Durante sessão vereadores repudiam declarações do prefeito em rádio
Vereadores usam espaço no legislativo e fazem críticas à postura do administrador municipal
Grande parte do tempo dedicado à sessão da Câmara Municipal de ontem (31) foi tomado pelas discussões em torno do Projeto de Lei Complementar que permutaria o matadouro municipal por uma área de terras nas proximidades do novo prolongamento da Avenida Rio Branco, para instalação da FATEC. O projeto foi rejeitado por 7 votos a 1.
Com a rejeição, fica impossibilitada a permuta, com esta finalidade, e a questão da área para a instalação da FATEC continua pendente de decisão, e a iniciativa, neste caso, é prerrogativa exclusiva do Poder Executivo. A expectativa é que haja uma sensibilização da administração municipal para que encaminhe à Câmara, para votação, o projeto de lei envolvendo a área definida em 2012, ao lado do Terminal Rodoviário/Jardim Brasil, que é oficialmente considerada apta, pelo Centro Paula Souza (mantenedor da FATEC), para receber a construção do Faculdade.
Picaretas - Em plenário, o vereador Diniz disse que foi procurado por picaretas, que são intermediadores de negócios, muito presentes em transações de compra e venda de imóveis, que obtém comissões sobre esses negócios. “Até picareta veio atrás de vereador. A situação é vexatória”. O vereador Hélio José dos Santos também falou sobre essa questão. “Tem algo muito estranho aí. Uma coisa é o prefeito e seus secretários pedirem. Agora, picareta pedir, só e Adamantina mesmo, só na administração Ivo Santos”.
Permuta para matadouro - O vereador Hélio José dos Santos tocou no aspecto da permuta de área, que permitiria a volta do funcionamento do matadouro, que seria tocado pela iniciativa privada. “Somos favoráveis à permuta simples, mas isso não pode ser feito com o sacrifício da grande maioria, e atendendo ao interesse de algumas pessoas”, disse.
Ele e outros vereadores declararam que ao receber um projeto de permuta de área, que beneficie o matadouro, certamente o tema será bem recebido entre os vereadores.
“Não ficamos à mercê de aliados”, Maria de Lourdes Santos Gil.
No espaço dedicado às exposições orais dos vereadores sobre a Ordem do Dia, ficou evidente o repúdio dos mesmos às declarações dadas pelo prefeito Ivo Santos, em cadeia de rádio, no final da manhã de ontem, o que foi interpretado, pelos legisladores, como uma tentativa de colocar a população da cidade contra a Câmara Municipal. “Esses vereadores jamais votarão sob ameaça. Somos livres e responsáveis por nossos votos, e não ficamos à mercê de aliados e movidos por outros interesses, que não sejam os interesses da nossa população”, disse a vereadora Maria de Lourdes Santos Gil. “Não ficamos à mercê de aliados e de pessoas ligadas à administração que insistem em priorizar outros interesses”, completou.
A presidente da Câmara criticou ainda o anúncio feito ontem pelo prefeito, de construir um posto de saúde no terreno proposto em 2012 para a FATEC, nas proximidades do Terminal Rodoviário/Jardim Brasil, quando, distante cerca de 300 metros dali, há uma obra paralisada, de construção de um posto de saúde do programa saúde da família (Estratégia em Saúde da Família). “Em dois anos e meio de mandato não foi colocado nenhum tijolo naquele local”, disse.
Por fim, a presidente do legislativo também rebateu a declaração do prefeito, de que voltaria ao rádio nesta terça-feira para falar que votou contra ou a favor ao projeto de lei da permuta. “A sessão é transmitida ao vivo pela rádio e hoje mesmo a população vai saber quem votou contra e a favor”, completou.
“Afaste-se dos bajuladores”, Hélio José dos Santos, parafraseando Barack Obama.
"Se afaste dos bajuladores, se cerque dos que lhe avisam quando você está errado”. A frase é do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e foi dita em plenário pelo vereador Hélio José dos Santos. “Não faço nenhuma crítica à pessoa, mas aos ao prefeito, que está muito mal assessorado”, disse.
Ele lembrou a reunião que o prefeito teve com os vereadores, sobre este projeto de lei complementar, quando aparentou – segundo o vereador – estar sensibilizado e disposto a retomar a discussão em torno da área inicial. “Tivemos uma reunião positiva, mas as eminências pardas devem tê-lo convencido a rejeitar”, disse.
O vereador considerou também, na sua exposição oral, a existência de um abaixo assinado, com cerca de 3 mil assinaturas, pedindo a FATEC no local inicial, o que sequer foi considerado na decisão do Poder Executivo. E para contextualizar, citou uma frase do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que disse: “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”. Com essa colocação, invocou a sensibilidade do Executivo, em ouvir a população e considerar suas expectativas.
Hélio destacou que esse impasse envolvendo a área para FATEC tem trazido sérios prejuízos à cidade, em especial aos jovens. Ele defendeu seu voto contrário à permuta e defendeu a área inicial, rebatendo, com isso, as informações de que essa área é limitada. Ele citou a FATEC de Presidente Prudente, que em plena atividade, conta com mil alunos, enquanto a FATEC de Adamantina prevê uma população estudantil de 600 alunos, com os três curso previstos. “isso é fato, é realidade. Não estamos aqui com achismos”, disse. Ele ressaltou que 90% dos alunos da FATEC são vindos de escola pública, o que evidencia ainda mais o aspecto geográfico da área original, que traz uma série de facilidades, sobretudo transporte e acesso aos serviços disponíveis na área central de Adamantina.
“Não fui eleito para ser vereador de cabresto”, Aguinaldo Galvão.
Em plenário, o vereador Aguinaldo Galvão disse que visitou seis FATECs em várias cidades, para identificar o perfil da estrutura e conhecer a dinâmica desses espaços. Ele também rebateu as declarações do prefeito, dadas em cadeia de rádio. “Não fui eleito para ser vereador de cabresto”, disse.
“Ele quer o impasse, a confusão”, Luiz Carlos Galvão.
Para o vereador Luiz Carlos Galvão, o poder executivo não estaria interessado em resolver, em definitivo, as questões sobre a área para instalação da FATEC. “Estou desconfiado que para o prefeito não interessa nem aqui, nem lá. Ele quer o impasse, a confusão”, disse.
Galvão foi o único em plenário a votar favoravelmente ao projeto de lei. “Não voto por pressão, voto por convicção. E hoje voto favorável para não fazer o jogo da administração, ou seja, o impasse”.
“Tem poder, mas não tem autoridade”, Diniz Parússolo Martins.
Diniz abriu sua fala dizendo estar entristecido com a entrevista dada ao prefeito, nas emissoras de rádio, em “Coagir, forçar, obrigar a Câmara a votar”, disse. “Tem poder, mas não tem autoridade, porque a autoridade dialoga, aceita a opinião alheia, não aceita de bom grado a opinião da Câmara Municipal”, continuou Diniz. “Às vezes, prefere o circo”, completou, ao lembrar que a área definida em 2012 habitualmente recebe circos que passam pela cidade.
“Vamos pensar na população”, Roberto Honório de Oliveira (Robertinho)
O vereador Robertinho pediu a sensibilização o prefeito: “Vamos pensar na população”, disse. “Todo que veio para aprovar, teve o nosso apoio, porque não pensamos em política, e sim na população, e sobre a FATEC no local original, definido em 2012, o senhor deveria ter dado continuidade”, completou.
“Jovens estão em jogo”, Noriko Saito.
A vereadora Noriko Saito colocou a questão dos jovens, principal público-alvo dos cursos da FATEC. “São nossos jovens que estão em jogo. Quase três anos perdendo tempo”, disse.
“Onde não vai ter despesa”, Fábio Roberto Amadio (Fabião)
O vereador Fábio Roberto Amadio trouxe, em sua fala, aspectos da realidade econômica vivida no Brasil, sobretudo na necessidade de reduzir despesas, e defendeu a área do Jardim Brasil, votando contrário ao projeto de lei da pauta. “É preciso decidir por onde não vai ter despesas”, disse. Não há estudos completos, mas a previsão é de que a infraestrutura para instalação da FATEC no prolongamento da Rio Branco consumiria cerca de R$ 500 mil, que ficaria sob responsabilidade da Prefeitura.
“Simples de se resolver”, Rogério César Sacoman (Macarrão)
O vereador Rogério César Sacoman considerou desnecessário todo esse desgaste. “São coisas tão simples para resolver, e deixaram chegar numa situação dessa”.