.
Além da exposição das imagens, o grupo também reunia comentários considerados ofensivos e degradantes, com linguagem vulgar, xingamentos e expressões depreciativas dirigidas às mulheres retratadas nas publicações.
A DDM é responsável por investigar crimes relacionados à violência contra mulheres e teve suas atribuições ampliadas ao longo dos anos. Entre suas competências está a apuração de crimes contra a dignidade sexual envolvendo mulheres, crianças e adolescentes.
Denúncias começaram a surgir na segunda-feira
As primeiras denúncias chegaram ao portal Siga Mais ainda na noite de segunda-feira (9). Uma das jovens que teve sua imagem publicada relatou o drama provocado pela exposição nas redes.
Segundo o relato, a situação provocou forte abalo emocional. A jovem também disse ter se sentido ameaçada após um dos integrantes do grupo comentar que tentaria tirar uma nova fotografia dela caso a encontrasse na cidade.
Com o passar das horas, outras mulheres e adolescentes começaram a se identificar como possíveis vítimas. A partir do contato entre elas, surgiram novos relatos e o número de pessoas afetadas passou a aumentar.
Pelo menos 31 vítimas já registraram ocorrência
Conforme informou a DDM de Adamantina nesta terça-feira (10), 31 vítimas já formalizaram denúncia. Muitas delas compareceram à delegacia acompanhadas pelos pais, que também demonstraram preocupação e aflição diante da situação.
Há preocupação entre as vítimas quanto ao alcance das imagens, já que o conteúdo divulgado no grupo pode ter sido compartilhado em outros ambientes virtuais, ampliando a exposição indevida.
O boletim de ocorrência foi registrado na segunda-feira (9) e a delegada Patrícia Tranche Vasques determinou a abertura de inquérito policial para apurar os fatos.
A expectativa da polícia é que outras possíveis vítimas ainda procurem a delegacia para formalizar denúncia.
Polícia pede que vítimas reúnam provas
A DDM orienta que pessoas que tenham sido expostas procurem a delegacia e apresentem elementos que possam auxiliar nas investigações, como prints de tela, links do grupo, gravações de tela e outras evidências digitais.
Segundo a delegada responsável pelo caso, as responsabilidades serão individualizadas durante a investigação.
Isso significa que poderão responder criminalmente não apenas quem criou ou manipulou as imagens, mas também quem publicou, compartilhou ou contribuiu para a disseminação do conteúdo ofensivo.
Autoridades reforçam que a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência digital e responsabilizar os envolvidos.
As investigações seguem em andamento e novas informações poderão surgir à medida que a Polícia Civil avance na identificação dos envolvidos.
Requisições já foram encaminhadas ao Telegram
No curso da investigação, conforme a delegada, a Polícia Civil já encaminhou requisições à plataforma Telegram para obtenção de dados que possam auxiliar na identificação dos envolvidos.
O caso tramita sob segredo de Justiça, com base no artigo 234-B do Código Penal, que determina sigilo em processos relacionados a crimes contra a dignidade sexual, como forma de preservar as vítimas.
Possíveis crimes investigados
Os crimes serão analisados de forma individualizada e os investigados poderão responder por mais de um delito, conforme o grau de participação de cada pessoa no caso.
Entre as possíveis tipificações penais estão:
- Difamação (Artigo 139 do Código Penal): Consiste em divulgar fato ofensivo à reputação de alguém, atingindo sua imagem perante terceiros. A pena prevista é de detenção de três meses a um ano, além de multa.
- Importunação sexual (Artigo 215-A do Código Penal): Caracteriza-se pela prática de ato libidinoso contra alguém sem consentimento, com objetivo de satisfazer desejo sexual próprio ou de terceiros. A pena é de reclusão de um a cinco anos, se o fato não constituir crime mais grave.
- Divulgação de cena de sexo ou pornografia sem consentimento (Artigo 218-C do Código Penal): Tipifica a divulgação, sem autorização, de imagens ou vídeos de nudez ou conteúdo sexual. A pena prevista também é de reclusão de um a cinco anos, podendo ser aumentada quando houver intenção de humilhar ou expor a vítima.
Outras implicações penais ainda poderão ser identificadas ao longo da investigação, dependendo das circunstâncias e da participação de cada envolvido.