Visitas à Penitenciária de Flórida Paulista estão suspensas após surto de Covid-19
Alta nos casos é atribuída às visitas e também ocorre após o retorno dos presos da saidinha.
Estão temporariamente suspensas as visitas presenciais a presos em duas unidades prisionais da região: à Penitenciária de Flórida Paulista e ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá. A medida foi determinada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), após surto de casos de Covid-19 nas unidades. A informação foi publicada nesta quinta-feira (11) pelo G1. "Até o momento, as visitas estão suspensas apenas na Penitenciária de Flórida Paulista e no pavilhão 2 do CDP de Caiuá", esclareceu a SAP ao portal.
Segundo explicou a SAP, na nota ao G1, a suspensão no pavilhão 2 do CDP de Caiuá é cautelar, tendo em vista que 4 presos testaram positivo para Covid-19, que são mantidos isolados. Um deles apresenta sintomas leves e os outros três são assintomáticos. Não há registro de morte pela doença, na unidade.
A SAP também detalhou sobre a decisão relacionada a Flórida Paulista. “A direção da Penitenciária de Flórida Paulista, atenta aos protocolos de retomada gradual e controlada das visitas e aos regramentos do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, remeteu informações à sede da Secretaria que, após detida análise, concordou com a proposta de suspensão temporária da visitação presencial, como medida de enfrentamento ao contágio de Covid-19 na Unidade Prisional”, explicou a SAP, na nota.
Ainda segundo o G1, nesta quinta-feira o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio dos promotores de Justiça Lincoln Gakiya e Marcelo Creste, recomendou à SAP a suspensão das visitas nas penitenciárias de Flórida Paulista e também de Pacaembu, em razão da proliferação da Covid-19 nas unidades. No entanto, a SAP pontuou que, até o momento, as visitas em Pacaembu ainda estão mantidas.
Em Flórida Paulista, 21 presos testam positivo
De acordo com o G1, a SAP informou nesta quinta-feira, em nota, que 21 presos da Penitenciária de Flórida Paulista testaram positivo para Covid-19. “O tratamento dos presos que tiveram confirmado o contágio pela doença segue os protocolos médicos do Ministério da Saúde, Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, conforme a evolução da doença. Até o momento, todos apresentam sintomas leves e situação estável", esclareceu a SAP.
Segundo detalhou a SAP, a Penitenciária de Flórida Paulista conta com dois médicos clínicos gerais, três enfermeiras, três auxiliares de enfermagem, um cirurgião dentista, um farmacêutico e uma psicóloga, sendo que nenhum detento teve a necessidade, até o momento, de ser encaminhado para um hospital.
A SAP esclareceu ao G1 que, nos casos suspeitos entre os presos, o paciente é isolado na unidade e a vigilância epidemiológica da cidade é contatada. "Os servidores em contato com o paciente devem usar mecanismos de proteção padrão, como máscaras e luvas descartáveis. Se confirmado o diagnóstico, além de continuar seguindo os procedimentos indicados, o preso será mantido em isolamento na enfermaria durante todo o período de tratamento", concluiu a SAP.
Morte de funcionário em Flórida Paulista
Na última segunda-feira (8) um servidor da Penitenciária de Flórida Paulista, de 47 anos, morador em Adamantina, que estava internado na Santa Casa adamantinense, morreu em decorrência da Covid-19. De acordo com informações da SAP ao G1, o funcionário estava afastado desde o dia 1º de fevereiro passado por ter testado positivo para Covid-19. Segundo a SAP, não havia sido registrada até então nenhuma morte pela doença entre servidores do presídio. (Continua após a publicidade...)
Dirigente sindical defende quarentena para Penitenciária de Flórida Paulista
Procurado pelo G1, o diretor jurídico do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), Apolinário Vieira, revelou que nesta quinta-feira, 17 detentos e sete funcionários testaram positivo para a Covid-19 na Penitenciária de Flórida Paulista. De acordo com o representante sindical, há ainda outros 28 exames de presos e três de servidores aguardando resultado. "Eu acredito que essa situação se deu por causa das visitas. Cada detento que recebe visita volta para a cela e tem contato com os outros presos. Esses visitantes vêm de fora, muitos de São Paulo [SP]", afirmou ao G1.
Apolinário disse ainda que entre as unidades prisionais do oeste paulista, apenas a unidade de Flórida Paulista apresentou essa grande quantidade de casos positivos de uma só vez. "A categoria fica amedrontada. Não se sabe se você vai trabalhar, pegar a Covid-19, voltar para casa e passar para algum familiar. A gente não sabe o que fazer. Isso afeta todo nosso convívio social", ressaltou.
O representante sindical defende que a unidade de Flórida Paulista deveria ser colocada sob quarentena. “Tem que suspender as visitas. Fechar a unidade e fazer a testagem em massa de servidores e presos. É um índice muito alto de contaminados", destacou.
O diretor jurídico do Sifuspesp disse ao G1 que o sindicato entrou na Justiça com pedido de uma liminar para barrar as visitas, mas ainda não foi julgado o mérito da ação. Além disso, a categoria pede a vacinação contra o novo coronavírus para todos os servidores do sistema prisional.
Volta das saidinhas e a alta de casos
Os representantes do MPSP, na recomendação pela suspensão das visitas nas penitenciárias de Flórida Paulista e Pacaembu, observam que após as saídas de fim de ano, as duas unidades passaram a enfrentar um surto de Covid-19.
Os promotores revelam que nesta quarta-feira (10), a Penitenciária de Flórida Paulista apontou 11 servidores com suspeita do novo coronavírus, enquanto a Penitenciária de Pacaembu teve cinco funcionários nesta mesma situação.
Eles também destacaram o aumento de casos entre os detentos. De acordo com os representantes do MPSP, na Penitenciária de Flórida Paulista, há 60 presos com suspeita de Covid-19 e 22 confirmados pelo exame de PCR feito pelo Instituto Adolfo Lutz. Na Penitenciária de Pacaembu, há 13 presos com suspeita de Covid-19 e 40 casos confirmados por exame de PCR. “A situação é alarmante, pois, data venia [com a devida licença], há o risco de o vírus se alastrar por toda a extensão das duas penitenciárias, eis que, a despeito das medidas sanitárias adotadas, é incontroverso que o ambiente prisional favorece a aglomeração de pessoas e não dispõe de boa ventilação”, ressaltam.