Tupã recebe exibição do documentário Flores Secas
Documentário tem personagens de Tupã, Prudente e Adamantina, e trata do envelhecer gay
A Prefeitura de Tupã, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, recebe a exibição do documentário Flores Secas. Trata-se de um curta metragem produzido a partir da aprovação de projeto apresentado pelo jornalista Acácio Rocha junto ao PROAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Estado da Cultura, com recursos financeiros do ICMS.
A exibição em Tupã está agendada para o dia 23 de agosto, às 20h, na Biblioteca Municipal, localizada à Avenida Tamoios. A entrada é franca.
No roteiro, o tema abordado pelo documentário é o envelhecer gay. Segundo Acácio, a pauta de direitos que inspirou os movimentos sociais LGBT sinaliza agora outras necessidades, em especial sobre o envelhecimento dos gays. A geração que foi às ruas, agora envelhece, e se vê diante de um tema ainda pouco discutido.
Para o documentário foram entrevistados os cabeleireiros Nelson Araújo e Roberto Rodrigues, de Tupã, e o coordenador da 9ª Parada LGBT de Presidente Prudente, Charles França, que expuseram aspectos de suas vidas envolvendo profissão, família, superação, preconceitos e as expectativas com a chegada do envelhecimento. Os temas ligados à saúde da pessoa idosa com ênfase para os gays foram expostos pela médica Vera Lúcia M. Fiorillo, enquanto as demandas da área dos direitos sociais, entre os quais o direito à saúde púbica, estatuto do idoso e casamento gay foram comentados pela advogada Sílvia Helena Luz Camargo.
Ampliar o debate
Segundo Acácio, o tema “envelhecimento” parece passar despercebido nas grandes discussões sobre o universo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), pois pouco se expõe sobre a maneira como os gays lidam com o envelhecimento, já que os debates e as reivindicações, quase que na predominância, invocam o resgate às diferenças e preconceito, e negligenciam o tema “futuro”.
Além das dificuldades comuns a todos na velhice, entre os gays há outros elementos que invocam essa reflexão, pois muitos são deixados de lado pelas famílias e pelos amigos, e quase na totalidade não têm filhos, que pudessem assegurar cuidados na velhice. “Se aplicar o peso da condição social, envolvendo, sobretudo, condições financeiras, o quadro fica ainda mais complexo”, destaca Acácio.
O autor do projeto explica que o documentário será distribuído para organizações brasileiras que se relacionam com o universo LGBT, para ampliar o acesso ao mesmo, a partir de iniciativas dessas próprias organizações, sobre o tema, ficando assegurada reserva de cópias para a Secretaria de Estado da Cultura, para que faça a utilização que melhor decidir. “Acredito que a proposta vai preencher um vazio no que se refere a conteúdos sobre essa temática, pois recebi diversas manifestações de apoio à iniciativa, sobretudo pela contribuição que poderá dar à sociedade brasileira”, destaca Acácio.