Nomes de ruas inspiram atividades de leitura em escola pública de Dracena
Iniciativa vinculou oportunidades de aprendizado aos nomes das ruas do bairro.
Os nomes de ruas do Jardim Brasilândia, em Dracena, inspiraram um projeto pedagógico que estimula a leitura e valoriza a literatura brasileira entre estudantes da Escola Estadual Alfredo Machado.
Intitulado “Meu bairro é literário e minhas ruas são poéticas”, o trabalho foi desenvolvido de forma coletiva por professores e alunos. A iniciativa ganhou destaque em reportagem recentemente exibida nos telejornais da TV TEM (assista).
No bairro onde a escola está localizada, diversas vias homenageiam autores consagrados da literatura nacional, como Cecília Meireles, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Cora Coralina, Guimarães Rosa, Mário Quintana, Manoel Bandeira e Vinícius de Moraes.
Nomes de ruas inspiram atividade em escola estadual de Dracena (Cedida).
A ideia surgiu a partir da vivência cotidiana do professor Gabriel Yago Cruz Moraes, que percebeu, ao transitar diariamente pelo bairro, a recorrência de nomes de escritores nas placas das ruas. A observação foi compartilhada com outros docentes e transformada em projeto, articulado no componente curricular Projeto de Vida.
Segundo o professor, a proposta buscou aproximar o conteúdo escolar da realidade dos estudantes, fortalecendo o vínculo entre escola e comunidade. “O Projeto de Vida nada mais é do que fazer com que os estudantes construam a identidade do que querem e almejam para o futuro”, afirmou Gabriel em entrevista à TV TEM. “Por meio do projeto, conseguimos observar diversas habilidades socioemocionais importantes, trabalhadas no programa de ensino integral da escola”, completou.
Imersão educativa, literatura brasileira e aprendizado tecnológico
A característica do bairro tornou-se uma oportunidade para estimular o protagonismo estudantil e promover o contato prático com a cultura brasileira. Inicialmente, dez alunos, com idades entre 13 e 15 anos, participaram da imersão, e outros passaram a demonstrar interesse ao longo do desenvolvimento das atividades.
Nomes de ruas inspiram atividade em escola estadual de Dracena (Reprodução/TV TEM).
Durante o projeto, os estudantes realizam leituras de obras, produzem citações poéticas e elaboram pequenas biografias dos autores homenageados nas placas das ruas. Os materiais são compartilhados em vídeos nas redes sociais da escola, ampliando o alcance da iniciativa e despertando o interesse da comunidade.
Além de ampliar o repertório cultural e literário, o projeto contribui para o desenvolvimento linguístico e artístico dos alunos, com produções que incluem declamações poéticas, apresentações musicais e peças teatrais. Professores também observaram maior interesse pela leitura, participação ativa nas atividades em grupo e fortalecimento do sentimento de pertencimento, ao reconhecerem as ruas como espaços de experiências literárias. “A gente vê o quanto eles estão adorando a literatura a partir disso”, destacou a professora Antonia Aparecida Vieira Cardoso, também em declaração à TV TEM.
A iniciativa ainda favorece o aprendizado tecnológico, com o uso de ferramentas de edição de vídeo, e contribui para o desenvolvimento pessoal e social dos estudantes, estimulando criatividade, colaboração, responsabilidade e protagonismo — competências trabalhadas no componente curricular Projeto de Vida.
Ponto de vista: educação que conecta território, cultura e futuro
A iniciativa desenvolvida pela Escola Estadual Alfredo Machado, em Dracena, revela como a escola pública pode assumir papel central na formação integral dos estudantes ao transformar o espaço onde estão inseridos em fonte viva de aprendizado. Ao partir dos nomes das ruas do bairro, o projeto rompe os limites da sala de aula e mostra que a educação ganha mais sentido quando dialoga diretamente com a realidade cotidiana dos alunos.
Um dos principais valores da iniciativa é o protagonismo estudantil. Os alunos deixam de ser apenas receptores de conteúdo e passam a atuar como pesquisadores, leitores, intérpretes e produtores culturais. Eles leem, escrevem, declamam, interpretam e utilizam recursos tecnológicos para contar histórias, compartilhar conhecimentos e valorizar autores da literatura brasileira, assumindo papel ativo em todo o processo de aprendizagem.
Nomes de ruas inspiram atividade em escola estadual de Dracena (Reprodução/TV TEM).
Outro aspecto relevante é o alcance do projeto dentro e fora da escola. Ao utilizar as redes sociais como meio de divulgação dos materiais produzidos, a ação extrapola os muros da instituição e envolve famílias, moradores do bairro e a comunidade em geral. A literatura, muitas vezes vista como distante da realidade juvenil, passa a circular em vídeos, performances e narrativas acessíveis, despertando curiosidade e interesse também fora do ambiente escolar.
A proposta reforça ainda o sentimento de pertencimento comunitário. Ao reconhecer as ruas como espaços de memória e cultura, os estudantes passam a enxergar o bairro não apenas como local de passagem, mas como território carregado de significado. Esse reconhecimento fortalece vínculos com a comunidade, valoriza a identidade local e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes, críticos e conectados com o lugar onde vivem.
Nomes de ruas inspiram atividade em escola estadual de Dracena (Reprodução/TV TEM).
A integração entre educação, literatura e tecnologias é outro ponto de destaque. O uso de ferramentas digitais para edição e publicação de vídeos amplia as competências tecnológicas dos alunos, ao mesmo tempo em que estimula criatividade, trabalho em equipe, responsabilidade e comunicação. Trata-se de uma aprendizagem alinhada às demandas contemporâneas, sem abrir mão da valorização da cultura e da produção literária nacional.
Por fim, a iniciativa evidencia a força do trabalho coletivo entre estudantes e professores, mostrando que práticas pedagógicas inovadoras podem transformar a escola em espaço de experimentação, expressão e construção de sentidos. Ao unir leitura, arte, tecnologia e território, o projeto reafirma o papel da escola pública como agente de transformação social, capaz de formar leitores, produtores de cultura e sujeitos preparados para pensar o presente e projetar o futuro.