Por não aceitar fim de namoro, rapaz mata a ex e comete suicÃdio
Dayane Mozer, 24 anos, ainda estava aflita por término do namoro com Lucas Matheus, 26.
Minutos antes de ser morta pelo ex-namorado em estrada de terra em Piratininga (região de Bauru), a estudante de psicologia Dayane Mozer, 23 anos, relatou a um de seus melhores amigos que estava com “aperto no peito” por conta do fim do relacionamento, ocorrido na quinta-feira da semana passada.
Isso porque o autônomo Lucas Matheus Franco Lima, 26 anos, que se matou logo após cometer o feminicídio, dizia não ter mais condições de seguir morando em Bauru após o fim do namoro e já havia até anunciado que se mudaria para São Paulo nesta semana.
Por essa razão, o rapaz combinou de pegá-la na saída da faculdade, na última segunda-feira (29) à noite, para buscar algumas roupas na casa de Dayane. Depois disso, sabe-se que o corpo da jovem, assassinada com um tiro na testa, foi encontrado por volta das 23h, em estrada de terra próximo à vicinal Irmãos Saad Farha (acesso à SP-204, a Bauru-Marília).
Um sitiante que passava pelo local logo após o crime se deparou com o cadáver e acionou a polícia. Ao lado do corpo da jovem, foram encontrados seus documentos, bolsa, carteira e celular. Em princípio, não havia suspeita da autoria do homicídio.
Na manhã dessa terça-feira (1), por volta das 8h, o corpo de Lucas foi localizado atrás do caminhão-baú que ele utilizava para trabalhar, estacionado em outra via de terra a cerca de um quilômetro de onde Dayane foi morta. Ao lado dele, estava arma utilizada no crime, um revólver calibre 38 com a numeração raspada.
Segundo o delegado titular de Piratininga, Francisco Bromati, o jovem se matou com um tiro na cabeça, menos de 10 minutos após ter assassinado a ex-namorada.
“A sequência dos crimes foi muito rápida. Ela foi morta às 23h, conforme testemunhas que escutaram o tiro. Às 23h09, moradores de uma chácara próxima ouviram o disparo que matou Lucas”, disse o delegado.
Bromati teoriza que, em princípio, o rapaz não tinha a intenção de se matar. “Depois que atirou em Dayane, ele substituiu o projétil deflagrado por um intacto e tentou voltar para Bauru, mas tudo indica que se perdeu e foi parar em rua sem saída, momento em que pode ter tido um choque de consciência e se matou. O revólver estava com cinco cartuchos intactos, ou seja, faltando apenas o utilizado no suicídio”, explica.
O caso foi registrado como feminicídio e suicídio. Ainda segundo o delegado, o projétil retirado da jovem durante a necropsia será encaminhado para confronto balístico, em São Paulo.
Histórico
De acordo com o delegado Bromati, Lucas tinha duas ocorrências policiais registradas em seu nome por conflito com a companheira anterior a Dayane. De acordo com relatos da família do rapaz à polícia, ele e Dayane viviam relacionamento conturbado em razão de ciúme excessivo de ambas as partes. Os dois namoraram sete meses e chegaram a morar juntos por um tempo.
Pouco antes do crime, amigo disse para Dayane não sair com Lucas
Muito abalado durante o velório, um dos amigos mais próximos de Dayane, Thiago Carvalho da Silva, 20 anos, contou que tentou alertá-la para não sair com Lucas na noite do crime. “Ela me mandou áudio no celular falando que ele ficou de pegá-la na faculdade porque precisava buscar umas roupas na casa dela. Disse que estava com o coração apertado porque Lucas ia embora para São Paulo e que sentiria falta dele, mas não adiantava reatar o namoro, pois ele era muito ciumento e os dois brigavam bastante por isso. Foi quando eu falei para ela não ir com ele e voltar para a casa sozinha. Depois, ela não me respondeu mais”, contou.
A atitude de Lucas surpreendeu a todos, disse Thiago. “Ninguém imaginava uma coisa dessas. Eu que o apresentei para Dayane em uma festa. Lucas era tranquilo, nunca levantou a mão para ela e sempre dizia que a amava muito. Ele não se conformava com o fim do relacionamento. No domingo, me mandou mensagem dizendo que gostava muito dela”.
Dayane, que morava com a mãe no Mary Dota, cursava o terceiro ano de psicologia em uma universidade de Bauru. “Ela tinha o sonho de concluir a faculdade e começar a trabalhar”, disse Thiago. Já Lucas, que vivia com uma avó no Tangarás, havia ganhado o caminhão-baú do pai, que mora em São Paulo, há um mês para trabalhar com fretes. O rapaz, que perdeu a mãe há alguns anos, deixa ainda um irmão que mora em Bauru. Dayane deixa os pais e um irmão de 18 anos.