Cidades

Um Parque de oportunidades

Prestes a completar duas décadas, Parque dos Pioneiros atrai investimento privado no entorno.

Por: Acácio Rocha atualizado: 4 de novembro de 2015 | 11h27
Um Parque de oportunidades

Inaugurado em 1996 e prestes a completar 20 anos, o Parque dos Pioneiros provocou uma transformação em toda a região. É uma das áreas mais conhecidas de Adamantina, atraindo frequentadores ao local para práticas de atividades físicas e lazer. É um espaço democrático, onde todas as classes sociais se encontram.
Seu entorno e imediações se tornaram locais de potencial desenvolvimento e expansão, atraindo empresas, sobretudo na área de serviços, alimentação e comércio, que identificaram oportunidades de sucesso, atraídas pelas características do local.
Apenas no entorno do Parque, estão instaladas atividades ligadas à alimentação (sorveteria, lanchonete, conveniências, bares, esfiharia, trailers de lanche e pizzarias), e nas imediações, mais pizzarias, espetaria e atividade supermercadista.
Na área de serviços, as ruas que circundam o Parque reúnem três academias, corretora de seguros, jardinagem, comércio de materiais para construção e empresa de tecnologia que atua no desenvolvimento de softwares. Nas proximidades, oficinas mecânicas, salão de eventos, artigos e serviços de limpeza de piscinas, loja de utilidades domésticas e moda casa, e em breve um amplo posto de combustíveis (em construção).
Enfim, há uma importante concentração de atividades e serviços na região, o que cria um novo centro de serviços, permitindo assim a descentralização das atividades de outros locais da cidade – onde é comum a falta de vagas e trânsito intenso – consolidando o Parque dos Pioneiros e seu entorno como uma nova vitrine de oportunidades e negócios na cidade.

A história do lugar

O Parque dos Pioneiros está localizado em uma área que foi alvo de erosão, por ser um fundo de vale, em uma região baixa da cidade, acolhendo águas pluviais de uma grande bacia. A erosão também é atribuída pela exploração da atividade de olaria, de uma antiga indústria que fabricava telhas e tijolos no local, cujas chaminés dos fornos para secagem das cerâmicas, datadas de 1948, ainda resistem ao tempo e estão lá, como marco histórico da cidade.
No começo da década de 90 foi iniciada a urbanização do local, conhecido como “Buracão”, nome até hoje citado por frequentadores. Essa obra de urbanização culminou com a canalização do manancial e a extensão da galeria de aguas pluviais, a partir da alameda Padre Nóbrega, chegando até a ponte na Avenida Dr. José Francisco de Azevedo.
A canalização, com tubos metálicos, permitiu a urbanização do lugar, cujas ações de melhorias foram implantadas ao longo de vários anos, para se alcançar o resultado de infraestrutura conhecido atualmente, que se tornou um dos cartões postais da cidade e ponto de encontro da população.
Todavia, os frequentadores do Parque convivem hoje com sérios problemas de infraestrutura nas galerias metálicas para escoamento de águas pluviais, que cederam em vários pontos, abrindo crateras, e interditando grande parte do local. Os investimentos para a recuperação, anunciados em 2013, são superiores a R$ 6 milhões, sem qualquer sinalização positiva de execução das esperadas obras de recuperação.

Quem está por lá?

A consolidação do Parque, como um ponto de referência da cidade, levou várias empresas, com diversas atividades, para seu entorno. A Clínica Cevap, do médico veterinário Gustavo Junqueira Machado, foi uma das primeiras empresas a se instalar na região, em 2006. Ele recorda que a decisão pelo local levou em consideração vários aspectos, entre os quais, a localização. “Tínhamos nossa Clínica em outro endereço, atendendo clientes de diversas cidades. E na busca por um novo local, para a construção do espaço que temos hoje, escolhemos o Parque dos Pioneiros, sobretudo pela facilidade de referência”, explica.
Outro ponto foi a disponibilidade de estacionamento. “Para minha atividade isso é muito importante e reflete em facilidade para os clientes, que muitas vezes trazem um animal que não consegue se locomover, e precisa ser carregado”, justifica. Outro fator, que contribuiu para a decisão, foi encontrar um terreno com condições de abrigar seu empreendimento, atualmente em expansão.
Gustavo cita também as belezas do lugar, como fator positivo à sua atividade. “As pessoas aguardam sentadas na minha recepção e têm a oportunidade de visualizar uma paisagem bonita, e isso é até confortante”, comenta.
A empresária Marina Emed Jacinto Micheloni é proprietária da Academia Espaço Vip. No exercício do olhar empreendedor, identificou uma oportunidade aproveitou o conceito do local – que se identifica com bem estar, saúde e qualidade de vida – para instalar sua empresa, que está há quatro anos em funcionamento. Foi pioneira nesse segmento, no Parque. “Investimos nesta região por ser um local usado para diversas atividades físicas. Quando iniciamos a construção, não havia nenhuma academia. Hoje somos três, na mesma rua, comprovando assim, que este é um local propício”. Otimista com os resultados e as perspectivas, e driblando a crise econômica, Marina anuncia novos investimentos. “Em 2016 vamos inaugurar nossa expansão, ao lado da academia, trazendo mais saúde e qualidade de vida à população”, adianta.
A empresa de desenvolvimento de softwares OM Sistemas está instalada no entorno do Parque dos Pioneiros desde março do ano passado. Seu diretor, Gustavo Henrique Teixeira Montagnoli, destaca que as características do local são propícias e podem estimular a atividade profissional. “Como somos uma empresa de tecnologia e nossos colaboradores precisam espairecer um pouco, a ideia de trabalhar em frente a um parque foi muito agradável”, relata. “Mas o benefícios foram maiores como lugar para estacionar e tranquilidade, que superaram as expectativas”, continua. “Chegar segunda de manhã e escutar passarinhos cantando torna sua semana mais leve”, completa Gustavo.
Em uma ruazinha junto ao Parque – onde estão instaladas as duas chaminés históricas das antigas olarias – surgiu uma nova chaminé. Desta vez, de uma pizzaria, que identificou no lugar uma oportunidade de crescimento.
Joelma Antonia Gomes Teixeira é proprietária da Pizzaria Mezzaotte, que funcionava há oito anos na Rua Nove de Julho, proximidades do campus 1 da FAI, e desde abril deste ano ocupa um novo espaço, recém construído. “Transferi nossa pizzaria para o Parque dos Pioneiros por identificar que aqui é um lugar agradável e de lazer para as pessoas”.
O mais recente empreendimento no Parque é a loja de produtos para piscinas Igui Trata Bem, uma franquia trazida a Adamantina por Renato Augusto Ferracini Pereira, inaugurada em 23 de outubro passado. “Decidi instalar a empresa no Parque dos Pioneiros porque tem um grande fluxo de pessoas a todo momento, e essa região tem tudo pra crescer”, aposta.

Dentro e fora do Parque: o que melhorar?

A cidade não conta com um plano que ordene o zoneamento urbano. E região do Parque dos Pioneiros, por exemplo, é tomada por residências, e isso é um ponto de conflito. Se por um lado a atividade de lazer, o barulho, os eventos, e o amplo segmento de serviços ali existente, geram movimentação, recursos e criam um ambiente de relacionamento e convivência da população, por outro lado há prejuízo ao sossego dos moradores, que já se mobilizam e buscam nas autoridades apoio e ação para, por exemplo, reduzir barulhos aos finais de semana.
Já os empresários ouvidos pelo SIGA MAIS foram unânimes em relatar problemas no Parque, que exigem a atenção do poder público, bem como reclamações de concessionários de serviços de energia elétrica, telefonia e dados.
Marina Emed Jacinto Micheloni destaca a necessidade de reparos, melhorias na iluminação – que considera precária - e recuperação asfáltica, além do grande incômodo e risco das crateras que se abriram no Parque, em razão de danos nas galerias metálicas subterrâneas. Ela também cita um problema comum em toda a cidade, que é a frequente queda no fornecimento de energia elétrica pela concessionária, dificultando a programação das atividades.
Para Gustavo Montagnoli, da OM Sistemas, os serviços prestados por concessionários trouxeram dificuldades para a atividade da sua empresa. “Passamos mal bocados com a empresa de telefonia, pois até hoje a internet é de péssima qualidade, mas com a chegada da fibra ótica melhorou muito”. Outro ponto citado por eles refere-se às lixeiras, no Parque. “Foram instaladas para usarem sacos de lixos, mas nunca têm”, reclama.
Renato Augusto Ferracini Pereira, da franquia Igui Trata Bem, também observa o problema de infraestrutura das galerias do Parque. “É preciso trocar imediatamente a tubulação, que em vários pontos está caindo”, reitera.
Joelma Antonia Gomes Teixeira, da Pizzaria Mezzaotte, destaca algumas melhorias que poderiam beneficiar o Parque, como limpeza dos matos em terrenos ainda vazios, ao redor. “Não estão sendo bem cuidados”, reclama.
A região do Parque dos Pioneiros sempre sediou eventos, mas o volume de atividades teve redução em razão dos problemas nas galerias de águas pluviais, que abriram crateras na área verde do lugar. E a prática de eventos gera impactos no Parque e entorno, sobretudo com restrições de circulação de veículos. “É preciso rever os lugares onde a Prefeitura autoriza as festas, impedindo as passagens dos nossos clientes no nosso comércio”, reclama. “Quando têm as festas no Parque dos Pioneiros eles fecham todas as ruas e os clientes acabam até indo pra outros comércios e até outras cidades”, observa.
Joelma tem também outra demanda, cujo pedido foi formulado há sete meses à Prefeitura e aguarda atendimento, que é a transformar em mão única a rua onde sua empresa está instalada. É uma rua estreita e com o novo fluxo de veículos pelo local a circulação em mão dupla é cercada de dificuldades.
O veterinário Gustavo Machado, da Clínica Cevap, endossa os apontamentos referentes à infraestrutura de galerias pluviais, no Parque. “Esses pontos de instabilidade trazem insegurança aos frequentadores”, relata. “É algo que precisa ser resolvido com urgência para que o local volte a ser utilizado como um todo”,acrescenta. Ele sugere, também, a implantação de câmeras de monitoramento, que ampliaria a segurança aos frequentadores do Parque, bem como ao patrimônio público ali presente. 

Simbolismo: passado, presente e futuro

A denominação do lugar, como Parque dos Pioneiros, foi uma decisão do poder público em homenagear, de maneira genérica e abrangente, os pioneiros da cidade. Vários bancos instalados no Parque têm nomes de famílias gravados em seu encosto. E isso traz uma referência à memória, ao mesmo tempo que se projeta como um novo espaço de oportunidades empreendedoras na cidade, com reflexos no presente e futuro.
Para a empresária Marina Emed Jacinto Micheloni, história, memória e oportunidades de crescimento são referências que compõem o simbolismo do lugar. “O parque simboliza e mescla a tradição, juntamente ao crescimento da cidade, pois há diversas empresas se instalando ao seu redor”.
O médico veterinário Gustavo Machado defende as características de lazer do Parque. “É um lugar de descanso, agradável, onde as pessoas vêm para ficar de bem com avida. Esse é o espirito que procuramos aqui”. Esse conceito também é endossado por Joelma Antonia Gomes Teixeira: “Simboliza para Adamantina uma área de passeio, diversão para as famílias e jovens”. É o mesmo simbolismo defendido por Gustavo Montagnoli: “O Parque dos Pioneiros é um ponto extraordinário para as pessoas buscarem lazer, recreação e encontrar amigos para um descanso mental, harmonia e paz”.
Já Renato Augusto Ferracini Pereira destaca o local como um ponto de referência na cidade. “É um ponto turístico. Quem vem de cidades de fora pode não saber onde ficam vários lugares, mas se falar no Parque dos Pioneiros, ou buracão, a maioria sabe”, finaliza.

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