Em canoas cadanenses, grupo rema 80 km na expedição Baixo Aguapeí/Paraná, em dois rios da região
No grupo participaram 7 pessoas. Entre elas o advogado e professor universitário Igor Terraz Pinto.
Em canoas canadenses, um grupo de sete pessoas remou cerca de 80 km no que batizaram de expedição Baixo Aguapeí/Paraná, na região, nos dias 13, 14 e 15 de outubro. Entre eles, o advogado e professor universitário Igor Terraz Pinto, de Adamantina.
(Reprodução/Guia de Áreas Protegidas).
Os aventureiros iniciaram o percurso no Parque Estadual do Aguapeí (PEA), na altura da ponte da Rodovia Euclides de Oliveira Figueiredo (Rodovia da Integração), que faz a ligação Tupi Paulista/Andradina, e encerraram a jornada 13 km após sua foz, já no rio Paraná. Ao todo, nos dois rios, foram cerca de 80 km percorridos em três dias.
(Cedida/Acervo Pessoal).
O SIGA MAIS conversou com o participante adamantinense, que detalhou sobre a expedição. O grupo era formado por profissionais de diferentes áreas, moradores em Campinas, Salto, Dracena e Sorocaba, com diferentes níveis de experiência nessa modalidade de navegação fluvial.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Além do advogado e professor universitário Igor Terraz Pinto, participaram Álvaro Rodolfo de Pierro (professor aposentado da Unicamp, Campinas), Jairo Henrique Scalabrini (advogado em Dracena), Luis Henrique Ferraz (advogado em Sorocaba), Juracy José Miguel (securitário em Salto), Marcos Antonio Paixão (fisioterapeuta em Salto) e André Ricardo Ribas de Freitas (médico, professor universitário, em Campinas). O veterano do grupo, com ampla vivência nessa atividade, tem 72 anos.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Igor contou que o grupo chegou no feriado de 12 de outubro (quarta-feira) ao Parque, que tem seu endereço à Rodovia Euclides de Oliveira Figueiredo, km, 161, em Nova Independência. Eles ficaram alojados nas instalações do local, onde fizeram os últimos alinhamentos para a jornada.
Os 80 km nas águas
Ao amanhecer do dia 13 (quinta-feira), os aventureiros fizeram um café reforçado, já que a próxima refeição completa seria ao final do dia, no primeiro ponto de parada e pernoite. Assim, organizaram todos os materiais nas canoas, como os itens de cozinha, alimentos, colchonetes e barracas, entre outros itens indispensáveis à expedição.
(Cedida/Acervo Pessoal).
O percurso a remo foi iniciado por volta de 9h e o primeiro dia de navegação fluvial, em um dos trechos mais sinuosos do rio Aguapeí, se deu sobretudo na área protegida do Parque Estadual, um ecossistema com bioma da Mata Atlântica. Todo esse primeiro dia foi sem parada, já que é proibido atracar e fazer qualquer deslocamento, ou instalar alojamento, em terra, no trecho da unidade de conservação.
Com isso, o primeiro ponto de parada da expedição foi cerca de 2 km após a ponte sobre o manancial, em São João Do Pau D´Alho. O grupo se instalou às margens, onde montou alojamento para o jantar e dormir. Durante todo o dia, no deslocamento fluvial, a alimentação foi à base de frutas, castanhas e barras de cereais.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Nesse lugar de parada, fora da área do Parque Estadual, o grupo teve o cuidado de, com segurança, preparar uma fogueira, para afugentar insetos e outros animais. Já a primeira refeição foi um “arroz canoeiro”, em referência ao original “arros carreteiro”, com arroz, carne seca e legumes.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Depois da primeira noite acampados às margens do rio Aguapeí, os sete participantes retomaram as tarefas, dentro do que ficou planejado e atribuído a cada um, desarmaram as instalações, recolheram todos os materiais e retomaram o roteiro, para mais uma etapa de navegação. Pouco depois do amanhecer do dia 14 (sexta-feira), o deslocamento a remo foi retomado.
(Cedida/Acervo Pessoal).
O segundo dia de navegação no traçado sinuoso do rio Aguapeí também transcorreu sem qualquer problema, por cerca de 30 km, até alcançar o segundo ponto de parada, para refeições e pouso, cerca de 5 a 6 km antes da sua foz, em uma área de prainha, onde se repetiram os procedimentos de montagem do acampamento, alimentação e pouso.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Na manhã do dia 15 (sábado), o grupo avançava para a etapa final do trajeto, com uma curta etapa pelo traçado final do rio Aguapeí até sua foz, e mais cerca de 13 km já pelo rio Paraná. O final da expedição foi na altura do Condomínio Jupiazinho, em Pauliceia, onde os sete participantes concluíram a jornada por volta das 14h.
Memórias e futuro
Ao SIGA MAIS, o participante adamantinense considerou positiva toda a experiência, sobretudo pelos cenários e companheirismo entre os participantes, e se vê disposto e motivado a vivenciar novas expedições com as mesmas características, no próprio rio Aguapeí e outros cenários. “A ideia é que se repita. Tenho muita vontade de conhecer outros rios remando”, disse Igor.
Sobre companheirismo, ele disse que essa foi uma das referências vivenciadas nessa expedição. “Você está em um ambiente desconhecido, que apresenta certo perigo, e isso fortalece essa irmandade”, explicou.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Ele contou ainda que não avistaram ninguém, nesses três dias de navegação fluvial, com atividades de pesca ou outras, no rio Aguapeí, e que pescadores só foram vistos nas águas do rio Paraná. “Vimos muitos jacarés, muitas aves, além de macacos, capivaras e pegadas de onça parda e anta. Foi uma experiência muito rica”, completou.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Igor também é presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) de Lucélia. Ele disse que ficou apalavrado entre o grupo sobre uma nova agenda, quando da inauguração do Parque Natural Municipal do Salto Botelho. A programação poderá ter atividades de rafting e canoagem em trecho “rio acima” e uma nova expedição de canoa canadense “rio abaixo”, do Salto Botelho até a sede do Parque Estadual Aguapeí. Ainda não há data mais específica para essas novas ações.
(Cedida/Acervo Pessoal).
Igor também destacou a grandiosidade ambiental do Parque Estadual do Aguapeí, que tem mais de 9 mil hectares, as ótimas instalações de sua sede administrativa, que conta com três alojamentos para visitantes. Ainda fez questão de agradecer a especial atenção que receberam de todos os funcionários do Parque, em especial de sua gestora, Natália Poiani Henriques.
O Parque
Conforme o site Guia de Áreas Protegidas (onde é possível fazer reservas para hospedagem e comprar ingressos para o local), o Parque Estadual do Aguapeí foi criado em 1998, como forma de compensação pelos impactos ambientais decorrentes da construção e funcionamento da Usina Hidrelétrica Porto Primavera.
(Reprodução/Guia de Áreas Protegidas).
Localizado no noroeste do Estado de São Paulo, com 9.043,97 hectares, abrange os municípios de Nova Independência – onde está sua sede administrativa – Castilho e Guaraçaí. Na Nova Alta Paulista a área do Parque abrange também as cidades de São João do Pau d’Alho, Monte Castelo e Junqueirópolis.
(Reprodução/Guia de Áreas Protegidas).
O Parque protege exuberante vegetação nativa, destacando-se na paisagem o rio Aguapeí, a formação de bancos de areias, praias e extensas áreas de várzeas. Parte de sua rica biodiversidade está associada aos ambientes alagadiços, também conhecidos regionalmente como “Pantaninho Paulista”.
Na área do Parque foram registradas 154 espécies da flora e 396 espécies de animais vertebrados. A espécie-símbolo do lugar é o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), que vive em pântanos de alta vegetação, considerado criticamente ameaçado de extinção no estado de São Paulo.
(Reprodução/Guia de Áreas Protegidas).
Nas várzeas do Parque, essa espécie encontra alimento, abrigo e condições para sua reprodução. Jacaré-do-papo-amarelo, tuiuiú e anta também estão entre as espécies protegidas pela unidade de conservação.