Cidades

Orelhões começam a ser retirados das ruas; em Adamantina são 37

Anatel confirma desativação definitiva após fim das concessões da telefonia fixa.

Por: Da Redação atualizado: 21 de janeiro de 2026 | 16h52
Dois dos equipamentos na Avenida Rio Branco, em Adamantina (Siga Mais). Dois dos equipamentos na Avenida Rio Branco, em Adamantina (Siga Mais).

Os cerca de 30 mil telefones de uso público ainda em funcionamento no Brasil, conhecidos como orelhões, já têm prazo definido para sair de cena: o fim de 2028. Símbolos de uma era em que a comunicação dependia de moedas ou cartões, esses equipamentos começaram a ser implantados no país em 1972 e ficaram marcados pelo design criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil.

No auge, a rede nacional chegou a reunir mais de 1,5 milhão de terminais espalhados pelas cidades brasileiras. A manutenção dos aparelhos era uma obrigação imposta às concessionárias de telefonia fixa, como contrapartida à exploração do serviço. Com o avanço da telefonia móvel e da internet, no entanto, o uso dos orelhões entrou em declínio acentuado.

Orelhão em Adamantina (Siga Mais).

Atualmente, a previsão é que cerca de 9 mil telefones públicos permaneçam ativos apenas em localidades onde não exista, ao menos, cobertura de sinal 4G para a rede móvel. A maior concentração desses equipamentos está no estado de São Paulo, e a localização pode ser consultada na ferramenta disponibilizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Em Adamantina, de acordo com os dados da agência reguladora, ainda existem 37 telefones de uso público cadastrados. A reportagem do Siga Mais localizou três deles: um em frente ao campus I do Centro Universitário de Adamantina (FAI) e dois instalados nas proximidades do Postão de Saúde.

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O processo de desativação está diretamente ligado ao fim das concessões de telefonia fixa. Os contratos, firmados em 1998, chegaram ao término em dezembro de 2025. A adaptação desses contratos para o regime de autorizações prevê a extinção gradual dos telefones públicos, dentro do plano de universalização do acesso às telecomunicações no país.

Orelhão em Adamantina (Siga Mais).

Segundo a Anatel, a proximidade do encerramento das concessões abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o modelo vigente, com o objetivo de estimular investimentos em redes de banda larga. Nesse contexto, as concessionárias buscaram acordos com o poder público para viabilizar a migração do sistema de telefonia fixa comutada (STFC) do regime de concessão para o de autorização, regido pelo setor privado.

O papel dos orelhões na vida cotidiana

Antes da chegada da telefonia móvel, os orelhões desempenharam um papel essencial na comunicação entre as pessoas e na dinâmica das cidades brasileiras. Instalados em pontos estratégicos — próximos a praças, escolas, comércios e rodoviárias —, eles garantiam acesso público à comunicação em um período em que o telefone residencial não era uma realidade para todas as famílias.

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Os telefones públicos permitiam ligações urgentes, contato com serviços de emergência e comunicação entre parentes e amigos separados pela distância. Para muitos trabalhadores, viajantes e estudantes, o orelhão era o único meio de avisar atrasos, pedir ajuda ou manter vínculos afetivos. Expressões como “ligar a cobrar” e “esperar cair a ficha” tornaram-se parte do vocabulário popular.

Orelhão em Adamantina (Siga Mais).

Além da função prática, os orelhões também assumiram um papel social e simbólico. Eram pontos de encontro, locais de despedidas rápidas e cenários de conversas decisivas. Em uma era analógica, marcada pela espera e pela limitação do tempo de ligação, os orelhões ajudaram a conectar pessoas, histórias e gerações, consolidando-se como um dos ícones mais marcantes da história recente da comunicação no Brasil.

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