Cidades

PL na Câmara dos Deputados quer criar Zona Franca em Adamantina e fundo de desenvolvimento regional

Zona franca é uma área geográfica delimitada criada para estimular o desenvolvimento econômico.

Por: Da Redação atualizado: 26 de janeiro de 2026 | 09h32
Distrito Industrial em Adamantina (Google Street View). Distrito Industrial em Adamantina (Google Street View).

Tramita na Câmara dos Deputados desde o final do ano passado o Projeto de Lei nº 6.478/2025, de autoria da deputada federal Renata Abreu (Podemos/SP), que propõe a criação da Zona Franca de Adamantina (ZFA) e do Fundo de Desenvolvimento da Nova Alta Paulista.

Zona Franca é uma área geográfica delimitada criada pelo poder público com regras especiais de tributação, comércio exterior e incentivos fiscais, com o objetivo de atrair investimentos, estimular a industrialização e promover o desenvolvimento regional. Nessas áreas, empresas podem ter isenções ou reduções de impostos, desde que cumpram exigências como geração de empregos e realização de etapas produtivas locais. No Brasil, o principal exemplo é a Zona Franca de Manaus, criada em 1967.

Pelo texto, a ZFA terá como área inicial todo o território do município de Adamantina, com possibilidade de ampliação para cidades limítrofes da Nova Alta Paulista, mediante regulamentação do Poder Executivo. A proposta enquadra a região como área de livre comércio de importação e exportação, com incentivos fiscais especiais voltados aos setores industrial, comercial e agropecuário.

Autora do PL, deputada Renata Abreu (Bruno Spada/Câmara dos Deputados).

Conforme o site da Câmara, o PL que cria a ZFA foi apresentado pela parlamentar à Mesa Diretora da Casa no dia 16 de dezembro passado e aguarda despacho do presidente da Casa. Não há nenhuma outra tramitação informada no portal legislativo. Pelos trâmites regimentais, a proposta ainda precisará ser avaliada pelas comissões pertinentes e receber pareceres. Havendo evolução, deve gerar amplo debate e exigir articulação e protagonismo da deputada autora, na defesa da iniciativa. 

O PL também é desconhecido pela classe política e lideranças locais e da região, e gera desconfiança em meio a experiências anteriores de oportunismo diante de um ano de eleições. Porém, se avançar, pode repercutir positivamente na atividade econômica e no desenvolvimento da cidade e região. 

Incentivos fiscais e regras

Entre os principais mecanismos previstos no projeto apresentado pela deputada Renata Abreu, estão a suspensão e posterior isenção do Imposto de Importação e do IPI para insumos estrangeiros utilizados na industrialização local, além da isenção de IPI para produtos fabricados na ZFA, mesmo quando comercializados no restante do país. O texto também prevê isenção de PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação e autoriza empresas industriais a deduzirem até 30% da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, desde que os valores sejam reinvestidos na expansão produtiva e modernização tecnológica na região.

O acesso aos benefícios estará condicionado ao cumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB), instrumento que define um conjunto mínimo de etapas produtivas obrigatórias, com o objetivo de assegurar agregação de valor local e geração efetiva de empregos.

Publicidade

Parfum Perfumes Importados

Publicidade

Rede Sete Supermercado
Dr. Paulo Tadeu Drefahl | Cirurgião Plástico
Unimed Adamantina

Fundo de Desenvolvimento Regional

Outro ponto central do projeto é a criação do Fundo de Desenvolvimento da Nova Alta Paulista, que terá como finalidade financiar projetos de infraestrutura e empreendimentos produtivos ligados à Zona Franca. Os recursos poderão ser operados pelo BNDES ou por instituições financeiras regionais credenciadas, em operações reembolsáveis ou não.

Os incentivos previstos terão vigência inicial de 15 anos, contados a partir da demarcação da área da ZFA, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Justificativa e modelo adotado

Na justificativa, a autora do projeto destaca que, apesar de estar localizada no estado mais rico do país, a Nova Alta Paulista enfrenta distorções econômicas históricas, como dependência do setor sucroalcooleiro, menor dinamismo industrial, perda populacional e fuga de mão de obra qualificada. O texto também menciona o impacto negativo da concentração de unidades prisionais na imagem regional, fator que afasta investimentos privados espontâneos.

A proposta se inspira no modelo da Zona Franca de Manaus, adaptado à realidade do interior paulista, com foco na interiorização do desenvolvimento e na redução das desigualdades regionais dentro do próprio estado.

Adamantina (Siga Mais).

Impactos para Adamantina e a região

Se aprovado, o projeto pode posicionar Adamantina como polo estratégico de desenvolvimento industrial e logístico no Oeste Paulista, aproveitando a infraestrutura existente e em expansão, como rodovias e ferrovia. A expectativa é de atração de novos investimentos, diversificação da economia local e fortalecimento da integração entre o setor produtivo e as instituições de ensino superior da cidade.

Para a Nova Alta Paulista, a Zona Franca tende a funcionar como um indutor regional de crescimento, com reflexos positivos em municípios vizinhos, geração de empregos, ampliação da renda e maior competitividade econômica regional.

Ainda em fase inicial de tramitação, o projeto deverá passar por comissões temáticas antes de seguir para votação. A proposta já desperta atenção de lideranças políticas, empresariais e acadêmicas, por seu potencial de redefinir o papel de Adamantina e da Nova Alta Paulista no cenário econômico paulista e nacional.

Publicidade

Cocipa - Venha ser um cooperado

Publicidade

Supermercado Godoy
JVR Segurança

Zona Franca de Manaus

No Brasil, o principal exemplo no tema é a Zona Franca de Manaus, criada em 1967. O modelo transformou a capital amazonense em um dos maiores polos industriais do país, reunindo fábricas dos setores eletroeletrônico, duas rodas, informática e bens de consumo. Em troca dos incentivos fiscais, as empresas precisam cumprir o chamado Processo Produtivo Básico (PPB), que garante agregação de valor local e evita que a área seja usada apenas como centro de importação.

Além do impacto econômico, a Zona Franca de Manaus teve papel estratégico na fixação da população na Amazônia, na geração de empregos e na redução das desigualdades regionais, tornando-se referência nacional em políticas de desenvolvimento regional.

No caso do projeto que cria a Zona Franca de Adamantina, o modelo é citado como inspiração, mas adaptado à realidade da Nova Alta Paulista, com foco na diversificação econômica, na atração de indústrias, na qualificação da mão de obra e na interiorização do crescimento dentro do próprio Estado de São Paulo.

Saiba mais: Economia de Adamantina é puxada por serviços e agroindústria

Os dados mais recentes sobre a atividade econômica de Adamantina revelam um município com economia diversificada, mas ainda fortemente ancorada nos serviços e na agroindústria, especialmente no setor sucroenergético. As informações constam em painéis oficiais com base em dados da Fundação Seade e do IBGE.

(Painel Adamantina/Fonte: Fundação Seade).

Em 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) de Adamantina somou R$ 1,37 bilhão, com um PIB per capita de R$ 40.476, indicador que reflete o porte médio da economia local no contexto do interior paulista. Na composição do PIB municipal, o setor de serviços responde por 74%, seguido pela indústria, com 13%, enquanto a agropecuária participa com cerca de 9%. Os impostos líquidos completam a estrutura econômica.

Quando analisado o valor adicionado por setor, os serviços — excluída a administração pública — seguem como o principal motor da economia, concentrando 63%, enquanto a administração pública representa 18,3%, a indústria 14,3% e a agropecuária parcela menor, porém estratégica, sobretudo pelo efeito indireto sobre a indústria e o comércio.

Indústria concentrada em biocombustíveis

O perfil industrial de Adamantina mostra alta concentração em biocombustíveis, que respondem por 79,9% do valor da transformação industrial. Em seguida aparecem os produtos alimentícios (14%), enquanto outros segmentos, como vestuário, borracha e material plástico, veículos automotores e minerais não metálicos, têm participação bem mais reduzida. O cenário evidencia a dependência da cadeia sucroenergética, apontada por especialistas como um desafio para a diversificação produtiva.

Produção agropecuária dominada pela cana

No campo, a cana-de-açúcar é amplamente dominante, representando 81,4% da produção agropecuária em 2023. Outras culturas aparecem com participação bem menor, como leite (4,1%), café arábica (3,3%), soja (2,4%) e banana (1,8%). Essa concentração reforça o papel histórico da monocultura na economia local.

Na pecuária, o rebanho bovino lidera, com 52,5%, seguido pela avicultura (42,6%). As demais criações — ovinos, suínos, equinos, caprinos e bubalinos — têm presença residual.

Comércio exterior

Adamantina também apresenta perfil exportador relevante. Em 2024, o município registrou US$ 54,7 milhões em exportações, enquanto as importações ficaram em US$ 2,75 milhões, resultando em expressivo superávit na balança comercial local. O dado reforça a importância da indústria vinculada ao agronegócio na inserção do município no comércio internacional.

Adamantina (Fábo Chaves | @adtdrone).

Retrato e desafios

O conjunto dos dados mostra que Adamantina possui uma economia estável, baseada em serviços e no agronegócio industrializado, mas com baixa diversificação industrial. Esse cenário ajuda a explicar por que propostas de estímulo ao desenvolvimento regional, como projetos voltados à atração de novas indústrias e inovação tecnológica, ganham espaço no debate público.

Para analistas, o desafio do município e da Nova Alta Paulista está em reduzir a dependência de poucos setores, ampliar o valor agregado da produção local e criar condições para novos investimentos capazes de gerar emprego, renda e maior dinamismo econômico no médio e longo prazo.

Publicidade

Prefeitura de Adamantina
FS Telecomunicações
Cóz Jeans

Publicidade

ADT Drone