Cidades

Filhote de cachorro é descartado vivo no lixo; coletor salva o animal pouco antes da compactação

Foram dois casos em fevereiro. Em outro, casal de filhotes foi encontrado em lixeira.

Por: Da Redação atualizado: 16 de março de 2023 | 11h09
Os coletores Alex e Juliano e ao centro o motorista da equipe, Valdecir, que atuaram no resgate de três filhotes de cachorro, neste mês de fevereiro (Foto: Siga Mais). Os coletores Alex e Juliano e ao centro o motorista da equipe, Valdecir, que atuaram no resgate de três filhotes de cachorro, neste mês de fevereiro (Foto: Siga Mais).

Dois casos de abandono de animais, envolvendo três filhotes de cachorro, sensibilizaram e mobilizaram uma equipe de trabalhadores municipais da coleta de lixo de Adamantina e a equipe da Clínica Veterinária Cevap. As duas situações de abandono de animais, que caracterizam crimes de maus tratos, foram neste mês de fevereiro na região do Parque dos Pioneiros.

Os profissionais da coleta pública e heróis, envolvidos nos dois episódios, são os coletores Alex Rafael do Nascimento Leal e Juliano Henrique Barbosa, e o motorista do caminhão compactador, Valdecir Pedro Saverio. O caso chegou ao SIGA MAIS nesta sexta-feira (3) a partir de contato realizado pelos representantes da Clínica Cevap.

Dois filhotes na lixeira

O primeiro caso de abandono foi no dia 3 de fevereiro na Rua Yaogi Endo, que margeia as chaminés, nas proximidades do Parque dos Pioneiros. Na coleta de lixo, dentro da rotina, a equipe passou pelo local quando o coletor Juliano Barbosa avistou dois filhotes de cachorro dentro de um lixeira metálica de grande porte e fechada.

Lixeira onde foram encontrados dois filhotes (Cedida)Lixeira onde foram encontrados dois filhotes (Cedida)

Nesta sexta-feira Juliano contou ao SIGA MAIS que ao se aproximar da lixeira já avistou os dois filhotes. E não havia qualquer possibilidade deles terem saltado na estrutura, por serem pequenos. O dispositivo de lixo é alto e tem tampa de fechamento. “Os dois filhotes estavam lá”, disse. “Colocaram um pano e um pote com água, e deixaram eles lá. Ficamos chocados ao encontrar os dois filhotes abandonados  na lixeira”, completou.

Juliano encontrou os dois pets na lixeira (Siga Mais).

De imediato ele compartilhou o caso com os dois colegas de trabalho. O motorista foi até a Clínica Cevap, próxima dali, e informou sobre o ocorrido, situação que sensibilizou a equipe. Com a abertura para receber os dois pets, os filhotes foram levados até o espaço de saúde onde ficaram sob os cuidados veterinários.

Segundo médico veterinário Gustavo Junqueira Machado, os dois animais receberam os cuidados da equipe, com alimentação e água, além de serem ministrados carrapaticida e vermífugo. Ambos ficaram alojados no canil da Clínica, à disposição para adoção. O filhote macho foi adotado. A fêmea está pelo local, à disposição para adoção.

Filhote descartado vivo, em saco de lixo

Três semanas depois, no dia 24 de fevereiro, outra situação de abandono de animais, ainda mais grave, mobilizou a mesma equipe da coleta de lixo. Os profissionais realizavam o trabalho de rotina pela Rua Jácomo Dalphalo (Jardim Dalphalo, atrás das chaminés), próximo ao local do primeiro caso de abandono, e coletaram os sacos que já estavam agrupados na esquina, como de costume, lançando-os no caminhão.

Juliano e Alex e o filhote resgtatado do caminhão, na chegada à Clínica (Cedida).

Foi quando o coletor Alex Rafael ouviu um barulho e um pequeno movimento, em um saco que havia sido lançado no compartimento traseiro do caminhão, onde ocorre a primeira compactação do lixo. Ao abrir o saco, se deparou um filhote de cachorro dentro da embalagem, enrolado em um pano, com o focinho amordaçado e as patas contidas.  

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O procedimento por quem descartou o animal talvez tenha sido feito para que ele não se mexesse. “Estava amordaçado com uma tira de pano, e as patinhas também presas com o pano, dentro de um saco de lixo”, contou Alex.  “Direto, encontramos animais mortos jogados no lixo. Mas vivo, foi a primeira vez. Foi bem chocante para mim”, continuou.

Alex salvou o filhote jogado vivo no lixo, antes de ser prensado (Siga Mais).

A situação comoveu, mais uma vez, os outros dois colegas, que novamente buscaram apoio voluntário na Clínica Cevap. O terceiro cãozinho abandonado, encontrado pelos coletores de lixo, também ficou sob os cuidados do local.

Alex, Valdecir e Juliano, equipe da coleta envolvida nos resgates (Siga Mais).

Conforme o médico veterinário Gustavo Junqueira Machado, a situação desse terceiro animal era mais grave do que os dois anteriores. Estava bastante debilitado, com estufamento na barriga e tomado por carrapatos.  Também recebeu os cuidados iniciais com alimentação e hidratação, além de carrapaticida e vermífugo, tendo atravessado um período inicial bastante crítico, porém apresentou evolução positiva.

O animal também está no canil da Clínica, apto para adoção, junto com a fêmea resgatada na lixeira.  

Quem adotar ganhará castração dos pets

Dos três filhotes resgatados, um foi adotado, e restam a fêmea (pelagem amarelada/caramelo) encontrada na lixeira e o macho (pelagem preta) que estava no saco de lixo. O médico Gustavo Junqueira Machado destacou que os filhotes, após os cuidados iniciais, estão livres de pulgas, carrapatos e vermes, e com a saúde reabilitada, prontos para adoção. Para estimular que sejam adotados, ele doou a castração dos dois pets, que será realizada sem custos.  

Profissionais da Clínica e os dois pets (Siga Mais).Reabilitados, os pets prontos para adoção (Siga Mais).

O médico veterinário destacou que o abandono de animais é crime inafiançável (mais informações abaixo). Se identificados, os autores do abandono podem ser processados, com penas de dois a cinco anos de reclusão. “É um crime, juridicamente falando”, frisou.

Ele também fez uma relação da crueldade com a fé religiosa. “Espiritualmente falando, é um pecado”, ressaltou. “Toda vida é envolta de muito cuidado, muito carinho e muito amor. Todos somos feitos pelo mesmo Criador. E o mínimo que a gente tem que ter é respeito por toda criatura, por toda criatura vem de Deus”, ressaltou o profissional.

Gustavo Junqueira Machado (Siga Mais).

E fez um apelo para que as pessoas propensas a abandonar um animal, ou a maus tratos, que busquem aqueles que queiram adotar. “Venham à nossa Clínica, como a outras na cidade, divulguem nas rede sociais, porque há pessoas dispostas a adotar”, disse. “Sempre existe a possibilidade pela busca da vida, da recuperação, e há muitas pessoas boas querendo adotar”, encerrou.

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Pena pode chegar a 5 anos de reclusão

Segundo publicou o site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), a Lei 14.064/2020 aumentou a pena para quem maltratar cães e gatos. Desde 2020, quem cometer esse crime será punido com 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda. Caso o crime resulte na morte do animal, a pena pode ser aumentada em até 1/3.

A Lei 14.064/2020 alterou a Lei 9.605/98, que dispõe sobre os crimes contra o meio ambiente, fauna e flora e prevê pena de detenção de 3 meses a 1 ano e multa, no caso de crime de maus-tratos contra animais.

Veja o que diz a lei:

Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.

Dos Crimes contra a Fauna

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 1º-A Quando se tratar de cão ou gato, a pena para as condutas descritas no caput deste artigo será de reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, multa e proibição da guarda. (Incluído pela Lei nº 14.064, de 2020)

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

A mudança na legislação e a ampliação de penas por maus tratos a animais foram abordados em junho de 2021 pelo SIGA MAIS, em um vídeo com a delegada da Polícia Civil de Adamantina, Laíza Fernanda Rigatto. Relembre:

Como denunciar

Boletim de ocorrência de crimes contra animais podem ser feitos nas unidades policiais (delegacias da Polícia Civil). Há ainda a facilidade pela denúncia por meio da DEPA (Delegacia Eletrônica de Proteção Animal), da Polícia Civil do Estado de São Paulo. 

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