Cidades

Instaladas em 2017, câmeras são removidas e não retornam aos pontos de monitoramento

Pelo menos 28 câmeras não estão nos locais onde foram instaladas.

Por: Da Redação atualizado: 6 de março de 2024 | 15h55
Câmera no trevo principal de acesso a Adamantina, na Avenida Marechal Castelo Branco (11/05/2023/Siga Mais). Câmera no trevo principal de acesso a Adamantina, na Avenida Marechal Castelo Branco (11/05/2023/Siga Mais).

Pelo menos 28 câmeras de monitoramento instaladas em 2017, em oito pontos da cidade de Adamantina, não estão nos locais onde foram ativadas há mais de cinco anos atras. Outras, instaladas, estariam inoperantes. O sistema está ativo e é usado pelas forças de segurança pública, porém não opera em sua integralidade, já que muitos pontos críticos, antes monitorados, estão desassistidos pelo serviço.

Essa condição foi confirmada pelo SIGA MAIS nesta semana junto à Polícia Militar em Adamantina, que afirmou a operação parcial dos pontos de monitoramento, a partir da matriz tecnológica originalmente instalada.

Os equipamentos foram adquiridos em 2017 com recursos financeiros oriundos do pagamento de penas alternativas e transações penais, por condenações judiciais. A aquisição de toda essa estrutura absorveu R$ 119.473,19 do fundo de penas alternativas do Poder Judiciário da Comarca.

Em sua matriz original, programa permitia ampla cobertura por monitoramento (Arquivo/2017).

De acordo com o que foi ajustado à época, a Prefeitura Municipal teria ficado encarregada da manutenção. Já o acesso às imagens é feito pela Polícia Militar e Polícia Civil, para monitoramento e esclarecimento de crimes, acidentes de trânsito e outros delitos. As imagens são gravadas 24 horas por dia e ficam à disposição das autoridades.

Conforme o SIGA MAIS publicou no segundo semestre de 2017, o projeto inicial previa 74 câmeras. Em nova publicação sobre a iniciativa, em abril de 2018, a informação foi atualizada, para 83 câmeras em 27 pontos de monitoramento, como as entradas e saídas da cidade, imediações de escolas e a área central de comércio e estabelecimentos bancários.  

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Com quase 30 câmeras a menos – removidas dos seus locais originais – além das que estão instaladas e inoperantes, há perdas e retrocesso para o esforço de ampliar a segurança pública, como proposto pelas autoridades locais em 2017. Entre os equipamentos instalados, porém fora de uso – o que cria uma falsa sensação de segurança – uma fonte ouvida pelo SIGA MAIS apontou ausência ou falha de manutenção desses dispositivos, que inviabilizam seu funcionamento.

28 câmeras não estão no lugar

Um levantamento a campo realizado pelo SIGA MAIS nesta semana constatou que pelo menos 28 câmeras de monitoramento, entre as 83 instaladas em 2017, não estão nos pontos em que foram ativadas. Pelo menos dois desses pontos que deixaram de ter as câmeras ativas coincidem com locais onde a Prefeitura de Adamantina fez a substituição de antigos semáforos pelos novos totens semafóricos – como ocorreu na Avenida Rio Branco nas esquinas com a Avenida Santo Antônio e Rua Joaquim Nabuco, no primeiro semestre de 2020 – e outros dois coincidem com locais onde foram instalados novos dispositivos de trânsito, como no cruzamento da Avenida Adhemar de Barros/Avenida da Saudade com a Alameda Padre Nóbrega, no Parque dos Pioneiros, em julho de 2021, e na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Tetsushi Haga (esquina do campo da Acrea), em fevereiro do ano passado.

Câmera na região do campus II (11/05/2023/Siga Mais).

Hoje, esses quatro cruzamentos, que tinham câmeras, não contam mais com o dispositivo de monitoramento.

Outro ponto sensível que dispunha de câmeras, e não conta mais com os dispositivos, é a Avenida Rio Branco, proximidades da Escola Estadual Durvalino Grion. Eram três câmeras no local. O tema ganha ainda mais relevância diante de todo debate e preocupações com a segurança em estabelecimentos de ensino e seu entorno.

Veja os locais onde as câmeras de monitoramento foram retiradas e não foram instaladas novamente:

- Av. Rio Branco x Rua Joaquim Nabuco: 4 câmeras

- Av. Rio Branco x Av. Santo Antônio: 4 câmeras

- Av. Rio Branco x Rua Deputado Salles Filho: 4 câmeras

- Av. da Saudade x Alameda Padre Nobrega (Parque dos Pioneiros): 4 câmeras

- Av. Capitão José Antônio x Av. Adhemar de Barros: 4 câmeras.

- Av. Rio Branco x Rua Tetsushi Haga (Campo da Acrea): 4 câmeras

- Av. Rio Branco x Rua Noêmia R. Oliveira (Escola Grion): 3 câmeras

- Pátio da Feira Livre - Estação Recreio: 1 câmera

Prefeitura não responde

O SIGA MAIS solicitou informações sobre as câmeras à Prefeitura de Adamantina, que até o fechamento deste conteúdo e sua publicação, não respondeu. O pedido de informações foi enviado na quarta-feira (10) às 16h53 ao e-mail imprensa@adamantina.sp.gov.br com cópia para planejamento@adamantina.sp.gov.br, gabineteadt@adamantina.sp.gov.br, administracao@adamantina.sp.gov.br e ouvidoria.pma@adamantina.sp.gov.br. A reportagem recebeu as notificações automáticas de entrega e leitura das correspondências eletrônicas.

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À Prefeitura de Adamantina, o SIGA MAIS pontuou sobre os cruzamentos de vias públicas onde haviam câmeras instaladas e houve a substituição de antigos semáforos por tótens semafóricos, e outros locais que receberam semáforos, situação que coincide com os pontos onde houve remoção dos dispositivos de monitoramento.  

Câmera foram instaladas em 2017  (11/05/2023/Siga Mais).

A reportagem perguntou onde estão essas câmeras e qual a condição atual desses equipamentos e por que não foram reinstaladas após a instalação dos novos semáforos. Sobre os pontos onde há dispositivos sem funcionamento, perguntou se tem sido realizada a manutenção desses equipamentos. Por fim, o SIGA MAIS perguntou se a Prefeitura tem interesse em modernizar a tecnologia, já que há avanços no setor de monitoramento e uma maior cobertura pro cabeamento de fibra óptica na cidade, além da integração com serviços oficiais como o Detecta, vinculado ao banco de dados da área da segurança pública estadual e DetranSP. O SIGA MAIS também deixou o espaço para considerações livres. Ninguém respondeu ao pedido da reportagem.

Relembre

Para a instalação da estrutura do sistema, foram adquiridos postes, instrumentos de energia (fontes especiais com capacidade a modulação e picos de energia), câmeras (fixas e móveis), aparelhos de gravação (de última geração já preparados para a tecnologia 4K, com 24 terabytes de memória), tablet (para acesso aos policiais que estiverem em ronda, na viatura), computadores (que ficarão nas Polícias Civil e Militar) e telas de monitoramento. A aquisição de toda essa estrutura absorveu R$ 119.473,19 do fundo de penas alternativas do Poder Judiciário da Comarca.

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