Após se recusar a pagar zona azul, mulher agride agente com tapa no rosto em Adamantina
“Bater na cara foi uma humilhação muito grande”, relatou. Caso foi levado às autoridades.
Um agente da zona azul em Adamantina foi agredido com um tapa no rosto por uma mulher que havia estacionado seu carro em uma vaga e se recusado a pagar a tarifa de R$ 2, que é revertida ao IAMA (Instituto de Assistência ao Menor de Adamantina). O caso ocorreu na última sexta-feira (12), por volta das 11h, na Praça Dom Henrique Gelain, em frente à Igreja Matriz de Santo Antônio, no centro da cidade.
A motorista havia deixado o veículo em uma vaga destinada a idosos. Embora seja um espaço reservado para quem possui a credencial, a tarifa não é isenta e também deve ser paga. Ao ser abordada pelo agente, a mulher se negou a efetuar o pagamento.
Segundo relato do funcionário, de 43 anos, antes da agressão física a condutora chegou a chamar os agentes de “ladrões”. Diante da recusa, ele informou que a placa do veículo seria repassada à coordenação da zona azul para os devidos encaminhamentos, e usou o celular para fotografar o dispositivo de identificação.
Câmera da Igreja Matriz registrou a agressão (Siga Mais).
Na sequência, ao passar ao lado do agente, a mulher desferiu um tapa em seu rosto, derrubando o celular dele no chão. O trabalhador não reagiu, manteve o equilíbrio e a condutora deixou o local. O momento foi registrado por uma câmera de segurança da Igreja Matriz (assista).
Em entrevista ao Siga Mais, o agente contou que nunca havia passado por situação semelhante. Ele disse ter chorado logo após o episódio, sentindo-se humilhado. “Bater na cara foi uma humilhação muito grande”, relatou.
Há 10 anos, o funcionário integra o quadro do IAMA, entidade responsável pela gestão da zona azul no município. Localizada no Jardim Brasil, a instituição atende crianças e suas famílias, com serviços de creche e outros programas.
O espaço está aberto para a manifestação da condutora do carro.
Respeito ao trabalhador e à coletividade
O advogado Alexandre Pinto, que acompanha o caso, explicou as providências já adotadas. “Foi lavrado boletim de ocorrência em razão do episódio de vias de fato, conduta prevista no artigo 21 da Lei das Contravenções Penais, pela qual a agressora responderá na esfera criminal. Além disso, acompanharei o trabalhador e tomaremos todas as medidas necessárias para a garantia de seus direitos também nas demais esferas”, disse.
Ele também destacou a postura do funcionário agredido. “É importante ressaltar a inteligência emocional demonstrada pelo agente da zona azul. Mesmo estando absolutamente em seu direito e no cumprimento de suas funções, ele não revidou, não se exaltou e confiou nas autoridades e na Justiça, dando um exemplo de equilíbrio e respeito à ordem pública”.
Local onde ocorreu a agressão (Siga Mais).
O advogado concluiu com um apelo à sociedade: “É fundamental que se reconheça e respeite o trabalho dos profissionais da zona azul, que atuam de acordo com determinações legais e administrativas, contribuindo para a organização do trânsito e a mobilidade urbana. O respeito a esses trabalhadores é também respeito à coletividade e à própria cidadania”, afirmou.
Em maio de 2023 o Siga Mais publicou reportagem onde narra a rotina de desrespeito, humilhação e violência vivida pelos agentes da Zona Azul na cidade.
Não pagar a zona azul é infração de trânsito
O estacionamento rotativo pago, conhecido popularmente como zona azul, é um instrumento previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para organizar o uso das vagas públicas e garantir maior rotatividade em áreas de grande movimento.
Deixar de efetuar o pagamento da tarifa quando se utiliza uma vaga regulamentada constitui infração de trânsito. O CTB, em seu artigo 181, inciso XVII, estabelece que estacionar o veículo em desacordo com as condições regulamentadas especificamente pela sinalização — que inclui a obrigatoriedade de pagamento — é infração de natureza grave.
A penalidade prevista é multa no valor de R$ 195,23 e a anotação de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da possibilidade de remoção do veículo.