Autor do hino de Adamantina é homenageado nesta terça (17) pela Academia Brasileira de Música
Encontro especial com o músico será transmitido pelo canal da ABM no YouTube.
A Academia Brasileira de Música (ABM) realiza, neste ano, uma série de eventos online em que músicos e pesquisadores convidados promovem reflexões sobre temas atuais e relevantes para o desenvolvimento da música brasileira, nas áreas de composição, interpretação, educação musical e musicologia.
A estreia da temporada “Encontros ABM 2026” acontece nesta terça-feira (17) e contará com dois convidados. Um deles é Raul Thomaz Oliveira do Valle, autor da música e da letra do Hino de Adamantina, composto em 1956, quando tinha apenas 20 anos.
O encontro, com transmissão ao vivo pelo canal da ABM no YouTube, celebra os 90 anos de Raul do Valle e da também compositora Jocy de Oliveira. Ambos participam da roda de conversa, destacando suas contribuições para a música brasileira contemporânea. A transmissão começa às 18h, neste link.
A partir de trajetórias pioneiras, o diálogo abordará temas como memória, legado e permanência, refletindo sobre a construção histórica de uma modernidade musical brasileira. A mediação será de Ilza Nogueira e Manoel Corrêa do Lago, com participação de Rodrigo Cicchelli, propondo um diálogo entre biografia, obra e contexto institucional.
Saiba mais sobre o autor do hino de Adamantina
Raul do Valle construiu uma trajetória que se confunde com a própria história da música contemporânea brasileira. Nascido em Leme (SP), em 27 de março de 1936, é compositor, regente, professor e pianista, com uma obra marcada pela travessia de fronteiras geográficas, estéticas e tecnológicas, sem perder o vínculo com suas raízes.
Estudou com Camargo Guarnieri e diplomou-se em composição e regência pelo Conservatório Musical de Santos, em 1973, ano em que recebeu a Medalha de Ouro Ricordi Brasileira, entregue pelo maestro Eleazar de Carvalho. Em seguida, ingressou no corpo docente da Unicamp, onde atuou de 1974 a 2014, dedicando quatro décadas à produção intelectual e artística.
Ainda em 1974, mudou-se para a Europa. Em Paris, estudou com Nadia Boulanger; em Genebra, com Alberto Ginastera. A partir de 1976, fixou residência na capital francesa e aprofundou sua formação no centro da vanguarda musical do século XX, estudando com Olivier Messiaen, Pierre Boulez e Iannis Xenakis, além de participar de ateliers com John Cage, entre outros nomes fundamentais da música contemporânea.
Nesse período, também se especializou em música eletroacústica no Groupe de Recherches Musicales (GRM), sob orientação de Pierre Schaeffer e Guy Reibel, tornando-se um dos pioneiros dessa linguagem no Brasil.
Sua produção é vasta, com mais de 300 composições, incluindo obras sinfônicas, de câmara e eletroacústicas, além de trilhas para cinema, teatro, dança e projetos multimídia.
No cinema, compôs trilhas para documentários como “Beija-Flor” (1994), “Terra de Engenho” (1995) e “Encanto das Águas” (1996), produzidos pela EPTV e premiados internacionalmente.
Entre os principais reconhecimentos estão o Prix du Public e o Prix de la Critique, do Centro Internacional de Percussão de Genebra, pela obra “Cambiantes”, além do Prêmio APCA por “Contextura” (melhor obra sinfônica de 1980) e “...Os Ventos Quentes” (melhor obra experimental de 1984).
Seu perfil interdisciplinar resultou em uma das mais importantes contribuições institucionais à música brasileira: a fundação, em 1983, do Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (NICS) da Unicamp, que coordenou até 2000. O núcleo tornou-se referência nacional e internacional em pesquisa sonora, reunindo especialistas de música, física, biologia e engenharia elétrica.
Raul do Valle é membro fundador da Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica e da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, além de ter participado da fundação da Academia Paulista de Música e da Academia Campineira de Música. Em 1994, foi eleito membro efetivo da Academia Brasileira de Música, ocupando a cadeira nº 33.
Saiba mais sobre Raul do Valle no Museu Virtual de Adamantina.