Geral

Pokémon Go estimula habilidades e pode auxiliar no aprendizado

Psicopedagoga lista aspectos em torno da dinâmica do jogo e os reflexos no comportamento.

Por: Siga Comunicação atualizado: 2 de setembro de 2016 | 12h23
Psicopedagoga Angela Soares contextualiza aspectos do jogo e seus reflexos no comportamento (Imagem: Siga Comunicação). Psicopedagoga Angela Soares contextualiza aspectos do jogo e seus reflexos no comportamento (Imagem: Siga Comunicação).

Adamantina e todo o mundo têm vivido um fenômeno em torno do game Pokémon Go. São muitas as cenas de jogadores, de todas as idades, sozinhos ou em grupos, capturando os personagens virtuais que se proliferam em meio aos cenários reais, em todos os lugares, por meio da tecnologia conhecida como realidade aumentada.
Essa turma toda precisa recarregar as energias. A pausa para o descanso, para reabastecer e ganhar novas Pokebolas, acontece nos locais conhecidos como PokéStops. Em Adamantina, os locais mais concorridos para agregar novas Pokebolas ao jogo são a caixa d´água da Sabesp (no alto da Avenida Rio Branco), a Praça Prestes Meia (próxima ao campus 1 da FAI), o busto do “Cônego João Baptista de Aquino”, na Praça José Costa (Pátio da Feira), a estátua do Cristo, na Praça Euclydes Romanini, entre outros.
O reabastecimento exige deslocamento dos jogadores até esses locais. A atividade, assim, exige movimentação, integra pessoas e faz os jogadores conhecerem lugares que, por sua vez, poderiam passar despercebidos. Reside também, em torno dos PokéStops, a possibilidade de trabalhar aspectos históricos do lugar e seu contexto na geografia da cidade.
E com um número crescente de jogadores, multiplicam-se as manifestações de aprovação e reprovação em torno da brincadeira que mistura o universo virtual com os cenários reais, por meio da realidade aumentada.

Jogar e aprender

Uma das mais relevantes discussões tem sido em torno da possibilidade de associar o jogo ao aprendizado infantil. Esse é um ponto de vista defendido pela psicopedagoga Angela Soares, de Adamantina.
Um dos aspectos positivos do jogo recai sobre o desenvolvimento cognitivo da criança, já que o game tem a capacidade de preparar a criança para aprender conteúdos da vida e da escola, condicionando-o ao cumprimento das atividades habituais, como respeitar o horário de dormir, a realização de uma tarefa doméstica, feito uma atividade física ou os deveres escolares. “Cumpridas as tarefas, têm como prêmio a oportunidade de jogar”, exemplifica Angela.

Habilidades que o Pokémon Go ajuda a desenvolver

A psicopedagoga Angela Soares listou dez habilidades que o game Pokémon Go ajuda a desenvolver nas crianças.
A primeira delas é a capacidade de foco, já que o jogador precisa estar concentrado para assim entender e comparar o poder de cada Pokémon, realizar as capturas, treinar e evoluir cada um dos personagens.
O segundo aspecto positivo é que o jogo estimula a tomada de decisão, já que é preciso fazer escolhas, para assim decidir se captura o primeiro Pokémon disponível ou aguarda uma oportunidade para capturar o cobiçado Pikachu.
O terceiro item listado pela psicopedagoga envolve a necessidade de movimentar-se, e nesse aspecto, trabalhar a relação causa-consequência, já que, para chocar um ovo Pokémon é preciso andar os quilômetros correspondentes a ele. Se o jogador ficar parado o Pokémon não vai nascer tão cedo.
O quarto fator elencado, como positivo, trabalha a paciência do jogador. No jogo, a incubadora guarda um ovo por vez, e até que o ovo não abra, não será possível colocar outro no lugar.
O quinto fator aborda os aspectos de esforço e persistência, já que, para evoluir seu Pokémon, é necessário o “doce” da espécie. E para aumentar o poder de combate o jogador precisa de “Stardust”, que se ganha capturando Pokémons. Sem esforço, o jogador não sai do lugar.
O sexto item listado pela psicopedagoga envolve planejamento. Ela explica que o competidor precisa identificar qual caminho deve percorrer para atingir níveis acima em relação do qual se encontra no momento.
Depois, como sétimo fator, o jogo estimula a estratégia e organização. Quando o jogador coloca um Pokémon em um estádio para defendê-lo, não poderá mais utilizá-lo, ficando indisponível para outros usos durante as batalhas.
O oitavo fator envolve trabalho em equipe, já que, para participar das batalhas, o jogador precisa pertencer a uma equipe, identificada pelas cores azul, vermelha ou amarela. E na dinâmica do jogo, ninguém ganha batalhas com benefícios somente para si, mas para toda a equipe. Quando o jogador adiciona “Lure” em algum Pokestop, todos os que passarem por lá se beneficiam, pois mais Pokémons serão atraídos para o ponto.
O nono item que o jogo permite tralhar a capacidade de lidar com a frustração. Depois de andar os quilômetros necessários para que um Pokémon possa nascer, o jogador pode perceber que chocou apenas uma Magikarp.
E por fim, o décimo aspecto que o jogo permite trabalhar é o autocontrole, por exigir um alto nível de atração e envolvimento. Segundo Angela, essa ferramenta pode ensinar a criança a exercer o autocontrole. Como exemplo de utilização dessa ferramenta, para este fim, ela exemplifica: “Interromper a brincadeira nos horários combinados entre pais e filhos, por exemplo, é um desafio que vai ajudar as crianças em outros momentos da vida, inclusive na vida escolar”, ensina.

O jogo e a escola

Segundo a psicopedagoga Angela Soares, a escola também deve ser um espaço de discussão entre professores e alunos, diante da invasão do jogo no cotidiano dos jogadores, sobretudo crianças e adolescentes. 
Ela destaca que não é função da escola estimular os alunos a jogarem, mas pode orientá-los para que façam bom uso da brincadeira.
Nessa linha, cabe uma discussão sobre os aspectos positivos do jogo, entre os quais, o game consegue promover a interação entre os jovens, faz com que os jogadores saiam de casa para interagir em espaços públicos como praças e parques e estimula a atividade física.
Entre os fatores negativos, que podem estimular o debate no ambiente escolar, e também entre pais e filhos, envolve, por exemplo a segurança, diante do risco da distração, que pode ser perigosa ao atravessar ruas e avenidas, e a utilização do jogo em excesso.

Pokémon Friendly

A Secretaria Estadual da Cultura quer, através do game, atrair novos públicos e a atenção das pessoas para os espaços culturais, como Bibliotecas e Museus. Para isso adotou uma postura de Pokémon Friendly.
O museu Catavento, na capital paulista, por exemplo, tem dois ginásios em sua área externa, além de 10 PokéStops localizados em peças do acervo ao ar livre, como o canhão, a maria-fumaça e a locomotiva existentes no jardim.
Com dois PokéStops internos, a Pinacoteca do Estado está cercada por outros 30 localizados no Parque da Luz, além de dois ginásios. Parques e praças, aliás, são excelentes locais para capturar pokémons, já que o game interage com a paisagem: monstrinhos aquáticos só aparecem perto de fontes de água, por exemplo. Na Biblioteca de São Paulo (Parque da Juventude) e na Biblioteca Parque Villa-Lobos, os jogadores podem entrar para perseguir pokémons sem precisar da carteirinha de usuário.
Em todos os locais, vale o bom senso: os jogadores não podem atrapalhar os demais usuários, nem colocar em risco o acervo dos espaços. As equipes de atendimento estão orientando os jogadores sempre que necessário e, mais importante, estimulando-os a conhecer os locais numa visita completa.

Publicidade

Prefeitura de Adamantina
Cóz Jeans
FS Telecomunicações

Publicidade

ADT Drone