Cidades

Há 25 anos, estação ferroviária de Adamantina era consumida por incêndio

Incêndio que destruiu o espaço foi na manhã de 16 de maio de 2000.

Por: Da Redação | Colaborou: Jornal Diário do Oeste atualizado: 19 de maio de 2025 | 09h54
Fogo destruiu a estrutura em 16 de maio de 2000 (Autoria Desconhecida). Fogo destruiu a estrutura em 16 de maio de 2000 (Autoria Desconhecida).

Há exatos 25 anos, em 16 de maio de 2000, um incêndio destruiu a estação ferroviária de Adamantina. As chamas puseram fim a um dos marcos históricos do desenvolvimento da cidade. Na época, o trem de passageiros já não operava e o prédio da estação era comumente ocupado por pessoas em situação de rua.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Diário do Oeste no dia seguinte à tragédia, em 17 de maio, o fogo teve início por volta das 10h30 da manhã e rapidamente consumiu a edificação de madeira.

Incêndio na estação em 16 de maio de 2000 (Autoria Desconhecida).Incêndio na estação em 16 de maio de 2000 (Autoria Desconhecida).Incêndio na estação em 16 de maio de 2000 (Autoria Desconhecida).

Segundo o mesmo jornal, ventava no momento do incêndio, o que contribuiu para a propagação das chamas, que destruíram o imóvel em cerca de uma hora. O combate ao fogo mobilizou o Corpo de Bombeiros de Adamantina, com apoio de uma equipe de Osvaldo Cruz.

Também foram acionados caminhões-pipa da Prefeitura de Adamantina e de duas usinas sucroalcooleiras da região, em apoio aos bombeiros.

Capa do Diário do Oeste de 17 de maio de 2000 (Siga Mais).Diário do Oeste de 17 de maio de 2000 (Siga Mais).

O incêndio teve grande repercussão na cidade e região. “Realmente este é um dia de luto para a cidade de Adamantina, pois com a destruição do prédio da estação, marco para o crescimento da cidade, perdemos grande parte de nossa história", disse Francisco Carlos Toffoli ao Diário do Oeste. Na época, ele era membro do Arquivo Histórico Municipal.

Prefeitura obteve autorização para uso do espaço um ano antes

Um ano antes do incêndio, a Prefeitura de Adamantina havia conseguido autorização para utilizar o prédio da estação ferroviária desativada e pretendia reformá-lo. A proposta era destinar o espaço a atividades culturais, como o Projeto Guri. O mesmo documento também autorizava o uso precário do barracão da Fepasa.

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O Siga Mais resgatou cópia do documento, emitido pelo Escritório Regional da Malha Paulista (ERMAP), da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), sucessora da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa). À época, o prefeito era José Laércio Rossi.

(Reprodução).

O documento, identificado como ERMAP/345/99 e datado de 30 de agosto de 1999, autorizava, de forma excepcional e em caráter precário, a ocupação do armazém e da estação pela Prefeitura. A autorização tinha validade de cinco anos e previa, como contrapartida, que o município promovesse a manutenção e conservação das dependências dos dois espaços, assumisse despesas com água e energia elétrica e isentasse a RFFSA do pagamento de impostos, a partir de 1º de janeiro de 1999, até a devolução do imóvel.

O que restou: espaço do antigo sanitário masculino (Siga Mais).Espaço do antigo sanitário masculino (Siga Mais).

Dessa forma, na ocasião do incêndio, a responsabilidade pela conservação e manutenção do espaço era da Prefeitura de Adamantina. Posteriormente, a antiga RFFSA ajuizou ação judicial contra o município, buscando reparação pelos danos. A ação foi inicialmente protocolada na Justiça de São Paulo e depois transferida para a Justiça Federal. Não foi possível apurar o desfecho do caso.

Em 2010, Prefeitura propôs reconstruir a estação

Em 2010, na tentativa de viabilizar um acordo relacionado à reparação dos danos, a administração municipal, sob gestão do então prefeito Kiko Micheloni, propôs a reconstrução da estação ferroviária, resgatando suas mesmas características.

Em junho daquele ano, por meio de comunicação oficial à Superintendência do Patrimônio da União, a Prefeitura manifestou interesse em recuperar o patrimônio arquitetônico e histórico destruído pelo incêndio, com o objetivo de instalar um museu histórico no local. Chegou a ser elaborado um projeto arquitetônico preliminar para a reconstrução do espaço.

 Plataforma de embarque e desembarque, e ferrovia (Siga Mais).Plataforma de embarque e desembarque, e ferrovia (Siga Mais).

Por se tratar de uma área operacional — mesmo sem atividade ferroviária — o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) foi consultado, em novo desdobramento, em fevereiro de 2012.

Até o final da gestão de Kiko Micheloni, em dezembro de 2012, a proposta não teve o retorno esperado dos órgãos da União, que haviam assumido o patrimônio da extinta RFFSA. Na época, a interlocução com esses órgãos foi conduzida pelo então secretário municipal de Cultura e Turismo, Acácio Rocha, hoje jornalista do portal Siga Mais.

Ferrovia chegou a Adamantina em 1950

A chegada da ferrovia exerceu papel fundamental no desenvolvimento de Adamantina e de outros municípios da região da Nova Alta Paulista. A estação ferroviária foi inaugurada em 20 de abril de 1950, data da chegada do primeiro trem de bitola estreita à cidade. Entre os passageiros estava o servidor público João Passarinho, que hoje atua no Museu e Arquivo Histórico de Adamantina.

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Os 75 anos da chegada da ferrovia foram lembrados no mês passado pelo historiador João Carlos Rodrigues, que publicou um conteúdo comemorativo à data. “O 20 de abril de 1950 é uma data histórica, pois foi quando a ferrovia chegou a Adamantina. Todo município que recebia os trilhos tinha a chance de progredir, porque, na época, não havia estradas pavimentadas”, destacou.

O primeiro trem de bitola larga chegou em 10 de dezembro de 1958.

Chegada do primeiro trem em 1950 (Museu e Arquivo Histórico Municipal).(Museu e Arquivo Histórico Municipal).

Retomada do transporte ferroviário é esperada

A região da Alta Paulista vive a expectativa da retomada do transporte ferroviário no ramal Bauru–Panorama. A concessionária Rumo Logística realiza atualmente obras de limpeza e desobstrução da linha férrea e ingressou com ações judiciais para a reintegração de posse de áreas ocupadas irregularmente. As ações mais recentes tramitam em fóruns de cidades como Marília, Pompeia e Tupã.

Segundo a Rumo, as obras de reativação do ramal, iniciadas em junho de 2024, devem ser concluídas em 2028, conforme contrato firmado com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Malha ferroviária em Adamantina  (Siga Mais).

O projeto está dividido em três etapas: a primeira consiste na limpeza da vegetação ao longo da ferrovia; a segunda, na recuperação da infraestrutura, incluindo correções de erosões e ajustes em cortes e aterros; e a terceira, na recuperação da superestrutura, com substituição de dormentes, trilhos e lastro de brita, além da instalação de grades em trechos vandalizados.

Atualmente, a concessionária atua em duas frentes: uma dedicada à limpeza da vegetação nas regiões de Avaí e Gália; e outra, à correção de erosões em Bauru, Avaí e Herculândia. A previsão é que as frentes de trabalho avancem para outras regiões nos próximos meses.

Nota: caso seja identificada a autoria das imagens, a redação do Siga Mais se compromete a atualizar o conteúdo e creditar a correta autoria.

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