CADE aprova sem restrições aquisição da Adasebo por empresa americana
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprova transação.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, a operação de aquisição de ativos da Indústria de Rações Patense Ltda pela empresa norte-americana Darling Ingredients Inc., em decisão publicada no âmbito do Processo nº 08700.000772/2026-11.
A transação envolve a chamada Unidade Produtiva Isolada (UPI Bovinos), que inclui plantas industriais localizadas em Patos de Minas (MG), Itaúna (MG) e Adamantina, onde está inserida a unidade conhecida como Adasebo.
A unidade adamantinense paralisou suas atividades em julho de 2024, quando o Grupo Patense entrou em recuperação judicial, e agora vive a expectativa de retomada da sua operação.
A operação já havia sido tema de reportagem anterior do portal Siga Mais final de janeiro, ao destacar o interesse da companhia estrangeira na aquisição dos ativos da Patense, em processo ligado à reestruturação do grupo. O valor do negócio é de R$ 560 milhões.
Essa é a terceira aquisição relevante de plantas industriais brasileiras pelo grupo texano, em poucos anos. Antes, a Darling adquiriu a FASA, de segmento similar ao da Patense, e a GELNEX, que atua na produção de colágeno, em operações de valores bilionários.
A estratégia da Darling reforça a liderança global da companhia no reaproveitamento de subprodutos de origem animal.
Análise do CADE
De acordo com o parecer da Superintendência-Geral do CADE, conforme despacho publicado em 18 de fevereiro, a operação foi analisada sob rito sumário, previsto para casos em que não há riscos relevantes à concorrência.
O órgão avaliou os impactos nos mercados de:
- aquisição e processamento de resíduos e subprodutos do abate animal
- produção e comercialização de farinhas e gorduras de origem animal
A conclusão técnica aponta que a participação conjunta das empresas nos mercados analisados permanece abaixo dos níveis considerados preocupantes ou, quando superior a 20%, não apresenta impacto significativo na concentração, com variação de índice (HHI) inferior a 200 pontos — parâmetro utilizado para medir riscos concorrenciais.
Dessa forma, o CADE entendeu que a operação não possui potencial de prejudicar a concorrência, motivo pelo qual foi aprovada sem imposição de restrições.
A decisão de 18 de fevereiro foi publicada dois dias depois no Diário Oficial da União (DOU) com Certidão de Trânsito em Julgado publicada no dia 10 de março.
Contexto da operação
Segundo o documento, a aquisição representa uma estratégia da Darling Ingredients para expandir sua atuação no processamento de resíduos animais no Brasil, área em que já atua globalmente com produção de insumos para alimentação animal, produtos industriais e combustíveis renováveis.
Para a Patense, a venda dos ativos integra o processo de reestruturação financeira da empresa, em meio a medidas vinculadas à recuperação judicial.
Presença em Adamantina
A inclusão da unidade de Adamantina na operação reforça a relevância local no setor de reciclagem e processamento de subprodutos de origem animal. Com a aprovação do CADE, a transação fica liberada do ponto de vista concorrencial, permitindo o avanço dos trâmites empresariais para efetivação da aquisição.
A decisão do órgão federal não trata de aspectos operacionais ou ambientais das unidades envolvidas, limitando-se à análise dos impactos econômicos e concorrenciais da operação.
Com isso, a aquisição segue seu curso como parte do movimento de consolidação e reorganização do setor, com reflexos diretos também na atividade industrial instalada em Adamantina.
É provável que a Adasebo possa integrar a estrutura do Grupo FASA, que não tem unidades industriais no estado de São Paulo. Porém, não há nenhum pronunciamento oficial que possa sinalizar essa esse movimento. Por e-mail o Siga Mais solicitou informações à sede da Darling Ingredients Inc. e ao Grupo FASA, quanto à operação adamantinense, e aguarda posicionamento.
Grupo FASA
O Grupo FASA possui atualmente quinze plantas industriais para o processamento dos resíduos de origem animal no Brasil, sendo cinco no RS, duas em SC, uma no PR, duas no MS, uma no MT, uma em RO, duas plantas no PA e uma em MG, e mantém relações comerciais no Brasil e exterior, destacando países como Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Bangladesh, Vietnã, Malásia, Tailândia, Myanmar, Cambodja, Taiwan, Estados Unidos, Mexico, África do Sul, Moçambique, Angola, Nigéria, Ghana, Ilhas Maurício entre outros.